O data center do futuro será mais denso, consolidado em pequenos espaços, deverá gerar mais calor e, portanto, consumirá mais energia. A constatação é do instituto de pesquisas Gartner, que aponta ainda que o grande desafio das companhias e provedores de data center será resolver essa equação rumo à eficiência energética.

“Energia e refrigeração representam, hoje, 50% do consumo energético de um data center. Considerando que o custo de energia cresce em torno de 15% a 20% ao ano, encontrar a fórmula para conquistar eficiência é vital”, afirmou Henrique Cecci, diretor de pesquisas do Gartner, durante a Conferência Data Center, realizada entre os dias 3 e 4 de abril, em São Paulo.

De acordo com o executivo, o Power Usage Effectiveness (PUE), índice que mede a eficiência de um data center, ideal é aquele que indica que houve consumo daquilo que foi gerado. No entanto, em muitos países, essa máxima está longe de ser verdade. O Brasil é um deles. Em solo nacional, a média é 2,4. Em outros países fica entre 1,4 e 1,5. “No Facebook, por exemplo, o índice é 1,07”, exemplifica Ray Paquet, vice-presidente administrativo do Gartner.

Cecci afirma que estão surgindo muitas tecnologias para lidar com esse gargalo, porém, nenhum provedor de serviços de data center quer ser cobaia. “Eles querem plataformas confiáveis, com um retorno sobre o investimento interessante, escaláveis, fáceis de implementar e impactar de forma positivas nos negócios”, observa.

Nos próximos cinco anos, prossegue Cecci, quatro plataformas vão ajudar a conquistar esses objetivos: Data Center Infrastructure Management (DCIM), para organizar melhor a dinâmica do data center; Combined Heat and Power (CHP), que deverá criar formas de as empresas obterem sua própria energia como por turbina de gás; aproveitamento de energia do próprio ambiente; e termal storage, para refrigeração do ambiente.

Além disso, a conta de energia elétrica deverá ficar sob responsabilidade da TI e não mais na área de Facilities, o que ajudará as organizações a terem mais consciência dos gastos e a criar formas para minimizá-los.

Nos próximos anos, algo que será crítico, diz Cecci, será a modernização dos data centers. “Os mais atuais têm 400% a mais de capacidade, usando 60% a menos de espaço. Eles são mais modulares, pequenos, construídos por zonas [múltiplas camadas] e escalável verticalmente”, detalha. “Os chamados containers, modulares, pré-fabricados e com serviços em cloud”, completa.

Cecci aponta que o País tem atraído investimentos em data centers e está sendo considerado um “hub” para atender companhias da América Latina. “No entanto, o Brasil ainda apresenta problemas de infraestrutura, que estão sendo resolvidos gradativamente. Observamos aumento de 25% no número de data centers por ano em solo nacional”, assinala.


link: Efici