Apesar de ainda não determinar diretamente para as autarquias e ministérios a adoção de soluções de cloud, o governo Dilma colocou de vez o tema computação na nuvem nas suas diretrizes. Tanto que já estão destinados no orçamento da União, R$ 50 milhões para aporte na tecnologia e esse montante não leva em conta os orçamentos de TI dos órgãos governamentais.

Além disso, a Subvenção econômica da Finep - com recursos não reembolsáveis para o governo - também trará uma linha especial dedicada à computação na nuvem. Governo quer ainda impulsionar a formação de mão-de-obra para a nuvem e atuará como interlocutor entre a Academia e o mercado privado.

"Cloud computing é estratégico para o governo e no anúncio da política nacional de software - batizado oficialmente como TI Maior - que acontecerá no dia 20/08, na capital paulista, vamos informar que o governo orçou R$ 50 milhões para investir de agora até 2014, sem levar em conta os orçamentos de TI das autarquias, estatais e ministérios", revelou o coordenador da política de software do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Rafael Moreira, que nesta quarta-feira, 08/08, veio a capital paulista para uma palestra sobre computação na nuvem, no evento CloudConference.

A iniciativa de cloud, antecipa Moreira, conta ainda com a realização de pilotos - pelo menos 10 - no governo, já a partir de 2013, com o processo sendo conduzido, inicialmente, pelo Serpro, Dataprev e Telebras. "Sem infraestrutura de telecom não temos computação na nuvem e precisamos entender como favorecer a empresa", conta Moreira.

Um outro piloto é, sim, o uso do Expresso, serviço de e-mail eletrônico, desenvolvido pelo Serpro. "Estamos vendo como oferecer software como serviço no governo. Esse é um grande desafio e temos que pensar no modelo de compras governamentais", sustenta ainda o executivo do MCTI.

Apesar de não querer adiantar muitos detalhes sobre a política nacional de Software, que será revelada no dia 20 de agosto, num evento, em São Paulo, Moreira admite que as compras governamentais são, sim, um ponto-chave na nova estratégia. "Estamos adaptando a questão de compra de software e serviços de TI pelo governo. Montamos um modelo que vai beneficiar empresas que fazem software", garantiu.

E mandou um recado: a estratégia de software livre é importante, mas, neste momento, é preciso que se comprove quais são os ganhos contabilizados do uso de soluções. "Não vamos entrar na briga do sistema operacional. Precisamos fazer software de nichos. Levar software nacional para áreas como petróleo, gás e energia. Se é software livre ou proprietário, o que vai levar em conta é a qualidade", adianta.

Um dos pontos críticos para o mercado de TIC é a formação de mão de obra e o governo está ciente. Tanto que pensa em criar uma 'nuvem acadêmica" para aproximar o mercado das universidades. "Há uma defasagem entre a academia e a necessidade do mercado. E cloud está nesse contexto. Precisamos criar profissionais novos como o arquiteto de cloud", detalha.

Dados divulgados pelo ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação revelam que TI, sozinha representa 4,4% do Produto Interno Bruto. Se somar o C, de comunicações, essa representação sobe para 7,6% e se acrescentar serviços como call center e BPO, o percentual sobe para 7,9%. "TIC tem papel estratégico. Representa mais, por exemplo, que o setor automobilístico. Daí todo o esforço para o TI Maior", sustentou Moreira. A ideia do governo é colocar o Brasil, em 2020, como o quinto maior mercado de TIC do mundo.


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