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    "A cobra fumou" no .pt

    Conselho executivo da FCCN demite-se contra decis

    O presidente demissionário da fundação que gere o domínio .pt e a Internet do ensino superior e instituições científicas não vê explicação para a sua integração na Fundação para a Ciência e a Tecnologia

    O presidente do conselho executivo da Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN), Pedro Veiga, justificou ontem a demissão em bloco dos cinco elementos deste órgão com "a situação insustentável criada pelo Governo", que determinou a integração daquela estrutura na Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). "A decisão é absurda, injustificável e, nalguns aspectos, própria de países não desenvolvidos. Não podíamos pactuar com ela", disse, em declarações ao PÚBLICO.

    A demissão, anunciada ontem, foi precedida de críticas de actuais e anteriores dirigentes da FCT e da própria FCCN, que gere o domínio .pt e a toda a infra-estrutura de Internet do ensino superior e das instituições científicas portuguesas.

    Ontem, Pedro Veiga foi especialmente duro, ao considerar "uma estupidez" aquela medida, que decorre das alterações à lei orgânica do Ministério da Educação e Ciência (MEC), aprovadas em Conselho de Ministros a 11 de Dezembro. "A decisão é mais do que grave - é impróprio de governos de um país desenvolvido passar a gestão do domínio .pt de uma instituição sem fins lucrativos para um instituto público. Há aqui uma nacionalização do .pt. Isto só no Irão ou na Síria", comentou Pedro Veiga, horas depois de ter apresentado formalmente a demissão.

    O ainda presidente do conselho executivo da FCCN sublinhou que, com aquela afirmação, não pretende "atribuir qualquer intenção ao Governo". "Não sei qual poderá ser, não entendo, não faz sentido, não se percebe", insistiu, em declarações ao PÚBLICO. Frisou que "as questões são muitas". "Que mais irá acontecer? A FCT, uma entidade que gere financiamentos [para a investigação científica], vai também fazer a gestão operacional de outras infra-estruturas científicas? Por que não o Observatório Astronómico de Lisboa?", ironizou.

    No final da semana passada, o MEC desvalorizou os alertas feitos pelo Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) e por investigadores como Luís Magalhães e João Sentieiro, antigos presidentes da FCT, e Carlos Salema, primeiro presidente da FCCN, entre 1986 e 1989. Os investigadores acreditam que a medida, que consideram "um erro", resultará na "falência do serviço de acesso à Internet no sistema científico e do ensino superior". O CRUP alertou, em carta enviada ao MEC, para o "forte impacto" que a medida pode ter nas infra-estruturas de comunicação de dados e no funcionamento da Rede Ciência, Tecnologia e Sociedade (RCTS).

    Através do gabinete de imprensa, o ministério reagiu, na semana passada, considerando que a integração vai "pôr termo em definitivo" às dificuldades de financiamento da FCCN e garantindo que "todas as funções desenvolvidas pela FCCN serão integralmente asseguradas". "As equipas directivas estão a trabalhar em conjunto para que essa integração decorra com total normalidade, e não se prevê qualquer alteração", transmitiu, na altura, o gabinete de imprensa do ministério. Ontem, depois da demissão de uma dessas duas equipas que referiu, o MEC limitou-se a reafirmar que "todas as funções desenvolvidas pela FCCN serão integralmente asseguradas".

    Pedro Veiga (que hoje assina um artigo de opinião no PÚBLICO, na página 46), considera que, "de facto, não se prevê que haja uma ruptura de um dia para o outro, na medida em que a gestão é feita de maneira a assegurar que tal não acontece". Avisa, no entanto, "que a degradação terá início assim que começarem a sair os engenheiros altamente especializados" que estão entre os 75 funcionários da FCCN. Apesar de ainda não se saber como se fará a integração - a definir em diploma a publicar ainda este mês -, o presidente demissionário da FCCN lembra que "os profissionais de áreas onde ainda há emprego não gostarão de sofrer os cortes de remuneração aplicados à função pública".

    Em, carta que circula entre cientistas do país, Luís Magalhães, João Sentieiro e Carlos Salema consideram que o fim da FCCN é motivado pela pressão política para a extinção de fundações e que dele não resulta qualquer benefício para o Estado. "Construir capacidades de alto nível mundial é tarefa difícil que requer elevado conhecimento, competência e persistência estratégica. Destruí-las faz-se facilmente de um dia para o outro com uma decisão errada", criticaram num artigo no PÚBLICO, a 2 de Janeiro.

    Pedro Veiga precisou que os membros do conselho executivo da FCCN manter-se-ão em funções até serem substituídos, mas não darão "qualquer contributo para a concretização de uma medida que consideram profundamente errada".

  2. #2
    {topmember}
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    Por um momento pensei estar lendo sobre o governo do PT.

  3. #3
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    Muito mau, nem quero ver o que vai acontecer quando a gestao passar mesmo para a FCT (que é uma entidade publica)... Eu quase aposto que a primeira coisa que vão fazer vai ser subir os precos..
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