Autor(es): Por Martha San Juan França | Para o Valor, de São Paulo
Valor Econômico - 19/03/2013

O Programa de Incentivo à Indústria de Software e Serviços (TI Maior), a maior aposta do governo brasileiro para estimular a indústria de software e serviços de TI no Brasil, já conta com a cooperação de pelo menos três grandes empresas que assinaram acordo com o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Ministério da Educação para criar centros de pesquisa globais no país.

A fabricante de chips Intel investirá R$ 300 milhões no programa nos próximos cinco anos em convênios e parcerias com várias instituições e universidades do país nas áreas de educação, energia e transporte. A EMC Corporation disporá de R$ 150 milhões no mesmo período para dar andamento a pesquisas no centro de P&D em tecnologias de big data (armazenamento e uso de grande volume de dados) no Parque Tecnológico da UFRJ, na Ilha do Fundão (RJ). E a Microsoft anunciou o investimento de R$ 200 milhões em uma empresa de investimentos no Brasil (Microsoft Participações), além da criação de um Laboratório de Tecnologia Avançada (ATL em inglês), de uma aceleradora de negócios (Acelera Rio) e de um centro de desenvolvimento da plataforma de busca (Bing), que serão instalados no Edifício Barão de Mauá, prédio histórico na região do Projeto Porto Maravilha no Rio de Janeiro.

O MCTI pretende atrair um quarto centro de pesquisa até 2014. O TI Maior, anunciado em agosto do ano passado, tem como objetivo colocar o Brasil em quinto lugar no ranking mundial de TI em dez anos. Pretende também aumentar as exportações em oito vezes, crescer a participação do setor no PIB nacional em 50% e quase dobrar a geração de empregos qualificados na área. Para isso, a meta é investir cerca de R$ 500 milhões em cinco anos.

Para otimizar o seu desenvolvimento, o governo selecionou nove aceleradoras (Microsoft, Wayra, Fumsoft, Aceleratech, 21212, Start You Up, Outsource Brasil, Papaya Ventures e Pipa), escolhidas em edital cujo resultado foi divulgado no último dia de fevereiro. Elas vão servir de mentoras e dar condições de trabalho nas áreas jurídica, administrativa e de marketing das startups, além de promover o contato com outros investidores e com pesquisadores.

O coordenador de software e serviços do MCTI, Rafael Moreira, destaca que o ministério analisou as melhores políticas públicas e parcerias privadas de EUA, Índia, Chile, Israel e países europeus para criar o programa. "Vimos que era preciso que o nosso programa coletasse o melhor dessas iniciativas. Precisava ter o peso institucional do governo para montagem do ecossistema e a leveza do setor privado para que fosse acelerado."

Ele entende que, se funcionar, o programa poderá ser expandido para outras áreas de desenvolvimento tecnológico. "O pulo do gato é a parceria público privada", diz Carlos Pessoa, diretor do Wayra Brasil, empresa criada pelo Grupo Telefónica para promover a inovação e o empreendedorismo na área de TIC. "Eu acredito que o programa pode se tornar referência internacional."

A Microsoft decidiu instalar no Brasil o seu quarto ATL (os outros estão na Alemanha, Israel e Egito), considerando o tamanho do mercado brasileiro e o investimento do TI Maior. Além disso, pretende que a Microsoft Participações funcione como gerente de uma rede de aceleradoras de startups, a Acelera Brasil, em conjunto com diversos parceiros.

As aceleradoras apoiadas por essa rede ajudarão as empresas nascentes a desenvolver mecanismos de gestão para que sejam atraentes tanto ao mercado de fundos de capital de risco quanto a grandes corporações. A primeira delas é a Acelera Rio, com empresas como a OAS e a NEC, além da Prefeitura do Rio de Janeiro, mas outras estão previstas em Porto Alegre e Natal. "Em termos tecnológicos, nós já oferecemos o BizSpark, um programa que dá às empresas de TI acesso gratuito às tecnologias da Microsoft, além de suporte técnico e treinamento", explica Franklin Luzes, diretor de operações da Microsoft Participações.

No âmbito do programa, a EMC vai colaborar com agências governamentais, universidades e indústrias para empreender iniciativas conjuntas relacionadas à pesquisa, desenvolvimento e inovação em tecnologias de ponta em big data, computação em nuvem e segurança da informação. "Queremos criar um trânsito que não existe ainda", afirma Karin Breitman, gerente-geral do centro de P&D da empresa, previsto para ficar pronto no início de 2014. Ele já está funcionando provisoriamente no centro do Rio. A pesquisa é focada em uma das áreas estratégicas estabelecidas pelo MCTI - aquisição, mobilidade, análise e visualização de dados geofísicos, geológicos, de engenharia e de negócios utilizados no ciclo de vida de óleo e gás.

A Intel pretende trabalhar com o que chama de "células de excelência" que serão espalhadas pelo país, formando o primeiro polo de tecnologia da empresa na América Latina. O foco está nas na área de energia com o desenvolvimento de soluções de software como ferramenta de visualização e simulação para a extração de petróleo na camada pré-sal; de educação, com o desenvolvimento de softwares educacionais e computação de alto desempenho; e de transporte, com tecnologias para emplacamento eletrônico de carros e soluções para aumentar a eficiência na gestão de trânsito de passageiros e carga. "A ideia é investir em toda a cadeia de valor até o consumidor final, ou desde a pesquisa até a transformação em produtos que sirvam para o ecossistema local e internacional", afirma o presidente da empresa no Brasil, Fernando Martins.
TI Maior atrai centros de pesquisa — Portal ClippingMP