Entrevista: Erasmo Rojas

O mês de abril marca o fim da primeira fase para a instalação das redes 4G no Brasil. Até o próximo dia 30, as principais operadoras de telefonia celular do país – TIM, VIVO, Claro e Oi – devem concluir a adaptação da infraestrutura nas seis cidades que vão sediar a Copa das Confederações, que terá início no dia 15 de junho. A princípio, a frequência a ser utilizada será a de 2,5 GHz, uma vez que a de 700 MHz, a mais indicada por especialistas, ainda é utilizada pela TV analógica. De acordo com Erasmo Rojas, diretor da 4G Américas para América Latina e Caribe, consultoria especializada na análise de redes de telefonia celular, as companhias não terão problemas para terminar seus projetos porque é possível reaproveitar diversos recursos de infraestrutura oriunda das redes anteriores, como a 3G.

O Brasil está pronto para implantar a rede 4G?

Sim, a Claro já lançou sua rede 4G na cidade de Recife. As operadoras podem reutilizar alguns dos equipamentos do 3G para o 4G, tais como torres, estações de energia e sistemas de transmissão, o que facilita o processo. As outras operadoras devem iniciar a operação 4G em breve. Há ainda etapas burocráticas, por exemplo, as prefeituras das seis cidades (Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Salvador e Rio de Janeiro) ainda precisam liberar neste mês a instalação das antenas.


O Brasil inicia o 4G com 10.000 antenas instaladas nessas seis cidades. Existe uma previsão para o início da instalação de torres em outras capitais do país?

Após essas seis cidades, que precisam estar com o 4G em funcionamento até o final de abril, as operadoras vão continuar com as instalações necessárias para a tecnologia estar disponível até dezembro de 2013 em outras seis cidades onde a Copa do Mundo será realizada.


O que as operadoras ainda precisam fazer para oferecer o serviço aos seus usuários?

Oferecer serviços 4G com a descrição de um plano de dados, os dispositivos que poderão ser oferecidos e o preço associado. Os operadores também devem definir a área de cobertura 4G, ou seja, onde o usuário terá acesso a velocidades de dados 4G no país.

Existe a possibilidade de as operadoras brasileiras utilizarem uma estrutura unificada de torres para economizar dinheiro e espaço?

Há sempre a possibilidade de os operadores compartilharem infraestrutura passiva como torres. Tudo depende de acordos voluntários entre as empresas e das licenças públicas para as instalações de antenas em cada município.


A princípio, vamos utilizar as faixas de frequência entre 2,5 e 2,69 GHz. Isso nos coloca em alguma desvantagem em relação aos países – como os Estados Unidos – que usam a faixa de 700 MHz?

Não necessariamente. Outros países latino-americanos usam a mesma frequência, como Colômbia e Chile. Para a fase inicial de implantações de 4G e para responder ao desafio de iniciar a operação para os eventos esportivos de 2013 e 2014, a banda de espectro de 2,5 GHz era o que estava disponível no Brasil.

Em 2016, a faixa de 700 MHz, utilizada hoje pela TV analógica, será liberada. Existe a possibilidade de uma mudança para o uso do 4G nessa faixa?

A faixa de 700 MHz também será usada para o 4G no Brasil, mas irá atender diferentes necessidades. A faixa de 2.5 GHz será mais utilizada em grandes cidades, e a de 700 MHz será provavelmente mais utilizada em áreas rurais, em razão das suas características. Ela é capaz de manter a qualidade da cobertura em um raio de até 5 km a partir da antena, enquanto que na
frequência de 2,5 GHz esse raio é de 2 km.

E os dispositivos móveis? Os que já existem deverão ser trocados por modelos capazes de se comunicar com a rede em 700 MHz?

Existem aparelhos que funcionam tanto na rede de banda larga 3G quanto na 4G. A rede 4G de 2.5GHz estará em operação no Brasil muito mais cedo do que a de 700 MHz, uma vez que o leilão dessa frequência ainda não está definido pelo governo brasileiro. Alguns podem ser compatíveis, mas nem todos.

Existe algum tipo de sobreposição de cobertura? Os usuários de aparelhos 4G poderão se conectar às redes 3G normalmente?

Os usuários com aparelhos 4G poderão acessar a rede 3G.

E os usuários que adquirem smartphone com a rede 4G em países que usam a frequência 700 MHz, poderão usa-los no Brasil?

Sim, mas apenas nas redes nacionais que utilizarem a mesma frequência. Se esse tipo de rede não for localizado pelo aparelho, ele vai procurar automaticamente a rede 3G.

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