O Estado de S. Paulo - 08/05/2013

"As empresas brasileiras não inovam porque não precisam". Assim o empresário Pedro Passos, cofundador e presidente da Natura, resumiu a mensagem de sua palestra ontem para uma pequena audiência de pesquisadores na Reunião Magna da Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Centro do Rio.

Passos fazia parte de uma mesa de cientistas e empresários, reunidos para debater os desafios de estimular a pesquisa e desenvolvimento (P&D) para a inovação tecnológica nas empresas brasileiras. Segundo Passos, não há estímulo nem necessidade para fazer inovação no Brasil, porque a maioria das indústrias nacionais ou vive de exportar matérias-primas ou vende seus produtos somente para o mercado interno, no qual a competitividade é baixa.

"Quem não disputa mercado internacional tem mercado cativo em casa, o que faz com que a empresa não precise inovar", disse. "No mercado nacional há mais incentivos, o risco é menor, o apetite de inovação é menor, e a empresa pode oferecer um produto de qualidade inferior. Esse é o quadro."

"Se o Brasil quiser ser mais inovador, tem de abrir suas fronteiras e entrar no mercado global (de tecnologias)", completou Passos, "Não tem nada errado em ser um exportador de commodities; porém, isso é insuficiente para completar o desenvolvimento que queremos para o País. Fazer mais do mesmo não vai funcionar."

Outro palestrante, Bernardo Gradin, ex-presidente da Braskem e atual presidente da Gran-Bio, apontou vários gargalos legais que dificultam a inovação. "Ainda compensa copiar no Brasil, porque o ambiente não protege quem cria", disse. "Precisamos de melhores políticas públicas para proteger o conhecimento e incentivar a inovação." Em vez de jogar a culpa toda no governo, porém, Gradin chamou a responsabilidade para o setor e disse que cabe às próprias empresas trabalhar para reverter esse quadro. "Não podemos deixar mais um cavalo selado passar; temos de contribuir para que o modelo regulatório se transforme."
http://clippingmp.planejamento.gov.b...019-diz-passos