Espionagem atrapalha construção de cabo submarino entre Brasil e EUA

As denúncias de espionagem envolvendo a Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA e o Brasil azedou a instalação de um cabo submarino ligando os dois países.

Segundo Caio Bonilha, presidente da Telebras, o cabo submarino Brasil-EUA deixou de ser prioridade. “Estão bem avançadas, mas, agora, em função dessas questões, deixou de ser prioridade”, disse em entrevista ao TeleTime. A estatal atualmente foca na rota Brasil-Angola, que está sendo conduzido pela Angola Cables e Brasil-Portugal, ambos saindo de Fortaleza. Também está em desenvolvimento um tronco ligando São Paulo à Fortaleza.

Há também uma prioridade a terminar logo a instalação de um cabo entre Brasil e Europa, já que hoje todo o tráfego tem que passar pelos EUA e só depois seguir para o continente.

Os cabos submarinos ligam a internet em todo mundo através de uma extensa malha que passa por todos os continentes. Por causa deles o custo da internet se tornou barato e também possibilitou uma comunicação mais rápida pela rede. A discussão passa também pelo modelo de governança da internet.

O governo brasileiro reclama do custo da conexão internacional. Há também uma pressão para aprovar a construção de mais um ponto de troca de tráfego internacional, chamado de PTT. Existem hoje no mundo 15 PTTs, dos quais 11 são controlados pelos EUA. A construção de um novo servidor de raiz não teria sido aprovada pelo ICANN, órgão que controla os domínios de internet e também pelo governo norte-americano.

Depois das denúncias de espionagem, o Brasil vem tentando diminuir a concentração de controle da web por parte dos EUA. Além da construção de mais um PTT há também o projeto de obrigar empresas de tecnologia a instalar servidores em território brasileiro como parte do Marco Civil.

Segundo a Telebras, o Brasil deverá ter 35 mil km de extensão de cabos óticos em 2014, passando por todas as capitais, com exceção de Boa Vista, que terá uma infraestrutura de alta tensão da Eletronorte e Eletrobras. [Com informações da Agência Brasil, Teletime e Convergência Digital]
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