Google faturou R$ 3,5 bilhões no País em 2013, receita menor apenas do que a da Rede Globo. O faturamento supera os ganhos da editora Abril, que costumava ser a segunda da lista, e das emissoras Record e SBT.



MARINA GAZZONI - O Estado de S.Paulo

O Google é dono da segunda maior fatia do bolo publicitário brasileiro. A informação ganhou os holofotes quando o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afirmou que a empresa "está se transformando em um monopólio de mídia", o que gerou discussões no meio publicitário.

Nas duas últimas semanas, o ministro criticou repetidas vezes o sistema de cobrança de impostos das empresas estrangeiras de tecnologia no País. E afirmou que o Google faturou R$ 3,5 bilhões no País em 2013, receita menor apenas do que a da Rede Globo.

O Estado apurou com fontes do mercado que, de fato, o gigante de internet é o segundo do ranking de receita publicitária no País. Seu faturamento supera os ganhos da editora Abril, que costumava ser a segunda da lista, e das emissoras Record e SBT. Também segundo fontes do mercado, elas recebem cerca de R$ 1 bilhão com publicidade.

O Google não confirma o número informado pelo ministro e não abre os dados no País. No mundo, a empresa faturou US$ 55,5 bilhões em 2013 e a maior parte disso - US$ 50,5 bilhões - veio de receitas publicitárias, segundo balanço da empresa.

O presidente do Google Brasil, Fabio Coelho, afirma que o País é um dos mercados prioritários da empresa e que os negócios por aqui cresceram 30% em 2013. Segundo ele, esse crescimento reflete a mudança de comportamento do usuário, que passou a ficar mais tempo conectado.

A companhia dá treinamento para pequenas empresas e para agências de publicidade de todos os portes sobre como aproveitar seus serviços para alavancar negócios. "Queremos ajudar as empresas a navegar no ambiente digital", disse.

Coelho, no entanto, diz que o Google não é uma empresa de mídia. "Somos uma empresa que presta serviços de tecnologia. Não produzimos conteúdo." Ele ressalta que a marca é uma plataforma aberta, que permite aos produtores de conteúdo, profissionais ou amadores, ganhar dinheiro com anúncios na internet.

Coelho também rechaçou as acusações do ministro de que a empresa é monopolista. "A internet é aberta. A concorrência está a um clique de distância", disse. E afirmou que enviou uma carta a Bernardo na semana passada com a informação de que a empresa pagou mais de R$ 700 milhões em impostos no Brasil em 2013.

Performance. Independentemente de ser classificado como mídia ou não, o Google disputa a verba publicitária do Brasil com empresas de diferentes meios, avalia o presidente do grupo Meio&Mensagem, Salles Neto. "O investimento no Google sai do orçamento de publicidade das empresas", conclui.

Com ferramentas que permitem segmentar a oferta de anúncios e mensurar seus resultados, a empresa tem abocanhado mais da metade dos recursos que seguem para publicidade online no País.

"O modelo do Google é focado em performance e atende a necessidade das empresas de otimizar e justificar seus gastos com publicidade", explica Abel Reis, presidente da Agência Click Isobar, focada em mídia online.

O Google ganha, sobretudo, com a venda de links patrocinados por meio de um sistema de leilões. As empresas disputam as palavras-chave para aparecer no topo da busca e, de preferência, conseguir atrair o cliente para o seu site.

A receita do Google também vem de venda de comerciais no YouTube e da distribuição de anúncios em uma rede de sites e blogs parceiros. "Hoje 90% da audiência da internet está na rede de parceiros do Google", estima Marcio Jorge, diretor-geral da Amnet, empresa de compra programada de mídia online. "É possível identificar um perfil de consumidor e distribuir um anúncio direcionado especificamente a ele, onde quer que ele navegue."

O investimento no Google é muito procurado, principalmente, pelo e-commerce, que usa o anúncio para atrair o cliente para o seu canal de vendas. "Existem empresas que estão se tornando Google addicted (viciado). Seu negócio só vende se anunciar no Google. Esse círculo vicioso só termina quando você agrega valor à marca", disse o copresidente da agência DM9DDB, Paulo Queiroz. "Mas o Google não cria valor para a marca. É um catalisador de tráfego."

Para o publicitário, as marcas com maior valor são as que têm personalidade, um atributo que é construído com campanhas criativas e de qualidade. "Anunciar no Google não substitui uma campanha no último capítulo da novela, é complementar a ela. Os anunciantes precisam de veículo de massa para passar uma mensagem ao mesmo tempo para o Brasil inteiro."
http://www.estadao.com.br/noticias/i...,1136727,0.htm