Mais de 50% tem Internet domiciliar no Sudeste; no Nordeste, 20%.

Entre os motivos para não contratar o serviço, a maioria afirma não ter computador.

13 de março de 2014 | 14h 05
Ayr Aliski, da Agência Estado - Texto atualizado às 14h34

BRASÍLIA - No Brasil, 40% dos domicílios possuem acesso à Internet, segundo uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre os serviços de telecomunicações no País. O estudo 'Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) - Serviços de Telecomunicações' foi divulgado nesta manhã e apurou a avaliação dos brasileiros sobre a infraestrutura e a qualidade dos serviços de telecomunicações ofertados.

O Ipea destaca que há três patamares no acesso efetivo à Internet de acordo com as regiões brasileiras. No Sudeste, 52% dos domicílios têm acesso ao serviço. Em uma segunda faixa, estão o Sul (43%) e o Centro-Oeste (41%). No terceiro grupo, estão Nordeste (21%) e Norte (29%).

Entre os motivos citados a respeito da não contratação de serviços de acesso à Internet estão o fato de não possuir computador (60%); não ter condições de pagar o acesso (15%); não ter necessidade/interesse (10%) e não saber utilizar (5%).

O acesso à Internet em banda larga depende muito da posse de equipamentos de tecnologia, destaca o trabalho. O estudo também evidenciou, nessa questão, disparidades entre as diferentes regiões. Na Região Sul, 54% dos domicílios têm computador e 55% no Sudeste. Nordeste e Norte apresentam, porém, 40% e 35%, respectivamente.

E o preço do computador é um problema, na opinião do público ouvido pelo Ipea. Em 34% dos domicílios pesquisados (e que não possuem computador), os entrevistados disseram que pagariam entre R$ 300 e R$ 800 pelo equipamento. Outra fatia de 30% declarou que não está disposta a pagar pela posse do computador.

Telefonia fixa. A telefonia fixa se mostrou presente em 55% dos domicílios brasileiros. A parcela de 45% restante foi questionado qual o motivo para não contratar os serviços de telefonia fixa e, dentro dessa fatia, 60% afirmaram que o celular substitui o telefone fixo e 20% disseram que não há necessidade ou interesse pelo serviço.

Quando a pergunta foi sobre qualidade, a telefonia celular teve a pior avaliação entre os serviços de telecomunicações ofertados no Brasil. No acesso à internet via celular, os brasileiros não conhecem as principais regras dos serviços contratados, destaca o Ipea.

O SIPS é uma pesquisa domiciliar e presencial que tem por objetivo captar a percepção das famílias sobre as políticas públicas implementadas pelo Estado, independentemente de serem ou não usuárias dos programas e ações do governo. O Ipea destaca que a pesquisa passa a ser realizada em 3.809 domicílios, em 212 municípios, em todas as Unidades da Federação.

Convergência tecnológica. O processo de convergência tecnológica, com a convergência de serviços na área de telecomunicações, como TV por assinatura, banda larga e telefone fixo, ainda não é uma realidade no Brasil. Mas o avanço rumo à convergência já apresenta sinais, avalia o Ipea, ao citar que "há indícios de que o serviço alavancador da convergência no mercado brasileiro é a TV por assinatura".

A pesquisa aponta, porém, que em 10% dos domicílios brasileiros não há utilização de nenhum dos serviços de telecomunicações contemplados, seja Serviço de Telefone Fixo Comutado (STFC), Serviço de Acesso Condicionado (SeAC3), a TV por assinatura; Serviço de Comunicação Multimídia (SCM4), internet banda larga fixa; ou Serviço Móvel Pessoal (SMP), o celular. "Provavelmente, nesse grupo estão domicílios situados na zona rural e/ou de mais baixa renda", analisa o Ipea.

Nos casos em que há acesso aos serviços de telecomunicações, parcela de 70% dos consultados pelo estudo informa que faz a contratação separadamente de cada item. Apenas 20% dos domicílios contratam os serviços de telecomunicações por meio de pacotes.
http://economia.estadao.com.br/notic...e,179563,0.htm

OBS: Percentuais foram arredondados.