Em março, volume de carros à espera de comprador chegou a 387 mil unidades, número equivalente a 48 dias de vendas e 60% superior às vendas totais do mês; cenário já levou montadoras a adotar medidas como férias coletivas e PDV

O encalhe é 60% maior do que o total de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus vendidos em março, que somou 240,8 mil unidades.

As vendas estão caindo no mercado interno, por causa da alta dos juros e da volta do IPI, e no mercado externo, com os problemas de exportação para a Argentina.

Para reduzir os estoques, grande parte das montadoras adotou medidas de corte de produção, como férias coletivas, suspensão temporária de contratos de trabalho, redução de turnos e até abertura de Programa de Demissão Voluntária (PDV) - caso da Mercedes-Benz, na área de caminhões.

O mercado de caminhões é um dos mais afetados pela queda de vendas no Brasil e nas exportações para a Argentina. A Mercedes diz ter 2 mil funcionários excedentes na fábrica de São Bernardo do Campo, onde emprega 12 mil pessoas. O excesso de pessoal, diz a empresa, vem desde 2012 e se intensificou nos últimos meses.

Segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, as empresas terão "de buscar medidas para redução dos estoques". Além das paradas de produção, ele diz que há ações de vendas, como uma parceria com a Caixa Econômica Federal num feirão de carros com condições especiais de crédito.

Um possível pedido ao governo para adiar o último aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) previsto para julho "ainda não foi discutido", diz Moan, mas, segundo executivos do setor, não está descartado.

De janeiro a março, as vendas caíram 2,1% em relação ao mesmo período de 2013, e somaram 812,7 mil veículos. Foi o pior resultado para o primeiro trimestre desde 2010, quando foram vendidas 788 mil unidades.

A produção caiu 8,4% no período, para 789,8 mil unidades. Em março, a queda foi de 17,6% na comparação com o mesmo mês do ano passado. As exportações caíram 32,7% no trimestre, para 75 mil unidades, e 46,2% no mês, com 23,4 mil. Neste ano já foram fechados 1.464 postos de trabalho nas montadoras.

"Já esperávamos que os números não seriam tão bons em março, em parte por causa do feriado de carnaval, e também porque já tivemos o impacto completo do aumento do IPI em janeiro e da inclusão de airbag e ABS em toda a linha", afirma Moan, ao justificar aumentos de preços.
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