Controle social da midia e da mente.


Simon Denyer
The Washington Post

PEQUIM – A China começou nessa semana uma forte campanha para limpar a Internet, retirando dela tudo o que há de ruim na visão de seu governo, de pornografia a rumores de protesto contra o governo do Partido Comunista, em uma cruzada descrita por analistas como uma tentativa renovada de silenciar o dissenso no País.

A censura da Internet e da TV é rotina na China, mas o controle da liberdade de expressão online tem ficado cada vez mais forte desde que Xi Jinping tomou posse como presidente no ano passado. A nova campanha representa uma maneira de tentar deixar a Internet chinesa com a cara e os valores do Partido.

A campanha começará em meados de abril e terminará em novembro, de acordo com o portal de notícias oficial do governo chinês. Desde que Xi assumiu, jornalistas e usuários do Sina Weibo (um similar chinês ao Twitter) tem enfrentado muita censura. Com a nova campanha, editores das principais empresas de mídia do país se encontraram para discutir o problema.

Parte considerável da campanha diz respeito aos sites de pornografia: serão feitas pesquisas por conteúdo erótico adulto em sites, sites de busca, lojas de aplicativos e centrais de entretenimento.

“A correnteza negra da pornografia ainda corre pela Internet”, disse o People’s Daily, jornal do Partido Comunista, em um editorial. O texto ainda fazia referência a sites ilegais e estrangeiros, marketing pornográfico e obscenidades publicadas na rede sob o rótulo de educaçao sexual. “Remover a pornografia na Internet ajudará a saúde física e mental dos nossos jovens, e lhes ensinará melhor os valores socialistas”.

Exemplo

O investidor e blogueiro sino-americano Xue Manzi tem sido mostrado como um exemplo de porque o programa precisa existir: sua confissão recente de 14 minutos sobre seus hábitos de espalhar rumores sobre o governo na Internet e se encontrar com prostitutas foi exibida na íntegra pela TV chinesa horas após ele ser libertado sob fiança — Manzi foi preso em agosto de 2013, acusado de contratar os serviços de uma prostituta.

“Vivi nos EUA por 34 anos”, disse ele na confissão dessa semana. “Acredito que a cultura ocidental teve grande efeito sobre mim. Quando me envolvi em orgias, minha consciência não se deu conta do que estava fazendo”.

Manzi, cujos posts de tendência liberal tem mais de 12 milhões de seguidores no Sina Weibo (serviço similar ao Twitter), também expressou arrependimento por ter causado prejuízo a uma criação de peixes após ter postado que sua água era contaminada com mercúrio. “Na minha opinião, todos que postam no Weibo precisam ter cuidado com seus comentários e ações”, disse ele.
http://blogs.estadao.com.br/link/chi...osicao-da-web/