Surpresas desagradáveis depois da eleição
03/10/2014 02h00

Raquel Landim

Que surpresas ainda teremos em 2014 após as eleições presidenciais? A julgar pela quantidade de decisões importantes que estão sendo postergadas, não faltarão emoções nos últimos dias do ano.

O preço da gasolina deve subir para dar algum fôlego financeiro a Petrobras, que atravessa uma de suas piores crises financeiras. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já avisou que "todo ano a gasolina sobe".

Também há chance de aumento no preço da energia –no fim de 2014 ou no início de 2015. O setor elétrico está com um enorme rombo em suas contas que o Tesouro não consegue mais cobrir e que só será resolvido com aumento de tarifa.

A situação das contas públicas, que já era delicada, piorou com os gastos do governo a todo vapor no período pré-eleitoral. Já é matematicamente impossível cumprir a meta de economizar 1,9% do PIB para pagar os juros da dívida. Mas o anúncio de que a meta não será cumprida fica para depois da eleição.

E se São Pedro não ajudar e mandar chuva, pode ter racionamento de água em São Paulo. A Sabesp informou que a água do "volume morto" do Cantareira acaba em 27 de outubro –um dia depois do segundo turno das eleições. Vale ressaltar que, neste caso, a responsabilidade não é do PT, mas do PSDB, que tenta reeleger o governador Geraldo Alckmin.

Varrer os problemas para baixo do tapete antes das eleições, independente do custo disso para a sociedade, já é prática comum no nosso país, independente do partido no poder. A única solução é conscientizar o eleitor para que ele perceba as cascas de banana e puna nas urnas aqueles que gostam de guardar algumas surpresas desagradáveis para depois do pleito.
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