VALDO CRUZ
JULIA BORBA
RENATA AGOSTINI
16/07/2015 02h00

O governo Dilma Rousseff mudou sua projeção oficial para o desempenho da economia neste ano e já trabalha com uma retração de 1,5% do PIB (Produto Interno Bruto). Reservadamente, o temor é que a recessão seja mais profunda ainda e bata nos 2% de queda do PIB.

Nesta quarta (15), a Receita anunciou uma queda real de 2,87% na receita da União no primeiro semestre deste ano. O resultado é consequência direta da redução no nível de atividade.

Segundo assessores presidenciais, a desaceleração da economia está mais profunda do que o previsto inicialmente e pode piorar, nos próximos meses, por causa do agravamento da crise política com as últimas ações da Lava Jato, que agora se voltam para o mundo político.

A equipe econômica teme uma paralisia de votações importantes para o governo no Congresso, o que teria impacto negativo nas expectativas dos agentes econômicos, retardando ainda mais uma recuperação da economia.

Até pouco tempo, o governo descartava um tombo de 2% na economia neste ano, confiante de que a economia começaria a dar sinais de melhora no terceiro trimestre. Agora, a expectativa é que a economia, no mínimo, continue patinando até setembro.

A última previsão oficial do governo era que a retração da economia neste ano seria de 1,2% do PIB. Agora, a Receita Federal tornou oficial o novo dado: queda de 1,5%.

O fisco divulgou que no primeiro semestre a União arrecadou R$ 607,208 bilhões, um recuo real, já descontada a inflação do período, de 2,87%. Em junho, a arrecadação atingiu R$ 97,091 bilhões –queda real de 2,44% sobre igual período de 2014.

No início do ano, o governo chegou a prever aumento real nas receitas neste ano.

Chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias disse que "a realidade é bem mais negativa dos que os indicadores estão apontando", acrescentando que há "trajetória crescente de resultados negativos".

A fraca arrecadação torna impossível para o governo cumprir, sem novas medidas de geração de receita, a meta de superavit primário de 1,1% do PIB, equivalente a R$ 66,3 bilhões. Até maio, o governo federal havia cumprido apenas 12% da meta anual. Em breve, vai revisar esta meta.

Outra preocupação da equipe econômica é a possibilidade de o país perder o grau de investimento concedido pelas agências de classificação de risco. O governo já dá como certo que a agência de avaliação de risco Moody's, que ontem começou visita técnica ao Brasil, irá cortar a nota brasileira.

Hoje o país está dois degraus acima do patamar em que perderia o grau de investimento. O trabalho do governo é para que a agência não coloque em "negativa" a perspectiva para o Brasil, o que deixaria o país perto de ser mais uma vez rebaixado.

A equipe da Moody's foi recebida nesta quarta (15) por assessores do ministro Joaquim Levy (Fazenda) e, também, pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.
http://www1.folha.uol.com.br/mercado...a-do-pib.shtml