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    A costura entre banqueiros, PMDB e o Planalto que manteve Levy no cargo

    Em semana decisiva, ministro da Fazenda desistiu de renúncia depois de apelo de Lázaro Brandão, Luiz Carlos Trabuco e aliados de Michel Temer

    O último sábado, 29 de agosto, foi um dia decisivo para o ministro Joaquim Levy. Enquanto defendia publicamente a volta da CPMF, o imposto do cheque, diante de uma plateia cheia de empresários descontentes, em evento em Campos do Jordão, o governo decidia, em Brasília, sepultar a ideia do novo imposto. O Planalto esqueceu-se de avisar Levy sobre o recuo e o titular da Fazenda transmitiu a uma parcela generosa do PIB a imagem de que estava desinformado - ou fora das tomadas de decisão importantes. Cogitou seriamente abandonar o barco e fez com que a Presidência soubesse de seu descontentamento. No mesmo fim de semana, o presidente do conselho do Bradesco, Lázaro Brandão, encontrou-se com o vice Michel Temer, também pego de surpresa pela decisão atrapalhada de renascimento e morte do imposto. Preocupado com o ânimo de Levy, Brandão pediu que o peemedebista interviesse na situação. A ala próxima de Temer no PMDB havia abandonado a defesa do ajuste depois de sucessivas derrotas do ministro no Congresso e dentro do próprio governo, onde tem como antagonista o titular do Planejamento, Nelson Barbosa. Temer se comprometeu com Brandão a criar um cordão de proteção para Levy, em especial contra o fogo amigo - cuja origem, segundo interlocutores petistas, está no próprio Palácio do Planalto.

    Na segunda-feira, quando a presidente Dilma Rousseff convocou Levy e Barbosa para o anúncio do orçamento deficitário de 2016 e orientou para que reforçassem a ideia da transparência dos números, o ministro da Fazenda hesitou novamente. A tese do déficit era defendida por Barbosa, enquanto Levy alinhavava outro plano, que previa corte de gastos obrigatórios e programas sociais, com o objetivo de perseguir a meta fiscal de 0,7% do PIB no ano que vem. A presidente decidiu ouvir o ministro do Planejamento e engavetar o programa de Levy.

    Enquanto Barbosa seguiu à risca a orientação da chefe no discurso de apresentação do orçamento, Levy falou em acabar com "ambiguidades" e intensificar cortes. Falou ainda sobre a necessidade de se construir uma "ponte", que, segundo interlocutores da Fazenda, seria um novo imposto temporário para recalibrar a arrecadação, mas sem o carimbo polêmico da CPMF. Diante das divergências claras de discurso, o enfraquecimento do ministro da Fazenda se intensificava - e o mercado financeiro respondia com mais descrença em relação à retomada da economia, com o dólar em forte disparada. Até então, o aceno do PMDB prometido a Brandão ainda não havia chegado a Levy. Acontecia justamente o contrário. No dia do anúncio do orçamento, parlamentares ligados ao vice e a Renan Calheiros diziam apoiar a ideia de orçamento deficitário porque estavam céticos sobre a possibilidade de cortes profundos serem aprovados no Congresso.

    Na quarta-feira, Levy conversou com a presidente Dilma por telefone e reclamou do isolamento. Disse que do jeito que as coisas estavam, não poderiam ficar. Ouviu da chefe um "deixa disso". Encontrou-se também com Temer, que reforçou o compromisso de apoio prometido a Lázaro Brandão. A virada ocorreu neste mesmo dia, com a visita do presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, a Brasília. Padrinho de Levy no governo, Trabuco encontrou-se com a presidente Dilma e, com a cordialidade que lhe é característica, sinalizou que a saída do ministro minaria a pouca credibilidade que resta ao governo sobre a possibilidade de retomada da economia. Trabuco aconselhou a presidente a encampar os cortes propostos por Levy para acalmar o mercado. Em seguida, conversou com o ministro. Na quarta à noite, estava decidido que Levy não sairia.

    Na quinta-feira, dia em que partiria para a Turquia, no encontro de ministros da Fazenda do G20, Levy decidiu cancelar a viagem. Diante do impacto dos rumores de sua saída na cotação do dólar, que chegou a 3,81 reais, alertou assessores sobre a necessidade de acalmar o mercado. Sua ausência, naquele momento, poderia intensificar os temores de investidores, provocando a oscilação da moeda americana e da bolsa de valores. No Planalto, a presidente Dilma convocou uma nova reunião em que instruiu os ministros Nelson Barbosa, Aloysio Mercadante e Edinho Silva a reforçar a jornalistas que o governo apoiava o plano de cortes de gastos desenhado por Levy. Mercadante, um dos principais inimigos do ajuste, falou, em coletiva à impresa, até mesmo em reforma previdenciária -- tabu para muitas alas do PT. Os ventos realmente haviam mudado. O aceno da presidente devolveu a política fiscal ao titular da Fazenda e colocou Barbosa de volta ao segundo plano - ao menos temporariamente. Até que os ventos mudem outra vez.
    http://veja.abril.com.br/noticia/eco...-levy-no-cargo

  2. #2
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    Setor privado tenta manter Levy

    A mensagem que ficou da reunião de ontem com os ministros foi curiosa. Três ministros - Edinho Silva, da Comunicação Social, Mercadante e Barbosa garantiram a permanência de um quarto ministro, Levy, no governo. A única pessoa que poderia falar sobre o assunto era Dilma.

    Perseverante, Levy embarcou para a Turquia. De lá vai a Madri, para um seminário do jornal "El Pais", e para Paris, onde ocorrerá reunião da OCDE. Ele retorna ao Brasil no dia 9.

    Por Claudia Safatle - Valor Econômico

    BRASÍLIA - Um movimento articulado pelos dois maiores banqueiros do país, os presidentes do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, e do Itaú, Roberto Setubal, e outros interlocutores do setor empresarial mostrou à presidente Dilma Rousseff o tamanho do risco que a saída de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda representa hoje para o país.

    Trabuco esteve com Dilma na quarta-feira e explicou o que poderá acontecer com os mercados, os bancos, a economia em geral e com o país caso ela mude de fato a política fiscal e assuma uma opção "desenvolvimentista".

    Dilma teria se preocupado com o relato e convocou ontem os ministros Levy, Nelson Barbosa (Planejamento) e Aloisio Mercadante (Casa Civil) para uma reunião de emergência. Ela determinou a Mercadante que desse entrevista assegurando que a saída de Levy sequer foi discutida no governo. Barbosa também disse que "Levy fica, com certeza".

    No entanto, nenhuma palavra foi dita sobre o que realmente está em jogo: qual a meta de resultado fiscal para 2016. Levy esperava que a presidente se comprometesse com superávit primário de 0,7% do PIB. Dilma, porém, não assumiu qualquer compromisso. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voou ontem a Brasília para conversar com Dilma. Vem do PT a maior resistência à ortodoxia da Fazenda.

    Para participar da reunião com a presidente, o ministro da Fazenda havia cancelado viagem que faria à Turquia para a reunião do G-20, mas a restabeleceu após sair do encontro com Dilma. Levy não deixará o cargo. A amigos, disse que "não se pode deixar a economia à deriva".

    Pelo lado do setor real da economia, Pedro Passos, copresidente do conselho da Natura, também declarou apoio a Levy e ao restabelecimento da meta fiscal de 0,7% do PIB para 2016, sob risco de o país perder o grau de investimento - já considerado inevitável pelo mercado. Passos disse que essa é uma convocação para que todos os empresários se manifestem pelo corte de gastos públicos em defesa da estabilidade.

    Setor privado articula frente de apoio a Levy

    Depois de uma reunião de pouco mais de uma hora com os ministros Joaquim Levy, da Fazenda, Nelson Barbosa, do Planejamento e Aloizio Mercadante, da Casa Civil, a presidente Dilma Rousseff determinou a Mercadante que desse entrevista assegurando que nem se discutiu ontem a permanência de Levy no governo, assunto que tomou conta do país nos últimos dois dias. Isso não estaria em questão, foi o recado. Barbosa também comentou: "Levy fica, com certeza".

    Nenhuma palavra foi dita sobre o que realmente está em jogo: qual a meta de resultado fiscal para 2016. Levy esperava que a presidente se comprometesse com superávit primário de 0,7% do PIB. Não teve tal garantia. Apenas ouviu que o governo tomará medidas para melhorar o resultado fiscal.

    Levy não deixará o cargo. A amigos, disse: "Não se pode deixar a economia à deriva". Houve uma articulação do presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, com o presidente do Itaú, Roberto Setúbal, e outros interlocutores para mostrar à presidente o tamanho do risco que está desenhado se Levy deixar o governo.

    Trabuco esteve com Dilma na quarta-feira. A ela teria dito, segundo fontes, que Levy não teve as condições de trabalho necessárias e explicou o que pode acontecer com os mercados, com os bancos, com a economia e com o país caso ela mudasse, como mudou, a política fiscal, assumindo uma opção desenvolvimentista. Dilma teria se preocupado com o que ouviu e chamou os ministros para a reunião de ontem. Levy cancelou a viagem que faria à Turquia, para a reunião do G -20, para comparecer ao Palácio do Planalto, mas restabeleceu-a quando saiu do encontro com a presidente.

    Do lado dos setores da economia real, o empresário e copresidente do conselho da Natura, Pedro Passos, também conclamou os empresários, o Legislativo e a alguns setores mais refratários do Executivo a assumirem a proposta de superávit de 0,7% do PIB. "E isso precisa ser feito com urgência para que possamos visualizar 2016 com mais clareza", disse ao Valor.

    "O mundo empresarial está preparado para enfrentar cortes de gastos, cortes das desonerações feitas, dada a gravidade de o país perder o grau de investimento, o que trará mais recessão, mais desemprego e deixará o Brasil mais pobre", assegurou Passos, que também já presidiu o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

    Dilma, porém, não assumiu compromissos. Lula voou ontem para Brasília para também conversar com a presidente. Vem do PT a maior pressão para mudar a política econômica, sem que se explique com que margem de manobra isso seria possível.

    O fulcro da discórdia, que mina a credibilidade do governo e desgasta Levy, é o Orçamento deficitário para 2016. Desde o início de julho, o ministro da Fazenda chamava a atenção para a elaboração do projeto de lei do Orçamento para 2016. Achava que ele seria esclarecedor do que o governo pensa e quer. Responsável pelo Orçamento, Barbosa concluiu o projeto de lei com déficit de 0,5% do PIB para o governo central e estabeleceu um déficit de 0,34% do PIB nas contas consolidadas do setor público.

    Levy havia se comprometido, na revisão de metas para os próximos anos, com um superávit de 0,7% do PIB, esforço insuficiente para um governo que precisaria estar preocupado com a trajetória de redução da dívida pública como proporção do PIB. Por estratégia de Mercadante, a proposta chegou ao Congresso com déficit, para os parlamentares decidirem o que fazer. Não foi uma boa solução.
    Na quarta feira, o ministro da Fazenda disse a Dilma: "Presidente, preciso de meta para ancorar o mercado". Dilma distribuiu palavras de apoio a Levy, em entrevista coletiva na tarde daquele dia. Esqueceu-se, porém, de citar que a meta fiscal para 2016 é um superávit de 0,7% do PIB e não um déficit de 0,34% do PIB.

    Para cumprir o superávit Levy precisaria arrancar, entre cortes de gastos e aumento de impostos, pouco mais de R$ 60 bilhões. Simultaneamente ao corte de gastos, ele considera que será preciso aumentar impostos. Pode ser até alguma coisa parecida com a CPMF, desde que com uma alíquota bem mais baixa do que o 0,38% original.

    Com Levy de um lado e Barbosa e Mercadante, de outro - a eterna disputa entre a ortodoxia e o desenvolvimentismo - Dilma pendeu para os ministros petistas.

    Na quarta-feira, o ministro da Fazenda teve duas conversas com a presidente. Não teria pedido demissão de forma explícita, segundo fontes oficiais. Mas deixou claro seu incômodo com a situação de conflito dentro do governo, com o desgaste que vem sofrendo, e disse que sem o compromisso com a meta de superávit de 0,7% do PIB, os mercados vão se desancorar completamente e o jogo estará perdido.

    Os sinais de desancoragem já estão em curso. Em uma semana, a expectativa de inflação para 2017 subiu de 4,55% para 4,6%, mesmo antes da oficialização do Orçamento deficitário. No caso de os mercados ficarem desancorados, sem rumo, e os ativos despencarem, a saída de Levy do governo passaria a ser um mero detalhe.

    "Não vamos joaquinizar a questão", comentou uma outra fonte. De fato, o problema não se resume a nomes. Refere-se à escolha da política econômica que vai recuperar a economia da recessão em que se encontra desde o ano passado.

    Barbosa, da escola keynesiana, vê a impossibilidade de se fazer um ajuste fiscal de pouco mais de 1% do PIB - que é sair de 0,34% de déficit para 0,7% do PIB de superávit - com a economia em recessão. Avalia que cortes nos gastos públicos só aprofundarão a crise e almeja crescimento para solucionar o desequilíbrio fiscal.

    Levy, de formação mais liberal, quer compromisso com a meta de superávit, sem o que os juros não vão cair mesmo com o país afundando na contração da economia. É preciso restabelecer a confiança dos agentes econômicos na política do governo, caso contrário os investimentos - que estão há oito trimestres em queda - não vão se expandir, o consumo não vai melhorar e a estagnação da economia será duradoura. Nesse embate, Mercadante entra apoiando Barbosa. Ou, como disse um parlamentar da base aliada, de forma jocosa, "ele entra com o fósforo".
    continua

  3. #3
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    De segunda-feira para cá, o governo teve uma pequena amostra do que poderia ocorrer se a escolha de Dilma recair para a proposta de política fiscal do Planejamento. O DI janeiro 21 passou de 13,71% na sexta-feira para a máxima de 14,97% ontem, fechando em 14,63% quando o mercado acreditou que Levy sairia forte da reunião com Dilma. O dólar (Ptax), que era cotado a R$ 3,5790 na sexta feira, encerrou ontem a R$ 3,7760, depois de superar os R$ 3,80.

    Entre a cruz e a espada, PT e PMDB -maior partido da base aliada- querem a volta do crescimento de qualquer forma. Ontem, fontes do Planalto atribuíram mais ao PMDB do que ao PT de Lula a pressão para a saída do ministro da Fazenda. Incluíram, inclusive, a substituição também de Alexandre Tombini no comando do Banco Central. Parlamentares do PMDB, segundo essas fontes, estariam fazendo sérias críticas à elevação dos juros básicos para 14,25% - que levaria a uma quebradeira de empresas no país - e até mesmo às operações de "swap" cambial do BC.

    O que incomoda Tombini, no entanto, é outra coisa. Mercadante e Barbosa sugerem a inclusão do Banco Central na proposta de reforma administrativa que pretende reduzir de 39 para 29 o número de ministérios. Como Tombini é ministro, retirar esse status dele já seria a extinção de um ministério. Só que as implicações são muito mais complexas do que um mero título. A perda do posto de ministro levaria Tombini a ter que responder na Justiça de primeira instância a demandas diversas, tais como intervenção, ou liquidação, de bancos.

    Hoje, ele tem foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal. Uma segunda consequência de tal decisão, caso seja aprovada pela presidente, é o presidente do Banco Central voltar a ter uma relação de subordinação ao Ministério da Fazenda.

    O PMDB pode estar insatisfeito com o que considera que sejam os resultados da política econômica e, particularmente, fiscal de Levy. Acredita que ele está levando o país à recessão. O PT também comunga dessa versão. Porém, ontem, os principais políticos da cúpula do PMDB afastaram a responsabilidade que lhes foi atribuída pelo Palácio do Planalto. Disseram não ter pedido a demissão de ninguém.

    O vice-presidente, Michel Temer, em entrevista na noite de ontem, deixou claro que "a saída de Levy seria prejudicial ao país" e informou que disse ao ministro da Fazenda que ele "tem apoio pleno do PMDB".

    Dilma também teria se decepcionado com o fato de a economia não ter reagido neste segundo semestre, como esperavam Levy e Barbosa. Os dados mostram que o Brasil entrou em recessão desde o segundo trimestre do ano passado, conforme o Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace, do Ibre/FGV). Portanto, a recessão precede Levy e as medidas de ajuste tomadas este ano.

    Os investimentos estão em queda há oito trimestres consecutivos e a confiança dos empresários - premissa para colocarem a mão no bolso para expandir seus negócios - continua em níveis baixíssimos. Isso, porém, está além da capacidade de qualquer ministro, na medida em que, além da recessão vir do primeiro mandato da presidente, há tremenda instabilidade política na origem da fragilidade do governo e, ainda, todos os desdobramentos das investigações de práticas de corrupção na Petrobras.

    Trabuco falou em nome do setor financeiro, que está muito preocupado com os rumos que a crise econômica está tomando e com os seus efeitos sobre os bancos. Pedro Passos foi além: "Temos que caminhar para uma economia mais moderna, competitiva e aberta. Precisamos fazer a ponte para 2016 e ter uma proposta de mais longo prazo, que construa esperança".

    Se Dilma mudou, ou permanece com as mesmas ideias, não está claro. Ela nunca deu uma razão para ter mudado de pensamento do primeiro mandato para hoje e mantém os sinais ambíguos, oscilando entre uma palavra de apoio a Levy e a aprovação de propostas de Barbosa.

    A mensagem que ficou da reunião de ontem com os ministros foi curiosa. Três ministros - Edinho Silva, da Comunicação Social, Mercadante e Barbosa garantiram a permanência de um quarto ministro, Levy, no governo. A única pessoa que poderia falar sobre o assunto era Dilma.

    Perseverante, Levy embarcou para a Turquia. De lá vai a Madri, para um seminário do jornal "El Pais", e para Paris, onde ocorrerá reunião da OCDE. Ele retorna ao Brasil no dia 9.
    http://www.valor.com.br/brasil/42103...ta-manter-levy

  4. #4
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    Pres. Bradesco é o "homem mais poderoso do País na condução da política econômica"

    Para sair do sufoco Dilma tem tentado de tudo, menos ser sincera. A encenação com a qual a presidente pretendeu acabar com as especulações a respeito da permanência de Joaquim Levy foi apenas mais uma tentativa desastrada de disfarçar o conflito que existe no seio do governo.


    Editorial Estadão: Tapando o sol com a peneira
    05 Setembro 2015

    O vice-presidente Michel Temer tem razão. Será difícil o governo resistir três anos e meio com o insignificante apoio de 7% da população, índice com viés de baixa. Mas Dilma Rousseff insiste nos mesmos erros que estão na raiz de seu enorme desprestígio popular. Continua tentando obstinadamente tapar o sol com a peneira quando se trata da grave crise econômica do País. Só consegue com isso agravar seu déficit de credibilidade, que despencou a partir da constatação de que ela havia mentido na campanha eleitoral, quando acusou os adversários de estarem dispostos a adotar, para o combate à crise, as medidas impopulares que ela própria passou a defender, simbolizadas pela surpreendente nomeação de um ministro da Fazenda “liberal” disposto a fazer austeros cortes de despesas para botar em ordem as contas do governo. Para sair do sufoco Dilma tem tentado de tudo, menos ser sincera.

    A encenação com a qual a presidente pretendeu acabar com as especulações a respeito da permanência de Joaquim Levy foi apenas mais uma tentativa desastrada de disfarçar o conflito que existe no seio do governo – principalmente no Palácio do Planalto – envolvendo a natureza da crise econômica e o plano de ação para combatê-la. Esse conflito se tornou mais agudo nas últimas semanas por causa da proposta de Orçamento da União para 2016 que precisava ser apresentada ao Congresso até o fim de agosto.

    Contra a opinião de Levy, que queria apresentar um orçamento equilibrado que exigiria cortes profundos de despesas, Dilma optou, com o apoio dos ministros com os quais tem afinidades, por uma peça deficitária em mais de R$ 30 bilhões. A clara intenção por detrás dessa iniciativa inédita de confessar que o governo não tem como pagar suas contas era forçar o Congresso a dividir com o Executivo a tarefa – e a responsabilidade – de descascar o abacaxi. Não colou, é claro, porque as velhas raposas que comandam as duas Casas do Parlamento imediatamente acusaram o golpe e Dilma se viu constrangida a declarar que não iria fugir da sua obrigação de resolver o problema.

    A essa altura, depois de ter sido reiteradamente voto vencido, inclusive na infeliz ideia de ressuscitar a famigerada CPMF – quando não foi nem consultado –, a boataria corria solta e Levy já se via arrumando as malas. Assustada com a previsão de que eventual renúncia do ministro da Fazenda poderia deixar os petistas muito felizes, mas agravaria a repercussão da crise dentro e fora do País, Dilma ouviu a recomendação de cautela que lhe fez o presidente do Bradesco, que até então era o homem que maior influência exercia na formulação e na conduta da política econômica, pois não apenas recusara o cargo de ministro da Fazenda, mas para ele indicara o atual ministro. Depois de nova conversa com o presidente do Bradesco – que de pessoa mais influente passou naquele momento à condição de homem mais poderoso do País na condução da política econômica –, Dilma colocou na mesma sala Levy, Nelson Barbosa e Aloizio Mercadante. Ordenou que só saíssem de lá para anunciar que o titular da Fazenda é que estava com a razão e que o governo continua empenhadíssimo em cumprir a meta de superávit primário de 0,7% do PIB que ele propõe. Quer dizer: essa coisa de orçamento deficitário estava sendo muito mal interpretada por todo mundo.

    Para fechar com chave de ouro mais esse episódio do vai e volta do orçamento e da operação “salva Levy”, Dilma designou o ministro Aloizio Mercadante para falar à imprensa. Com a arrogância e a prepotência habituais, Mercadante atirou contra quem ousasse imaginar que Levy sairia do governo: “Evidente que fica!”. E explicou, sem corar: “Há total unidade da equipe em relação a que nós precisamos continuar o esforço de cortar gastos, especialmente as despesas obrigatórias”. E destilou vitríolo: “Num momento de instabilidade, há uma aliança entre os mal informados e os mal-intencionados, gente especulando e tentando ganhar dinheiro com a turbulência”.

    Enquanto isso, alheio às preocupações da presidente da República, o presidente do PT, Rui Falcão, dedica-se a convocar a militância do partido e de todas as entidades e organizações sócias “progressistas” – quer dizer, as que apoiam o PT – para debater, na próxima sexta-feira, a proposta de uma “nova política econômica”.

    Assim, não há o menor risco de o Brasil sair do buraco em que o lulopetismo o meteu.
    http://opiniao.estadao.com.br/notici...eneira,1756853

  5. #5
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    Levy: Brasil pode ter imposto de "travessia"


    Boneco de ventriloquo do Bradesco e boneca de ventriloquo do Lulla na "travessia" petralha preocupada exclusivamente com as eleições do ano que vem.

    O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou neste sábado que o governo estuda a criação de um possível imposto temporário para aumentar a arrecadação, após apresentar a peça orçamentária de 2016 com previsão de déficit de 30,5 bilhões de reais, de acordo com o jornal Valor Econômico.

    Em entrevista a jornalistas na capital turca, Ancara, após participar de reunião do G20, Levy disse que o plano para enfrentar o problema nas contas públicas está em fase de construção, e citou o possível novo imposto.

    "Pode ser imposto para atravessar essa travessia. E depois se retiraria. Estamos no meio de uma discussão sobre isso", afirmou o ministro, de acordo com o site do Valor.

    "O importante é onde vamos chegar e porque vamos chegar, e é para evitar a degradação (do grau de investimento), porque se não fizermos (o ajuste), aumentamos muitos os riscos e vamos destruir emprego por muitos anos", acrescentou.

    A ideia de encontrar novas formas de receita para equilibrar o Orçamento vem sendo defendida em público pela presidente Dilma Rousseff como forma de evitar o déficit no Orçamento do ano que vem, uma vez que o governo cortou "tudo que poderia ser cortado", nas palavras de Dilma.

    Na entrevista em Ancara, Levy disse ainda que as especulações sobre sua saída do cargo são um "folhetim".

    Perguntado sobre qual foi o tema de conversa com Dilma na quinta-feira, após especulações sobre sua situação dentro do governo, Levy disse que ambos trataram de "temática fiscal, ponto".
    http://economia.uol.com.br/noticias/...-diz-valor.htm
    Última edição por 5ms; 05-09-2015 às 16:31.

  6. #6
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    Movimentos ligados ao PT lançam frente nacional contra Levy e ajuste fiscal

    "Movimentos sociais" contra a politica econômica do PT, politica apoiada por Lulla e pelos maiores banqueiros destepaiz.

    O mundo roda e a Lusitana gira.

    JOSÉ MARQUES
    DE BELO HORIZONTE
    05/09/2015 13h19


    Movimentos sociais e centrais sindicais próximos ao PT lançaram neste sábado (5), em Belo Horizonte, uma frente nacional, na tentativa de apresentar uma pauta única de mobilização e pressionar o governo contra o ajuste fiscal.

    Organizado pela CUT, CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), MST, UNE e outras entidades, além de setores mais à esquerda do próprio PT, o evento discute a criação de um documento que sirva de base para reivindicações.

    Com pedidos de saída do ministro Joaquim Levy (Fazenda), as lideranças do movimento propõem medidas como pressionar o Congresso para discutir a taxação de grandes fortunas e heranças em vez de cortes nos direitos trabalhistas.

    "Nós não elegemos a presidente Dilma para fazer um ajuste fiscal em cima dos trabalhadores", criticou Rosane da Silva, secretária da CUT. "Estamos dispostos a ir para a rua."

    No palanque, o líder do MST João Pedro Stédile pediu para os movimentos "pararem de frescura" na disputa pelo protagonismo e entrarem em consenso.

    "Aqui, ninguém está disputando tamanho. Aqui, está todo mundo querendo fazer gol contra a burguesia", discursou.

    Ele sugeriu a convocação de greves nacionais e um calendário de protestos.

    O lançamento da frente, intitulada "Brasil Popular", foi feito em espaço aberto no fundo da Assembleia Legislativa de Minas. Os organizadores disseram que havia, no início da tarde deste sábado, 1.500 pessoas no local.

    Também foi proposto que a frente seja um contraponto aos movimentos que organizaram as manifestações contra a presidente Dilma Rousseff, em março, abril e agosto.

    No local, estiveram presentes deputados e lideranças do PT, como o ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro e o presidente da legenda, Rui Falcão.

    Segundo Falcão, que chegou ao local e saiu em menos de uma hora, as críticas ao governo já tinham sido feitas no congresso do partido, em junho, e as demandas devem ser dirigidas também à Câmara e ao Senado.
    http://www1.folha.uol.com.br/poder/2...e-fiscal.shtml
    Última edição por 5ms; 05-09-2015 às 17:05.

  7. #7
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    Dora Kramer: Se ficar o bicho pega

    06 Setembro 2015

    O mandato de Dilma Rousseff está por um fio. Foi o que ela ouviu cinco dias atrás de importante interlocutor político, que traçou à presidente um retrato sem retoques da situação: ou ela mostra capacidade de virar o jogo, ou será afastada do cargo antes do tempo regulamentar.

    Não por possíveis desdobramentos da Operação Lava Jato e, em decorrência, do aparecimento de provas de que estaria envolvida em esquema de corrupção. O impedimento seria por incompetência. Ou, para usar a expressão corrente entre esses analistas, por falência total da gestão administrativa.

    O cenário retratado à presidente traduz consenso que vem se formando nos altos escalões dos mundos político, jurídico e empresarial, onde nos últimos dias a ideia do impeachment, que havia sido afastada, voltou a ganhar força, velocidade e materialidade.

    Daí a desenvoltura do vice-presidente, Michel Temer, ao se referir à hipótese do inevitável afastamento caso Dilma não melhore a relação com a opinião pública. Diante do que a presidente ouviu de abalizado aliado: o que Temer disse foi muito pouco. A ela foi dito que seu tempo está terminando. Se não conseguir reverter a situação até o fim do mês, a perda do mandato é inexorável. Por “reverter a situação” entenda-se virar o governo de cabeça para baixo.

    Isso significaria afastar do Palácio do Planalto os maus conselheiros, reforçar com gestos efetivos a posição do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, deixar a articulação política nas mãos do vice, encontrar um interlocutor de peso junto aos movimentos sociais para assumir o lugar de Miguel Rossetto e escolher alguém para fazer funcionar a administração federal, hoje completamente paralisada. O aconselhamento pela nomeação de um “gerente” implica, na prática, a sugestão para a presidente afastar Aloizio Mercadante da Casa Civil.

    O resultado dessa conversa pôde ser parcialmente observado na última quinta-feira, quando Dilma Rousseff apelou oficial e publicamente a todos os ministros que apoiem Joaquim Levy. O mesmo interlocutor que disse à presidente que seu mandato subiu no telhado esteve no dia seguinte com o ministro da Fazenda e saiu do encontro convicto de que “basta um empurrãozinho” para que Levy peça demissão. Ou seja, o ministro não fica se houver mais um episódio de desprestígio às suas posições.

    A gravidade da situação relatada à presidente foi assim resumida: “Ou a senhora faz um pacto de mudança com o establishment ou o establishment político, jurídico e empresarial começará a negociar um pacto de governabilidade com Michel Temer”.
    http://politica.estadao.com.br/notic...o-pega,1757198

  8. #8
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    Editorial Estadão: Lula na oposição

    Lula vinha sendo ambíguo em relação ao programa de ajuste fiscal de Dilma, tendo afirmado várias vezes que o PT precisa apoiar, no Congresso, os projetos apresentados pela equipe do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Era até uma questão de coerência, considerando que foi ele próprio quem sugeriu a Dilma colocar um economista “liberal” no comando da equipe econômica.

    Só que, agora, o pragmático chefão do PT chegou à conclusão de que é praticamente impossível o governo recuperar a economia em tempo de viabilizar sua própria candidatura à Presidência em 2018. E tem manifestado aos mais próximos a convicção de que, como já não se pode salvar o governo, pelo menos que se salve o PT – ou seja, ele próprio.



    10 Setembro 2015

    A clara improbabilidade de a atual crise econômica ser satisfatoriamente superada a tempo de permitir ao PT disputar com um mínimo de competitividade a eleição presidencial de 2018 sugere que a opção politicamente mais conveniente para o lulopetismo seria passar para a oposição, livrar-se da responsabilidade de consertar o estrago que fez no País e retomar com vigor o discurso populista que tem sustentado seu projeto de poder. Isso só seria possível, é claro, se o mandato de Dilma viesse a ser abreviado a tempo de Lula assumir, na oposição, seu papel predileto – o de salvador da Pátria em luta de peito aberto contra “eles”, os inimigos do povo. Inimigos que seriam responsabilizados por Lula pelo “golpe” contra Dilma que ele próprio, na intimidade, estaria comemorando.

    Essa hipótese, mais de uma vez objeto de análise neste espaço, é claramente reforçada pelo pronunciamento feito por Lula na capital paraguaia, quando contestou declaração feita na véspera por Dilma Rousseff sobre a necessidade de aplicar o “remédio amargo” do corte de gastos – inclusive em programas sociais –, para o ajuste fiscal necessário para debelar a crise econômica. Segundo Lula, a falta de dinheiro é mera “desculpa”, porque “é muito difícil encontrar alguém dos setores da Fazenda e do Tesouro” disposto a contribuir “para ajudar os que vêm de baixo”. As orelhas de Levy arderam.

    Com essa manifestação marota que escamoteia o fato de que a atual crise econômica foi provocada, não apenas, mas principalmente, pela gastança descontrolada do governo petista, Lula procura descolar sua imagem da arrasadora impopularidade do poste que colocou na Presidência da República. O ex-presidente brindou a plateia paraguaia com uma exaltação a sua iniciativa de, em seu primeiro mandato, investir em programas sociais: “Era um momento em que a economia brasileira não estava bem (...) em que qualquer ministro da Fazenda (...) iria dizer que não poderia fazer o programa porque não tinha dinheiro. Eu, então, resolvi que era exatamente naquele instante que nós tínhamos que dar o exemplo da inclusão dos mais pobres no Orçamento da União”.

    Lula se considera, como se vê, o primeiro e único governante brasileiro a se preocupar com os pobres, aos quais prestou sua homenagem: “O pobre ajudou a salvar o Brasil (ao se beneficiar das políticas de incentivo ao consumo). Eu sempre digo que, antes de eu chegar à Presidência, os pobres eram tratados como se fossem problemas. E hoje eu digo que cuidar dos pobres é a solução”.

    Generosamente, Lula compartilhou com o presidente paraguaio, Horácio Cartes, a seu lado na solenidade, a fórmula do sucesso: “Nunca antes tinha acontecido um fenômeno que fizesse com que a economia começasse a girar com tamanha rapidez, e a gente percebeu isso: política pública, crédito e comida para as pessoas”. E acrescentou uma observação que deliberadamente desqualifica do ponto de vista social o governo de sua sucessora: “Eu, portanto, acho que nós estamos em um momento de voltar a acreditar nos pobres outra vez”.

    Lula vinha sendo ambíguo em relação ao programa de ajuste fiscal de Dilma, tendo afirmado várias vezes que o PT precisa apoiar, no Congresso, os projetos apresentados pela equipe do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Era até uma questão de coerência, considerando que foi ele próprio quem sugeriu a Dilma colocar um economista “liberal” no comando da equipe econômica. Só que, agora, o pragmático chefão do PT chegou à conclusão de que é praticamente impossível o governo recuperar a economia em tempo de viabilizar sua própria candidatura à Presidência em 2018. E tem manifestado aos mais próximos a convicção de que, como já não se pode salvar o governo, pelo menos que se salve o PT – ou seja, ele próprio.

    Isso explica a situação surreal em que se encontra a presidente da República, que não se decide se conserta ou não o estrago por ela mesma provocado nas contas do governo e na economia nacional e, qualquer que seja a situação, não pode contar sequer com o apoio do partido que a elegeu.

    Lula aguarda ansioso, dia após dia com menor discrição, o momento de passar oficialmente para a oposição mirando as eleições de 2018. Para isso é preciso tirar Dilma do caminho. Por razões diferentes, Lula quer o mesmo que a imensa maioria do povo.
    http://opiniao.estadao.com.br/notici...osicao,1759419

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