Resultados 1 a 7 de 7
  1. #1
    WHT-BR Top Member
    Data de Ingresso
    Dec 2010
    Posts
    15,002

    Levy: população deve encarar aumentos de impostos como 'investimentos'

    Nunca antes na história destepaíz um chicago-boy falou tanta besteira e realizou tão pouco.

    O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou nesta quinta-feira que os brasileiros devem encarar eventuais aumentos de impostos para reequilibrar as contas públicas como um investimento para que a economia volte a crescer. Segundo ele, o país não deve ser vítima de uma miopia nesse tema, pois a solidez fiscal é a base do crescimento:

    — Você faz um pequeno investimento, admite pagar um pouco mais de imposto para que a economia não tenha tropeço. Talvez você tenha que pagar um pouquinho mais de imposto. A sociedade paga 0,5% a mais, mas o PIB cresce 0,5%, então, vale a pena, é um investimento. A gente não deve ser vítima de miopia nos impostos — disse ele, acrescentando:

    — Temos que garantir que o Brasil seja um país seguro. A solidez fiscal é a base do nosso crescimento.

    Levy afirmou que tem ouvido de empresários que eles estão dispostos a aceitar um aumento da carga tributária para assegurar a solidez fiscal. Segundo ele, a sociedade não quer que o Brasil seja visto como um país fraco:

    — A gente vai continuar trabalhando, conversando, evitando essa miopia e tentando fazer as pessoas entenderem que, mesmo que você tenha que pagar um pouquinho, na frente, isso vai fazer o Brasil ficar mais forte. É para que o Brasil não seja olhado como um país fraco. Eu tenho ouvido de empresários que eles estão dispostos e que essa estratégia que a gente está desenhando responde à necessidade do Brasil — disse ele, acrescentando:

    — Você quer ir do ponto A para o ponto B. Você tem que mostrar como você vai chegar lá e esse como é uma combinação de cortes de gastos e, se precisar, pedir à sociedade, às empresas, às famílias que elas também façam um esforço adicional para ajudar o Brasil a chegar onde tem que chegar e ser visto como um país forte no mundo inteiro.

    O ministro também disse que não apresentou formalmente uma proposta de aumento do Imposto de Renda (IR). Segundo ele, ao participar de um evento na França no início da semana, alguém comentou com ele que o IR pago na Europa era muito alto. Ele disse ter concordado, e quando seu interlocutor disse que, no Brasil, esse tributo era baixo, ele rebateu que o aumento, então, era uma questão a ser considerada:

    — A gente não deve criar fatos que não existem. Alguém me disse outro dia: “na Europa, a gente paga mais IR do que no Brasil, principalmente nos salários mais altos”. Eu disse: “é verdade”. Ele disse: “Então, é para fazer aumento de IR?” E eu disse: “Se você acha que o IR é baixo, é uma questão a considerar”. Aí no dia seguinte saiu que eu estava propondo um aumento do IR. A gente tem que fazer um trabalho, a gente está examinando tudo.

    BOTAR A CASA EM ORDEM

    Ao comentar o rebaixamento do país e a perda do grau de investimento na agência de classificação de risco Standard & Poor´s, o ministro disse que a mudança terá impacto sobre as condições de crédito da economia brasileira.

    O ministro da Fazenda disse que o governo precisa “botar a casa em ordem” com ou sem agências de classificação da risco. Segundo ele, o equilíbrio das contas públicas e a realização da meta de superávit primário de 0,7% do PIB são necessários para “as pessoas poderem trabalhar, as empresas poderem contratar e as famílias poderem ter tranquilidade”.

    Publicidade

    — O governo está empenhado. A gente sabe que é importante chegar no 0,7%. Mas o governo não chega sozinho no 0,7%. Ele só vai chegar no 0,7% se a sociedade entender a importância de a gente ter as contas fiscais em ordem. O nosso trabalho, com agência de rating ou sem agência de rating, é botar a casa em ordem para que as pessoas poderem trabalhar, as empresas poderem contratar e as famílias poderem ter tranquilidade — disse ele, destacando ainda:

    — A presidente Dilma disse que vai tomar todas as medidas necessárias para isso. Aliás, ela já vem tomando e nem todas têm se refletido tão favoravelmente na popularidade dela.

    MINISTRO FICA NO CARGO

    Perguntado se ainda ficará no cargo, após os problemas político-econômicos que levaram à perda do grau de investimento do Brasil, Levy deixou claro que não é sua intenção deixar a pasta. Segundo ele, seu trabalho de recuperação fiscal ainda não terminou.

    — Eu diria que, sem dúvida nenhuma, a conscientização de agir com firmeza e clareza no âmbito fiscal está mais disseminada do que quando comecei meu trabalho com meu colega Nelson (Barbosa, ministro do Planejamento). Não acredito que meu trabalho de recuperação fiscal já esteja completo. Eu teria alívio, mas não é essa minha avaliação. O equilíbrio fiscal é a base para construirmos uma porção de coisas pra a gente voltar a crescer — afirmou Levy que, no entanto, reconheceu que o mercado quer mais do que palavras.

    — A gente sabe que o mercado não se tranquiliza com palavras, apenas com ações. Evidentemente, a gente deve soltar mais ações de cortes de gastos, de aumento da eficiência do setor público e também um fechamento da equação fiscal que garanta a realização da meta de 0,7% do PIB em 2016 — disse Levy.

    O ministro não apresentou nenhuma medida nova para assegurar o reequilíbrio das contas públicas. Segundo ele, o governo está estudando uma combinação de várias ações tanto do lado das receitas quanto das despesas. De acordo com o ministro, quando elas forem anunciadas, pode haver uma diminuição do afã de rebaixar o Brasil.

    SALÁRIOS DE SERVIDORES PÚBLICOS

    Durante a entrevista, o ministro foi perguntado se teria proposto um congelamento do reajuste dos servidores públicos para ajudar a corrigir o rombo na proposta orçamentária de 2016, que foi enviada ao Congresso com projeção de déficit de R$ 30,5 bilhões. Ele fugiu da pergunta e disse que esse assunto cabe ao Ministério do Planejamento, mas classificou a palavra “congelamento” como forte.

    Levy ressaltou que o governo adotou uma estratégia interessante na negociação com o funcionalismo este ano ao propor que os reajustes futuros sejam feitos com base na inflação projetada. Isso, segundo ele, é um passo interessante para uma agenda na qual o governo quer trabalhar: a desindexação da economia.

    — Há um elemento interessante na proposta que foi feita ao funcionalismo, que o reajuste pela inflação futura. Acho que vai ser uma outra pauta para a gente, desindexar a economia — disse ele.

    PIS/COFINS

    O ministro da Fazenda anunciou que o Executivo enviará ao Congresso, "muito brevemente", a proposta de reforma do sistema de recolhimento do PIS/Cofins. Ele disse que o objetivo do governo será alcançar a neutralidade e promover segurança jurídica ao país.

    — Esses tributos atingem a todas as empresas. A reforma tem o objetivo de simplificar a vida das empresas. Vai também trazer segurança jurídica. O sistema hoje é complicado. A maior parte das ações julgadas tem a ver com PIS/Cofins.

    De acordo com o ministro, todas as empresas ganharão crédito com o novo PIS/Cofins. O sistema será mais transparente e transversal, afirmou.

    — Nossa economia tem de sofrer certa reengenharia. Tem de se adaptar para o novo ambiente mundial. Com a realocação de mão de obra e capital, é preciso neutralidade tributária entre os setores e aumenta o crescimento potencial do país.
    http://oglobo.globo.com/brasil/levy-...mento-17453612

  2. #2
    WHT-BR Top Member
    Data de Ingresso
    Dec 2010
    Posts
    15,002

    Sem plano para reverter déficit, Levy defende mais impostos, sem detalhar quais

    Não vamos fixar quanto cobrar de impostos, e alcançado o valor, a gente dobra.

    O ministro da Fazenda Joaquim Levy fez uma apologia clara à elevação de impostos como forma de tentar reverter o déficit orçamentário de 30,5 bilhões de reais previsto para o ano que vem. A apresentação do texto orçamentário com previsão de déficit e a falta de clareza sobre qual caminho percorrer para restabelecer o equilíbrio fiscal fizeram com que agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixasse a nota de crédito do Brasil na noite de quarta-feira, o que tirou do país o selo de bom pagador.

    Levy avaliou que o Brasil não pode ser vítima de "miopia", e deve enxergar o aumento de impostos como "esforço adicional" com o objetivo de garantir que o país seja um porto seguro para investidores. O ministro negou-se, contudo, a detalhar quais impostos serão elevados. "Se a gente tiver de pagar um pouquinho de imposto para o Brasil ser reconhecido como um país forte, por que não fazermos? Eu tenho conversado com empresários e eles entendem o esforço", afirmou o ministro, que falou a jornalistas no Ministério da Fazenda depois de participar de reuniões com a presidente Dilma, no Palácio do Planalto, e posteriormente com senadores, em seu gabinete.

    O ministro também deu mostras de que se exime da culpa pelo rebaixamento, sobretudo depois que a Standard & Poor's afirmou, em coletiva nesta quinta-feira, que confia na seriedade de seu trabalho e atribuiu parte da culpa pelo rebaixamento à desarticulação política. Levy evitou culpar o Congresso diretamente, mas sinalizou que o esforço para recuperar o equilíbrio fiscal é "de todos". Levy disse ainda que tem certeza de que a presidente Dilma vai "liderar" a votação do orçamento no Congresso, que já deverá conter novas previsões de cortes. Na noite de quarta-feira, em entrevista ao Jornal da Globo, Levy também fez aceno à responsabilidade do Congresso, o que deu origem a declarações nada satisfeitas do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que afirmou que o Congresso executou seu papel ao votar as medidas do ajuste fiscal.

    Em sua fala, Levy passou recado claro aos parlamentares ao citar o exemplo dos Estados Unidos, que teve sua nota rebaixada pela S&P em 2011, quando o Congresso americano negou-se a acatar o plano de elevação do teto da dívida pública do país. "O Executivo e o Legislativo não chegavam a um acordo e, em vista da falta de clareza, também houve naquela ocasião uma avaliação política de que poderia haver dificuldades objetivas de se alcançar o objetivo fiscal necessário", disse Levy.

    Ceticismo - As mensagens direcionadas ao Congresso colocam o ministro em situação delicada, já que um dos fiadores de sua permanência no cargo, o vice-presidente Michel Temer, também defende, em sintonia com o PMDB, que não haja elevação de tributos. Um cacique peemedebista ouvido pelo site de VEJA via com ceticismo a determinação do ministro em defender o aumento da carga tributária. "Levy é muito competente e entende como ninguém sobre economia. Mas falta a ele uns 40 anos de vida parlamentar", afirmou, em tom irônico.

    Levy também voltou a falar em uma "ponte" que deve ser criada para resgatar a credibilidade fiscal, mas deixou contrariados os jornalistas presentes ao evitar comentar o que deve ser feito tanto do lado dos tributos quanto da necessidade de cortes a serem apresentados na peça orçamentária. O ministro disse que o orçamento atual já contém cortes em despesas discricionárias (não obrigatórias por lei) da ordem de 80 bilhões de reais e aproveitou para "cutucar" uma vez mais o Congresso ao afirmar que as despesas que estão sendo cortadas haviam sido aprovadas pelos parlamentares, sinalizando que o Executivo terá de consertar "erros" do Congresso.

    Num momento de otimismo típico de seu antecessor Guido Mantega, Levy disse que o rebaixamento por outras agências pode ser evitado - o Brasil ainda tem grau de investimento na avaliação da Moody's e da Fitch. "Uma das agências pode ter se precipitado. Quando a gente mostrar que aquele processo que já estava em andamento [as medidas de ajuste] vai ter conclusão em algumas semanas, acho que talvez o afã de revisar a nota do Brasil arrefeça entre as outras agências - e também a própria avaliação do mercado, que irá se tranquilizar", declarou.
    http://veja.abril.com.br/noticia/eco...om-o-congresso

  3. #3
    WHT-BR Top Member
    Data de Ingresso
    Dec 2010
    Posts
    15,002

    Sem anunciar propostas, Levy promete apresentar medidas até o fim do mês

    (Atualizada às 18h30) Sem apresentar propostas concretas, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou que até o fim deste mês o governo apresentará medidas para garantir o cumprimento da meta de superávit primário de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano.

    A ideia é uma combinação entre corte de gastos e aumento de receitas. Levy não antecipou quais ações poderiam ser adotadas e nem qual será a contribuição da redução dos gastos e do aumento de receitas. Mas reafirmou, mais de uma vez, que o governo tem uma estratégia bastante robusta que permite criar uma "ponte fiscal" até que se chegue ao momento mais favorável da economia, quando começará a aparecer o resultado das reformas estruturais que estão sendo postas em marcha.

    Segundo Levy, a estratégia prevê visitar de forma sistemática os gastos previstos do Orçamento de 2016, buscando melhora de eficiência e corte de despesas obrigatórias, como o seguro defeso, pago aos pescadores. E como o espaço para corte de despesas discricionárias não é tão grande “também deve se olhar algumas outras possibilidades”.

    “Há momentos importantes da democracia nesse esforço de querer equilibrar a economia. Nós já tínhamos um processo em andamento e esse episódio de ontem (como se referiu em todo momento ao rebaixamento da nota soberana pela S&P) cria estímulo adicional para concluí-lo. Acho que o processo está bem andado”, destacou Levy. “Em algumas semanas, até o fim do mês, a gente deve ter ele bem estruturado e capaz de começar a ser votado, mas eu não diria que eu tenho valores que eu já possa compartilhar neste momento. Mas é claro que há intenção de fazer equilíbrio entre cortes e despesas”, acrescentou.

    Durante várias vezes, Levy foi questionado sobre quais tributos poderiam ser elevados. Mas Levy reforçou não há decisão tomada. “A gente não tomou nenhuma decisão agora. Não adianta precipitar as coisas e criar fatos onde não existem”, afirmou Levy. Segundo o ministro, a equação para conseguir obter a meta de superávit primário das contas públicas equivalente a 0,7% do PIB ainda está sendo construída e debatida com o Congresso.

    Ele reforçou ser preciso encarar a questão das despesas obrigatórias, que exigiriam mudanças na legislação. Ele citou como exemplo o seguro-defeso, cuja despesa vem crescendo de forma insustentável e que poderá ser alvo de mudanças.

    Durante a coletiva, Levy destacou a importância da aprovação do projeto de lei encaminhado hoje pelo governo à Câmara dos Deputados que trata da regularização de recursos que estão no exterior, o que será fundamental para garantir capital para a compensação dos Estados após a aprovação pelo Senado da unificação das alíquotas do ICMS.

    Levy destacou que a regularização de recursos no exterior está sendo feito de forma cuidadosa para impedir a entrada de dinheiro ilícito. Assim como em outros momentos, ele destacou a importância da Reforma do ICMS para reduzir a insegurança jurídica e estimular os investimentos necessários para a retomada da economia. Levy repetiu ainda que deverá encaminhar também “muito brevemente” a proposta de reforma do PIS/Cofins, que vai, diz ele, simplificar a vida das empresas e reduzir insegurança jurídica no país.

    Ainda de acordo com Levy, que deu entrevista na sede da Fazenda, o Orçamento de 2016 mostra que já há esforço de corte de despesas. “O governo tem muita economia e tem mostrado disciplina fiscal”, disse. Segundo ele, o governo “já está cortando na carne este ano, economizando R$ 80 bilhões em relação ao autorizado pelo Congresso”. Em 2016, disse, o gasto será “parcimonioso”.

    Respondendo a perguntas dos jornalistas, Levy admitiu que se a questão do Orçamento não for resolvida o impacto pode ser muito ruim. “O evento de ontem (rebaixamento) terá impacto sobre as condições de crédito, isso piora as condições para as empresas se financiarem”, disse.

    “O nosso trabalho, com agência de rating ou sem, é botar a casar em ordem para as pessoas trabalharem e as empresas contratarem. Por isso a presidente Dilma disse que vai tomar todas as medidas necessárias para isso. E até tem tomado desde o começo do ano. Nem todas tem se refletido tão favoravelmente na popularidade dela. Mas tem dado resultado”, disse ele, citando o novo comportamento do governo em relação ao controle de preços de certos produtos.

    Ele também citou o câmbio como um reflexo de medidas do governo e como um fator positivo para a economia. “Também no câmbio, a gente estava vendo nossa conta corrente [do comércio exterior], o déficit com o resto do mundo piorando. Deixamos o câmbio flutuar, refletir a nova realidade, e vimos esse déficit diminuir. Pela primeira vez desde 2005, há um contribuição positiva do setor externo. Porque o governo tomou as medidas necessárias no começo do ano”, disse.

    Levy também afirmou que ainda não se dedicou a estudar o tema do congelamento dos salários do funcionalismo público, apesar de estar ciente de que a discussão existe no ambiente político. “A gente não tomou nenhuma decisão agora. No Congresso, tem 300 ideias. O congelamento ainda não me dediquei a estudar.” Para ele, uma questão “interessante” em relação ao funcionalismo público é mudar o indexador dos reajustes de salários para considerar a inflação futura. "É muito importante porque vai ser outra pauta para a gente acelerar a desindexação da economia.”
    http://www.valor.com.br/brasil/42181...possibilidades

  4. #4
    WHT-BR Top Member
    Data de Ingresso
    Dec 2010
    Posts
    15,002
    Sanatório Geral

    "Você faz, você colhe resultados. Você fica na dúvida, perguntando ‘será que vai ser muito difícil?’, você às vezes colhe resultados que são até dissabores... A gente tem que fazer. A gente sabe o que precisa fazer, o governo tem sido supertransparente e agora a gente precisa fazer".

    Joaquim Levy, ministro da Fazenda, na quarta-feira, em entrevista ao Jornal da Globo, explicando num palavrório supertransparente que precisa fazer o que já devia ter feito mas não fez nem faz.

  5. #5
    WHT-BR Top Member
    Data de Ingresso
    Jul 2011
    Posts
    1,036
    O Levy teria sido um bom ministro da fazenda no primeiro mandato... agora que a vaca já tussiu e foi pro brejo, o Brasil precisa de um "Sugar Daddy" para pagar as contas pelos próximos anos e em troca deixamos nos f* por algumas décadas. Só dois países tem perfil para isso, EUA e China, a questão é se eles estão afim de mais uma amante e ver quanto eles querem nos f* em troca.

  6. #6
    WHT-BR Top Member
    Data de Ingresso
    Dec 2010
    Posts
    15,002

    'É obrigatório enfrentar a incerteza', afirma Levy

    Em artigo para o 'Estado', ministro diz que é preciso reformas que assegurem sustentabilidade fiscal


    Superando a crise
    Joaquim Levy
    14 Setembro 2015

    Tem havido convergência sobre o diagnóstico dos desafios do Brasil e estratégias para o País encontrar a retomada do crescimento. Os princípios da estratégia do governo têm sido bem estabelecidos e levados avante, em muitos casos com participação significativa e indispensável do Congresso Nacional, visando a aumentar produtividade, previsibilidade, equilíbrio e capacidade de inclusão da nossa economia.

    Não obstante, tem havido um sentimento de que o excessivo nível de incerteza verificado nos últimos meses tem impactado a disposição das empresas investirem, honrarem seus compromissos tributários e manterem o emprego, criando um ciclo de más notícias. É mister lidar com esse sentimento.

    A avaliação do governo de que o País necessita de reformas informa também a recente Agenda Brasil proposta pelo presidente do Senado, com grande convergência com as prioridades do Executivo. Além disso, o governo tem sinalizado o papel imprescindível do equilíbrio fiscal e da parcimônia no gasto, que garantam uma trajetória sustentável para a dívida pública. Recentemente, vários economistas de grande experiência apontaram a importância dessa convicção e sugeriram que se organizem as reformas econômicas em torno dos princípios de transparência e governança, competição, simplificação e isonomia, sustentabilidade fiscal e flexibilidade. Afortunadamente, essas linhas têm pautado o esforço do governo.

    O governo tem destacado que o reequilíbrio fiscal deve ir além de ajuste de curto prazo – o qual vem ocorrendo com vigor por meio do contingenciamento das despesas autorizadas pelo Orçamento e de inúmeras outras ações. Desde o começo, as ações fiscais tiveram um viés estrutural. No seguro-desemprego, a reforma, além de economizar recursos diminuirá a rotatividade, especialmente entre os jovens trabalhadores. A sustentabilidade da Previdência Social também adquiriu crescente relevo, com a sociedade entendendo a necessidade de uma reforma estrutural que permita a solvência do sistema. É um assunto para hoje, mesmo que as regras sejam para o futuro, porque a segurança que elas criarem favorecerá a economia agora. No âmbito do Orçamento para 2016, o governo vem se organizando para enfrentar esses temas e melhorar a qualidade e o foco do gasto público – para prover serviços adequados dentro de limites orçamentários aceitáveis.

    As reformas vão melhorar a vida das empresas, simplificando o pagamento de impostos e dando neutralidade, isonomia e transparência ao PIS/Cofins. Com isso, o Brasil poderá se adaptar ao novo cenário da economia global com custos menores, otimizando a realocação do capital e emprego para setores que se mostrem mais produtivos e não apenas protegidos por uma tributação mais favorável. Destravar a reforma do ICMS – encontrando-se recursos para financiar essa transição – vai na mesma direção, assim como as ações para diminuir subsídios e proteções setoriais. Nessa opção por mais concorrência e transversalidade se inclui a discussão de novos acordos de livre-comércio e a convergência para padrões, por exemplo, da OCDE. Em relação a essa organização, aliás, o trabalho de aproximação continua, com uma agenda a ser oficializada com a visita de seus representantes agora em setembro.

    Na agenda da produtividade, também se reforçaram as concessões, tanto em energia, onde se pretende abrir opções para as usinas existentes venderem no mercado livre, quanto na logística, onde as oportunidades estão se multiplicando. O interesse do setor privado nos aeroportos a serem licitados, as mudanças nos editais das concessões de rodovias para diversificar os postulantes e a explosão de autorizações para terminais portuários de uso privado são testemunha do vigor dessas iniciativas, não obstante fatores que têm atingido o setor de infraestrutura. Além disso, devem ser consideradas as oportunidades que poderão surgir com o programa de desinvestimento da Petrobrás, e as ações legislativas para melhorar contratação, construção e operação de ativos de infraestrutura, inclusive quanto à qualidade dos projetos.

    Acreditamos que o setor industrial encontrará novo fôlego com o reequilíbrio da economia, podendo reverter o encolhimento observado na última década. Por outro lado, o governo tem sido ativo na avaliação de políticas de proteção setorial, ajustando as taxas e o escopo dos créditos do BNDES e, conforme decisão da Camex, revisitando os temas das ações antidumping e ajustes ex-tarifários. Também temos insistido que as regras de programas de incentivos sejam observadas, e não alteradas ao sabor das conveniências ou dificuldades do beneficiário. Essas ações implicam em mudanças. No âmbito do Orçamento de 2016 eliminou-se, por exemplo, a proteção a microcomputadores, que se justificava havia uma década, mas se tornou obsoleta com a consolidação dessa indústria.

    Houve como dar alguns passos na estruturação de sistemas de avaliação dos gastos, tanto nas políticas setoriais, inclusive em relação a incentivos à inovação, quanto sociais. Nesse esforço, o auxílio de instituições externas que nos proporcionem desde já tecnologia e isenção até que essa cultura se consolide no setor público poderá ser de valor. Em paralelo, o governo tem participado com o Senado na confecção de uma nova lei de governança das estatais.

    A direção está clara para se aumentar a produtividade e as oportunidades da economia, incluindo na tributação de instrumentos de poupança e inovações no mercado de trabalho. Sabemos para onde queremos ir. Mas, para se ir do ponto A ao ponto B, há que se ter um caminho. Esse caminho só se realizará com a segurança fiscal indispensável ao equilíbrio macroeconômico e sem ônus excessivo sobre a política monetária.

    O Orçamento 2016 é uma grande oportunidade para se articular essa discussão, inclusive sobre a rigidez do gasto público. Com escolhas de curto e médio prazos para se encontrar o equilíbrio entre a robustez fiscal e o tamanho do Estado. Escolhas, às vezes, difíceis porque a restrição orçamentária impõe prioridades. Mas que o País saberá fazer com maturidade e de forma equânime.
    http://economia.estadao.com.br/notic...-crise,1761572

  7. #7
    WHT-BR Top Member
    Data de Ingresso
    Dec 2010
    Posts
    15,002
    blá blá blá

Permissões de Postagem

  • Você não pode iniciar novos tópicos
  • Você não pode enviar respostas
  • Você não pode enviar anexos
  • Você não pode editar suas mensagens
  •