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    BC tem muito pouco a fazer para conter o dólar, diz Loyola

    Diante do nível de incertezas econômicas e, sobretudo, políticas, não se pode esperar que o movimento de alta do dólar seja interrompido nos próximos dias. Ontem, a moeda americana terminou o dia valendo R$ 4,053, máxima histórica. Na opinião do ex¬-presidente do Banco Central (BC) e atual sócio da Tendências Consultoria, Gustavo Loyola, embora já haja indícios de que a forte e rápida desvalorização cambial mostre algum "overshooting" (uma reação exagerada), não existe no horizonte elementos que possam provocar uma reversão do movimento. Isso porque o câmbio está refletindo a insegurança dos investidores com a continuidade do governo da presidente Dilma Rousseff, com a questão fiscal e os riscos de novo rebaixamento do rating soberano. E não parece haver uma solução para nenhuma dessas questões no curto prazo. Loyola evita fazer previsões para o câmbio. Ele diz que, em momentos de "quase pânico", como o atual, os preços podem sofrer exageros. E, ainda que voltem, "o que parece claro é que aquele tempo de câmbio apreciado não se coloca mais." Diante desse quadro, o Banco Central tem muito pouco a fazer. O mais recomendado é que ele atue de forma prudencial, para evitar que esses movimentos levem a um risco financeiro maior.
    Leia os principais pontos da entrevista.

    Valor: O que provoca a disparada do dólar? Há especulação, busca por proteção, saída de recursos?

    Gustavo Loyola: É um reflexo da exacerbação das incertezas. O mercado não consegue extrair hoje um cenário de futuro. O mercado está muito inseguro com o que vai acontecer, nem tanto na economia, mas principalmente na política. A questão da continuidade do governo da presidente, a questão fiscal, como o governo vai lidar com essas ameaças de rebaixamento de rating... Enfim, há uma conjugação de muitos vetores negativos que deixa o mercado bastante nervoso. A tendência é todo mundo sair do risco, o chamado "risk¬off", processo que se autoacelera porque as pessoas veem o comportamento dos ativos e veem que o risco está aumentando. E isso leva ao "overshooting", a um movimento exagerado dos preços que, em algum momento, reflui um pouco.

    Valor: Esse movimento já é um "overshooting"?

    Loyola: Eu acho que sim. É um movimento muito forte de um pregão para o outro. Se você olhar de forma mais fria, será que as coisas pioraram tanto de um dia para o outro? Então, eu acho que pode ter um overshooting. Mas o que a gente não pode dizer é que parou por aí. Ninguém pode afirmar que o câmbio não irá continuar se depreciando nos próximos dias. A verdade é que os ativos brasileiros têm ficado muito baratos e, em algum momento, mesmo que se confirme a perda do grau de investimento e desde que não haja muito agravamento da questão política, você possa ter uma melhora ou uma calma maior do mercado cambial. Mas isso, evidentemente, está cheio de "ses". O que está movendo o mercado é a dificuldade de ancorar uma expectativa. Quando parte do mercado começar a achar que tem uma saída, então vai aparecer vendedor de dólar, comprador de juros. Os preços começam a voltar para um lugar mais normal. Mas é difícil dizer se esse processo está encerrado.

    Valor: Depois de atingir os R$ 4,00, é possível imaginar um novo alvo para o câmbio?

    Loyola: Difícil falar em R$ 4,00, R$ 4,50... é a ilusão dos números inteiros. Qualquer número, em um processo de quase pânico, pode ser atingido. Mas o que parece claro é que aquele tempo de câmbio apreciado não se coloca mais. Evidente que o dólar pode voltar um pouco, mas não para aqueles patamares tão baixos como antes. Acho que estamos no olho do furacão, com o mercado reagindo fortemente às incertezas desta semana. É aquela situação em que as coisas não ficam como estão: ou elas melhoram ou elas pioram.

    Valor: E o que o Banco Central pode fazer?

    Loyola: Muito pouco. O BC tem que ter uma atuação mais coerente, dando liquidez, fazendo seu trabalho de sempre. E, se o câmbio ameaçar a inflação, o BC pode agir com juros. Mas é preciso ter cautela porque, com a economia muito deprimida, não é algo tão óbvio assim. Ele tem que trabalhar para que esses movimentos não levem a um risco financeiro maior, como falta de liquidez, uma volatilidade muito excessiva, essas coisas prudenciais. Mas o BC tentar tapar esse dique com o dedo, não dá, não tem como.

    Valor: Neste momento, com tantas incertezas, o senhor vê mais risco de o estrangeiro sair do país ou ele está esperando a oportunidade para voltar a comprar?

    Loyola: Acho que, a não ser que haja um risco político muito grande, não vejo hipótese de saída forte no momento. Mas é algo com que a gente tem sempre que ter cuidado. O câmbio flutuante tem essa vantagem. É um mecanismo de ajuste muito poderoso, embora não seja indolor. A gente vê o setor externo se ajustando. E quem tem investimento em reais vê seu patrimônio em dólares diminuindo. Isso diminui o potencial de remessas de recursos.

    Valor: Qual é o cenário mais extremo com o qual o mercado está trabalhando?

    Loyola: É difícil tentar interpretar o coletivo. Mas eu acho que, no limite, o risco é entrar em uma crise de governabilidade aguda. Uma situação em que o governo seja levado a um descontrole, em que ele deixe de ser funcional, no sentido de ter políticas efetivas, ou fique na mão do Congresso ou resolva apelar para o populismo.

    http://www.valor.com.br/financas/423...lar-diz-loyola

  2. #2
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    Com redução das incertezas, haverá estabilidade do dólar, diz Levy

    23/09/2015 às 13h36
    Por Edna Simão e Fábio Pupo | Valor

    Haverá maior estabilidade do dólar quando diminuírem as incertezas no país, sustentou o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ao ser questionado sobre o fato de a cotação da moeda americana ultrapassar a marca de R$ 4. “Eu acredito que nós vamos ver maior estabilidade no dólar. Difícil fixar a taxa, o patamar. Tenho certeza que essa volatilidade maior também vai se esvair na medida em que algumas questões [como manutenção dos vetos da presidente Dilma Rousseff e orçamento] forem devidamente equacionadas”, destacou Levy, após participar de abertura do Fórum OAB sobre insegurança jurídica e infraestrutura.

    Segundo o ministro, é preciso lembrar que há um movimento global de câmbio e que é preciso estar “atento” a isso. “Acho que o processo de recuperação da economia brasileira está em curso, diversas medidas que foram tomadas no início do ano estão produzindo seus efeitos, mas agora o que a gente vê é um certo represamento desses efeitos na economia por outras razões não econômicas, razões ainda de insegurança”, ressaltou.

    Para Levy, a volatilidade não está relacionada à expectativa de rebaixamento da nota e crédito do país. A agência de classificação de risco Fitch está em Brasília para fazer uma avaliação da nota brasileira. Ontem, representantes da Fitch tiveram reuniões no Ministério da Fazenda, considerada positivas por Levy. Hoje pela manhã houve reunião no Banco Central (BC). Mais tarde, está previsto um encontro com o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa.

    Levy reforçou a importância da solidez fiscal. “Evidentemente, enquanto a gente não tiver solidez fiscal, tudo fica mais difícil. Tenho convicção que nós vamos conseguir isso”, comentou. “Enquanto tiver incerteza, disposição de enfrentar a realidade fiscal, tudo mais fica um pouco paralisado e a gente não vê os resultados positivos, as coisas boas que já estão acontecendo na economia brasileira”, reforçou.
    http://valor-ri.com.br/brasil/423816...dolar-diz-levy

  3. #3
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    "Quem ganhar, ou quem perder, nem quem ganhar nem quem perder, vai ganhar ou perder, vai todo mundo perder"

  4. #4
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    CNBC: Joaquim Levy on Wednesday canceled a trip to New York after the currency plunge

    Boris Schlossberg, managing director of FX strategy at BK Asset Management, said it's impossible to say how far Brazil's currency will fall.

    The Brazilian real hit an all-time low against the U.S. dollar on Wednesday, the latest in a plague of bad news for the emerging market. And according to one currency strategist, there's no telling when the real problems will end.

    Boris Schlossberg, managing director of FX strategy at BK Asset Management, said it's impossible to say how far Brazil's currency will fall.

    "It's astounding, actually," Schlossberg said Tuesday on CNBC's "Trading Nation." "I remember just a few years ago a steak dinner in Sao Paolo was more expensive than a steak dinner in New York. That's how strong the real was. So it's just been an incredible fall in the currency's value."

    Brazil has been hit hard by the steep plunge in commodities prices and the economic slowdown in China. The real has tumbled almost 35 percent against the dollar year to date.

    Brazil's Finance Minister Joaquim Levy on Wednesday canceled a trip to New York after the currency plunge, according to a Reuters report. His scheduled appearance at the Foreign Policy Association will be replaced with a live video connection, instead.

    Schlossberg said the country will also continue to face domestic problems, such as political turmoil, corruption and economic harm from the troubled oil giant Petrobras.

    "It's just a toxic brew from which I would very much stay away," Schlossberg said Tuesday. "A lot is going to depend on whether Brazil is actually going to reform itself. Investors at this time should simply stand back and watch the show."

    Earlier this month, S&P cut Brazil's credit rating to below investment grade. And Win Thin, head of emerging market currency strategy at Brown Brothers Harriman, said more downgrades for Brazil are on the horizon.

    "I think most would argue that it's getting a little bit oversold, but no one wants to stick their neck out," Thin said in a phone interview with CNBC.

    After hitting an all-time low Tuesday, the Brazilian real extended losses Wednesday even after Brazil's Congress upheld President Dilma Rousseff's vetoes of bills that would increase public spending.

    "Even the modest good news is not enough to turn around sentiment at this point," Thin said. "All these passages are lining up for more Brazilian weakness…. it's hard for me to see a positive outcome at this point."

    Thin said he sees two downgrades, more from S&P and the real falling another 10 percent before Brazil starts to see any improvement.

    Stacey Gilbert, head of derivative strategy at Susquehanna, said the options market also signals more volatility for Brazil out into March 2016.

    The iShares MSCI Brazil ETF, EWZ, has fallen more than 40 percent this year. And options traders betting on a 20 percent probability that EWZ could fall another 25 percent, Gilbert said, as well as similar probability of 25 percent upside as well.

    "Any way you slice it, the market is still pricing in that there is a lot of risk, a lot of volatility in Brazil," Gilbert said Tuesday on "Trading Nation."
    video: http://www.cnbc.com/2015/09/23/this-...ng-trader.html

  5. #5
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    Brazil real tumbles despite central bank support of currency

    The Brazilian real tumbled on Wednesday as the central bank's increased intervention in the currency market failed to offset fears of deteriorating government finances, a mounting political crisis and weaker Chinese demand for raw materials.

    As the real plunged to an all-time low of 4.14 per dollar, the central bank called extraordinary auctions to sell currency swaps and dollars with repurchase agreements, joining an array of emerging-market policymakers struggling to support their currencies.

    Other Latin American currencies also posted losses on concerns about the global economy, but the weakening of the real was magnified by fears that Brazilian lawmakers could reject a presidential veto needed to avert a surge in public expenditures.

    The intervention did little to support the real. It initially trimmed losses but fell back shortly after, trading 1.6 percent weaker at 4.11 per dollar.

    "An intervention like that should be able to curb losses in the real, but volatility is too high," said Francisco Carvalho, head of currency trading at BGC Liquidez, a brokerage in Brazil. "Investors are feeling lost and are running to the dollar."

    The real is the second-worst performer among the 152 currencies tracked by Reuters, with losses of more than 35 percent so far this year.

    Interventions through swaps and dollar repurchase agreements have no impact on Brazil's $370 billion foreign reserves. Brazil has not tapped its foreign reserves since the global economic crisis in 2009. A central bank official said on Wednesday there were no dollar outflows from the country.

    The bank sold 4,400 of the 20,000 currency swaps it offered on Wednesday and called a similar sale for Thursday. It was the first time that Brazil sold swaps that were not aimed at rolling over expiring contracts since it ended its currency-swap program in March.

    The bank also announced it will sell as much as $2 billion on the spot market with repurchase dates set to July 5, 2016 and Sept. 2, 2016.

    (Reporting by Walter Brandimarte and Bruno Federowski; Editing by Alan Crosby)
    http://www.cnbc.com/2015/09/23/reute...-currency.html

  6. #6
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    Acima dos R$ 4 por dólar

    A disparada do dólar continua e não adianta chamar os universitários para prever até onde vai a alta, porque sua principal causa não é propriamente técnica. É a falta de confiança no governo Dilma.

    O momento é de alastramento da insegurança, aquele em que a bicharada foge do incêndio da floresta e procura abrigo onde der e onde for. Nessas ocasiões, o dólar é uma das opções de sempre.

    Mas também começaram as perguntas sobre se a esticada de 38,9% em cinco meses não foi longe demais. Ainda não há resposta para isso. Empresas e pessoas físicas seguem de prontidão tanto para seguir se defendendo com ativos em dólares quanto para não acabarem perdendo também com posições excessivas em moeda estrangeira cujas cotações a qualquer momento podem iniciar um processo de ajuste.

    Nessas horas aumentam as pressões para que o Banco Central aponte para uma direção, qualquer uma, que é para dar alguma segurança sobre o que virá. No entanto, as intervenções continuarão, mais para fornecer liquidez e evitar bruscas oscilações do que para segurar as cotações, como em outras ocasiões.

    Alguns analistas sugerem que o Banco Central venda reservas, alguma porção dos US$ 370 bilhões que detém em carteira, sob o argumento de que reservas são para essas horas: se não for para usá-las agora, quando é que será?

    As reservas constituem hoje uma das poucas âncoras disponíveis para evitar o choque do navio contra os rochedos. Se se dispusesse a vendê-las, o Banco Central poderia ser interpretado como o comandante que manda salvar mulheres e crianças primeiro e os homens, depois. Ainda que em bom volume, as reservas têm enorme capacidade de derreter, especialmente em momentos de pânico ou quase pânico, como os de hoje.

    Outro raciocínio falacioso toma como ponto de partida o fato de que o tamanho da dívida é a principal causa da perda do grau de investimento do Brasil. Nessas condições, por que não vender reservas para reduzir a dívida?

    Essa ideia está errada porque o Banco Central não comprou reservas com recursos provenientes da arrecadação. Elas foram formadas com venda de títulos, portanto com aumento da dívida. Os atuais cálculos da dívida líquida já deduzem, como crédito, a posição em reservas. O que se pode dizer é que a dívida em reais vem custando mais do que rendem as aplicações dos dólares das reservas, porque os juros básicos estão em 14,25% ao ano e os juros em dólares, em algo perto dos 2,0%. Portanto, do ponto de vista da dívida líquida, a venda de reservas seria uma operação de soma zero.

    O Banco Central terá, sim, de lidar com o efeito inflacionário da disparada, uma vez que os produtos importados e as dívidas em moeda estrangeira vêm aumentando em reais. Mas o único recurso disponível para isso é a política monetária (política de juros). E, pior, a crise está tirando capacidade do Banco Central de conduzir as expectativas dos formadores de preços.

    A solução para as agruras da hora é a recuperação do equilíbrio das contas públicas. Mas está difícil, porque o governo vem perdendo condições de governar.
    http://economia.estadao.com.br/notic...-dolar,1767810
    Última edição por 5ms; 24-09-2015 às 18:50.

  7. #7
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    Pós-trepidação

    Celso Ming
    24 Setembro 2015 | 21h 00

    A volatilidade do mercado financeiro nessa quinta-feira foi alucinante. Entre a cotação máxima e a mínima do dólar, por exemplo, a oscilação foi de 4,85%

    As declarações firmes do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e do diretor de Política Econômica, Luiz Awazu Pereira, de que os juros básicos (Selic) não subirão, mesmo com a deterioração das contas públicas e com a escalada do dólar, foram, por um momento, suficientes para conter a trepidação.

    Essa súbita eficácia verbal, que partiu de autoridades cuja credibilidade vinha perdendo pontos, mostrou duas coisas. Primeira, que o déficit de confiança na praça é tão grande que os agentes econômicos estão dispostos a aceitar a intercessão até de santos que vêm decepcionando seus devotos. Mostra, também, que a alta do dólar e dos juros no mercado foi tão exagerada, que um ajuste iminente ficou inevitável e estava apenas à espera de bom motivo. Mas parece improvável que apenas essa munição verbal seja suficiente para trazer a confiança de volta.

    A encalacrada fiscal é o fator que mais pesa no momento e mais contamina as outras políticas do governo, inclusive a monetária, do Banco Central.

    Não reflete apenas a bagunça das contas públicas, mas, também, o alto nível de leviandade demonstrado pelo governo que há alguns meses anunciou um superávit primário (sobra de arrecadação para pagamento da dívida) de R$ 34,4 bilhões, mas depois apresentou ao Congresso um projeto de Orçamento da União para 2016 com um rombo de R$ 30,5 bilhões. Em seguida, para juntar os cacos, veio com um balaio fiscal feito de cortes de vento, uma proposta de derrama de R$ 45,6 bilhões e, para viabilizar sua aprovação no Congresso, acaba por entregar cinco ministérios para o baixo clero do PMDB.

    No Relatório de Inflação, divulgado nesta quinta-feira, o Banco Central admite que algumas das macrometas por ele defendidas até outro dia não deverão cumprir-se. O desempenho do PIB, por exemplo, crucial para medir o resultado da arrecadação e a saúde das contas públicas, não vai mais cair apenas 1,1%, como anunciado no Relatório de junho, mas 2,7%.

    O Banco Central reconhece que ficou difícil cumprir a meta de inflação de 4,5% no final de 2016. Agora acena com 5,3%, o novo “cenário de referência”. Se não vai mais mexer nos juros básicos, como garantiram ontem os dirigentes, e já não espera mais uma inflação inferior a 5,3%, segue-se que o Banco Central jogou a toalha.

    A inconsistência desse Relatório está na afirmação (final do item 6.2) de que a política monetária se manterá “vigilante”, eufemismo para novo recurso à alta dos juros, caso o comportamento dos preços apresente “desvios significativos” da meta de inflação. Ao mesmo tempo, o Banco Central assegura que não vai mais puxar pelos juros. De duas, uma: ou o Banco Central voltará, sim, a aumentar os juros; ou já não considera significativo um desvio de quase um ponto porcentual da meta de inflação. Parece enrolação.
    http://economia.estadao.com.br/notic...idacao,1768558

  8. #8
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    O BC culpa o governo

    Diretores do Banco Central (BC) foram de uma franqueza incomum – e quase contundente – ao apresentar ontem o Relatório Trimestral de Inflação,

    Pelas novas estimativas, a economia brasileira encolherá 2,7% neste ano. A edição anterior do relatório indicava para este ano uma contração de 1,1%. A inflação estimada para 2015 passou de 9% para 9,5%.


    25 Setembro 2015

    Em geral diplomáticos e muito discretos ao falar das contas do governo, diretores do Banco Central (BC) foram de uma franqueza incomum – e quase contundente – ao apresentar ontem o Relatório Trimestral de Inflação, um panorama econômico nacional e internacional. Não havia como escapar. Quase todas as projeções para este e para o próximo ano pioraram e era indispensável enfrentar o assunto e mostrar a natureza dos problemas. Pelas novas estimativas, a economia brasileira encolherá 2,7% neste ano e 2,2% nos 12 meses até o segundo trimestre de 2016. A edição anterior do relatório indicava para este ano uma contração de 1,1%. A inflação estimada para 2015 passou de 9% para 9,5%. A intenção de alcançar a meta de 4,5% até o fim do próximo ano foi reafirmada, mas esse resultado, segundo o próprio documento, muito dificilmente será atingido. Pelos novos cálculos, a inflação anual ainda estará em 4,7% no segundo trimestre de 2017 e cairá para 4% no terceiro. Há pouco espaço para eufemismos quando se apresentam números como esses.

    Encarregado de falar à imprensa, o diretor de Política Econômica do BC, Luiz Awazu Pereira, teve de lembrar o rebaixamento do Brasil ao grau especulativo, na classificação da Standard & Poor’s, e um dos principais motivos alegados pela agência: as mudanças nas metas fiscais e a apresentação de uma proposta de orçamento com déficit primário de R$ 30,5 bilhões. A revisão das metas, comentou Awazu, foi além das expectativas do mercado, afetou a percepção de risco e impulsionou a valorização do dólar – um dos principais assuntos do noticiário econômico nos últimos dias.

    O presidente do BC, Alexandre Tombini, conseguiu chegar perto dos eufemismos, mas, ainda assim, foi bastante explícito ao falar em ajustes processados “em velocidade inferior” à inicialmente estimada. Essa lentidão tem resultado em maiores prêmios de risco e maior depreciação do real, com efeitos positivos nas contas externas e negativos na inflação. Pelo menos num ponto o esforço diplomático triunfou. A lentidão dos ajustes, disse o presidente do BC, vem “reduzindo a revisão para baixo das expectativas de inflação”.

    Depois de reconhecer os problemas agravados pelos tropeços na gestão das contas públicas, Tombini tentou passar ao mercado algumas mensagens tranquilizantes. O BC, disse ele, manterá os juros básicos em 14,25% por tempo suficientemente prolongado para levar a inflação à meta. Em outras palavras: a aposta em juros mais altos, neste momento, é uma questão do mercado. Ninguém deve interpretar esses movimentos, acrescentou, como indicação das próximas decisões de política monetária. Além disso, o BC e o Tesouro têm instrumentos para retirar a volatilidade e a ansiedade dos mercados. Mas se absteve de entrar na parte mais interessante – a descrição de como as duas instituições cooperam para produzir esses bons efeitos.

    Awazu apresentou o relatório pela última vez porque em breve assumirá, em Basileia, na Suíça, uma vice-presidência do Banco de Compensações Internacionais, também conhecido, como lembrou Tombini, pelo apelido de banco central dos bancos centrais. O novo diretor de Política Econômica será Altamir Lopes, veterano no BC e também nos contatos com a imprensa.

    Awazu reafirmou a importância da arrumação das contas públicas para o combate à inflação. É indispensável, acentuou, cumprir as novas medidas fiscais apresentadas pelo Executivo. A referência à melhora das contas como essencial à política anti-inflacionária tem sido constante nos documentos do BC. Mas também tem sido frequente a aposta na evolução favorável das finanças do governo. Não houve sinal, até agora, de avanço nessa direção. Tem havido, sim, muitos tropeços, muita trapalhada e muito recuo no tratamento do assunto. O caso mais notável pode ter sido o envio de um projeto orçamentário com déficit. Que tenha sido o último escorregão ninguém pode dizer. Não há a mínima razão para se apostar nisso.
    http://www.estadao.com.br/noticias/g...no,10000000077

  9. #9
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    BCB Stops BRL Depreciation

    Unfortunately for Governor Tombini, a political crisis requires a political solution; the BCB’s good faith can only offer some temporary respite to the BRL.

    The only way of offering some sustainable respite to the BRL is to restore investor confidence in the government’s ability to shore up support for austerity measures.

    We may see a stronger BRL in the short-term but we stick to our view that the BRL will continue to suffer from the highly uncertain political environment.

    BCB: ready to intervene

    During a surprise press conference yesterday, Alexandre Tombini, Brazil’s central bank governor, announced that he was ready to use “all the instruments” at hand to guarantee that foreign exchange market work efficiently -- even though he reaffirmed that interest rates will be maintained at current levels for an extended period of time -- after the Brazilian real lost almost half of its value against the US dollar over the last 12 months. In addition, BCB’s governor suggested that the FX reserves could be used to support the falling currency, a view that was supported by Finance Minister Joachim Levy. USD/BRL fell 5.76% in São Paulo yesterday, reaching 3.9507. Unfortunately for Governor Tombini, a political crisis requires a political solution; the BCB’s good faith can only offer some temporary respite to the BRL.

    The only way of offering some sustainable respite to the BRL is to restore investor confidence in the government’s ability to shore up support for austerity measures. For months, Dilma Rousseff’s government has been facing tough opposition in congress against austerity measures, which would see a cut in spending and an increase in taxes. Opposition lawmakers say Dilma Rousseff’s package of fiscal measures will hurt badly Brazil’s middle class, but have they even considered the fact that the highly uncertain environment stemming from the status quo could also be as harmful for Brazilian people. Unemployment rate reached 7.6% in August from 7.5% a month ago while the central bank raised its 2016 inflation forecast to 5.3% from 4.8% in June, according to the quarterly inflation report released yesterday. Even though the BCB is reluctant to raise the Selic rate further, we believe the market will force them to act as the BCB has been unable to definitively anchor inflation expectations.

    We may see a stronger BRL in the short-term but we stick to our view that the BRL will continue to suffer from the highly uncertain political environment.
    http://www.investing.com/analysis/bc...imistic-266212

  10. #10
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    Para mercado, nem pacote fiscal evitará degradação financeira

    Acabou o tempo de pequenas medidas, de mais imposto aqui, de queima de patrimônio público [privatização] a preço de banana", diz um financista.

    VINICIUS TORRES FREIRE
    COLUNISTA DA FOLHA
    25/09/2015

    "A 'ineptocracia' atuou 'megabem' hoje no mercado." Ineptos são governo e Congresso. Mas um alto executivo, com passagem pelo governo, "tira o chapéu" para o modo como Banco Central e Tesouro apagaram ontem o incêndio do dólar e a explosão das taxas de juros.

    No entanto, muita gente graúda, gestores de dinheiro grosso também com experiência de governo, dizia que a equipe econômica apenas atenuou um sintoma agudo de uma crise "catastrófica".

    Os mais pessimistas, quase todos, acreditam que nem mesmo a difícil aprovação do pacote fiscal do governo terá o efeito de evitar a degradação financeira, desvalorizações extras do real e altas de juros no mercado, embora possa atenuar o pânico no curto prazo.

    Se por mais não fosse, a aprovação do pacote, metade dele dinheiro da CPMF, vai demorar e ficará sujeita ao turbilhão político, argumentam. Mais importante, o pacote é "pífio" porque incapaz de dar segurança mínima de que a dívida pública não vai continuar a crescer sem limite, o fator "primordial" da jornada nas estrelas de dólar e juros.

    "Isso (o pacote) não vai funcionar, acabou o tempo de pequenas medidas, de mais imposto aqui, de queima de patrimônio público [privatização] a preço de banana", diz um financista.

    Vários desconfiam que o Banco Central seja capaz de evitar a elevação da "sua" taxa de juros (a Selic, a taxa de juros calibrada pelo BC com o fim de controlar a inflação).

    A direção do BC diziam ontem, em público e privado, que a alta de dólar e dos juros na praça, puxada pelo aumento do descrédito da política fiscal (alta do risco-país) pode ser transitória, com o que não seria preciso bulir com os juros. E se for duradoura? Um diretor de banco dizia que "pelo jeito, eles vão tentar segurar a coisa com mais intervenção cambial. Se a expectativa de inflação continuar a subir, fica difícil segurar a Selic até o fim do ano".

    Isto é, o BC terá de jogar a toalha se quiser evitar que a inflação supere o teto da meta (6,5%) no ano que vem (o BC diz ainda pretender levar a inflação à meta de 4,5% em 2016. Porém, no Relatório Trimestral de Inflação divulgado ontem pelo BC, a previsão é de inflação de 5,3%). Na manhã de caos de ontem, economistas de bancos e consultorias praticamente faziam campanha para o BC elevar juros, até como um meio de controlar o pânico pontual.

    Havia mais preocupações. "A piora em cima de piora, a previsão de três anos de déficit somado ao caos dos últimos dias, está fazendo com que apareçam problemas ainda maiores", diz um executivo. Um deles é a Petrobras. A alta adicional do dólar fez a dívida da empresa explodir ainda mais. "Ninguém sabe como resolver isso, todo mundo já percebeu, é óbvio. Se a Petrobras precisar de mais capital, vai sair de onde? Do governo quebrado?".

    O tamanho da empresa, de seus problemas e de seu impacto possível no governo estaria contribuindo para elevar risco e portanto juros no Brasil.

    Enfim, há as dívidas de empresas. "A gente tem reservas, não tem dívida externa líquida [o Brasil tem mais ativos do que passivos "em dólar"], ok. Mas, lá fora, a conversa é sobre o endividamento externo das empresas brasileiras é dos mais altos entre os emergentes. As pessoas se perguntam quando as empresas brasileiras vão precisar renegociar esses papeis".
    http://www1.folha.uol.com.br/mercado...nanceira.shtml

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