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    Alta do dólar será novo vilão das contas de luz

    A explicação está na cota que cada empresa tem de energia da Hidrelétrica de Itaipu, calculada em dólar.

    Na Light, o reflexo no aumento anual poderá chegar a 8,5% fora a inflação do periodo. Na CPFL, o impacto estimado é de 9,5%; na Bandeirante, 9%

    Outro fator que pode representar pressão sobre a tarifa são os leilões que vão ocorrer nos próximos meses. Se o valor ficar acima do praticado hoje, a diferença será repassada para a tarifa do consumidor.

    A escalada do dólar deve ser o novo vilão da conta de luz dos brasileiros. Além dos efeitos da estiagem, que neste ano representaram aumentos superiores a 50%, agora é a moeda americana que vai pressionar os próximos reajustes tarifários das distribuidoras do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A explicação está na cota que cada empresa tem de energia da Hidrelétrica de Itaipu, calculada em dólar.

    Cálculos feitos pela comercializadora Comerc mostram que apenas o impacto da moeda americana na fatia de energia da usina binacional pode representar aumentos entre 3,7% e 9,5% na conta de luz. As maiores altas devem ocorrer naquelas distribuidoras que ainda não tiveram reajuste neste ano, como é o caso de Bandeirante, CPFL Piratininga e Light. No reajuste extraordinário, ocorrido em janeiro, quando o governo repassou para a tarifa parte das oscilações do câmbio, o dólar estava na casa de R$ 2,80. Nas últimas semanas oscilou entre R$ 3,70 e R$ 4,22.

    Na Bandeirante, que atende 28 municípios de São Paulo, o dólar na energia de Itaipu poderá representar 8,8 pontos porcentuais dentro do reajuste anual, calcula a Comerc, que considerou um câmbio médio de R$ 4. Na carteira de energia da empresa, 19% do total vem de Itaipu. Ou seja, qualquer oscilação no dólar tem impacto relevante nas contas da companhia.

    O mesmo ocorre com a CPFL Piratininga, distribuidora que atende 27 municípios do interior e litoral de São Paulo. Pelos dados da Comerc, a parcela do reajuste devido a alta do dólar poderá chegar a 9,5 pontos porcentuais. Segundo a empresa, os valores ainda estão em fase de avaliação pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

    Na Light, o reflexo no aumento anual poderá chegar a 8,4 pontos porcentuais. “Essa é a previsão de aumento fora a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo)”, diz o presidente da Comerc, Cristopher Vlavianos.

    O presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Fonseca, explica que as empresas sentem o impacto do aumento do dólar simultaneamente, mas só podem repassar para o consumidor na data dos reajustes. Segundo ele, se não tiver alteração no cenário energético, o câmbio deve ser o item que mais vai contribuir para o aumento das tarifas em 2016. “Mas não podemos prever em que nível os reajustes ficarão. Há uma série de incertezas que não permite previsões.” Uma delas é a questão da hidrologia. Se não chover o suficiente, o País terá novamente de acionar as térmicas, mais caras.

    Outro fator que pode representar pressão sobre a tarifa são os leilões que vão ocorrer nos próximos meses. Se o valor ficar acima do praticado hoje, a diferença será repassada para a tarifa do consumidor.

    A lista de incertezas inclui liminares que algumas empresas conseguiram na Justiça. Uma delas requer pagamento de R$ 3,7 bilhões pelas distribuidoras - leia-se consumidor. A Abradee conseguiu decisão judicial favorável às associadas. Mas, se a liminar cair, os valores seriam repassados para as tarifas.
    http://economia.estadao.com.br/notic...de-luz,1779087

  2. #2
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    Dilma usou Itaipu para ajudar Venezuela a entrar no Mercosul

    Senado brasileiro aprovou um acordo entre Brasil e Paraguai que triplicou o valor pago pelo excedente de energia da hidrelétrica.

    RUBENS VALENTE
    DE BRASÍLIA
    24/10/2015

    Em reunião privada em junho de 2011, a presidente Dilma Rousseff disse ao então presidente da Venezuela, Hugo Chávez (1954-2013), que a renegociação do Tratado de Itaipu com o Paraguai seria usada como argumento para persuadir Assunção a aceitar a Venezuela no Mercosul.

    A reunião foi registrada em telegrama secreto redigido por um funcionário do Itamaraty. O documento, obtido pela Folha, indica que a renegociação serviu de moeda de troca pelo Brasil para favorecer o governo Chávez.

    No mês anterior ao encontro, o Senado brasileiro aprovara um acordo entre Brasil e Paraguai que triplicou o valor pago pelo governo ao país vizinho pelo excedente de energia da hidrelétrica.

    Na época, a oposição no Senado disse que passaria o valor pago de US$ 120 milhões para US$ 360 milhões anuais.

    O documento diplomático foi entregue pelo Itamaraty ao Ministério Público Federal do Distrito Federal no inquérito civil que apura suposto tráfico de influência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na relação entre governos estrangeiros e empreiteiras brasileiras.

    No encontro com Chávez, Dilma disse, segundo o telegrama, que a adesão da Venezuela ao Mercosul "fortalecerá o bloco". Naquele momento, o Paraguai se opunha à ideia.

    Dilma, porém, procurou acalmar Chávez: "Lula está empenhado, junto a interlocutores no Paraguai, na aprovação da adesão da Venezuela pelo Congresso paraguaio. Nós aqui também estamos ajudando. A aprovação do acordo por troca de notas sobre Itaipu, pelo Congresso brasileiro, deverá contribuir para que o Congresso paraguaio se torne mais propenso a examinar favoravelmente a questão da adesão da Venezuela", disse.

    'NAVE SERENA'

    Em resposta, Chávez disse que "ama" o Brasil. Alegou que não conseguiu adquirir aviões militares fabricados no Brasil por pressão dos EUA, mas com aviões de uso civil "não há dificuldades".

    "Quero reiterar a importância da integração regional", disse Chávez. "Lula foi uma tábua de salvação para mim quando fui eleito em 2002. O golpe de abril de 2002 foi um baque grande para meu governo. O apoio regional nos momentos subsequentes foi valioso. O Brasil é uma nave grande e serena; a Venezuela, uma lancha de ataque."

    O uso de Itaipu já havia sido levantado pelo Brasil quatro meses antes em um encontro entre Chávez, o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, e outros membros do governo venezuelano, inclusive o então chanceler Nicolás Maduro, hoje presidente.

    O Itamaraty considerou o evento "encontro privado" e o registrou em telegrama secreto. Na reunião, Chávez disse que vinha "trabalhando para acelerar a adesão" do seu país ao Mercosul, mas que não estava "disposto a sofrer pressões indevidas por parte do governo paraguaio".

    "Confidenciou" ter indicado a Maduro que, se os entraves do Parlamento paraguaio continuassem, "seria melhor deixar o Mercosul e passar a se concentrar mais em fortalecer as relações bilaterais".

    Marco Aurélio Garcia, então, procurou acalmá-lo.

    "Com vistas a alcançar clima político mais propício ao Paraguai, o professor Garcia relatou os esforços brasileiros para atender demandas paraguaias relativas a Itaipu", diz o telegrama, assinado pelo embaixador José Antônio Marcondes de Carvalho.

    "O assessor especial da PR [presidente] Rousseff sugeriu que a Venezuela convidasse [o general paraguaio que viveu no Brasil] Lino Oviedo [1943-2013] para visita a Caracas com o propósito de alargar sua base de apoio no Congresso paraguaio."

    A Venezuela aderiu ao Mercosul no ano seguinte a essas conversas, em agosto de 2012.

    ODEBRECHT

    Na reunião, Chávez ainda propôs criar um fundo de financiamento para projetos bilaterais, citando que a Construtora Odebrecht "já aceitou mecanismo de remuneração parcial em petróleo".

    Dilma respondeu que a empreiteira poderia ajudar.

    "Será importante envolver nesse processo o presidente da Associação Brasileira de Construção Civil. A Odebrecht pode ajudar muito com habitação", afirmou.

    O Palácio do Planalto não comentou o telegrama.
    http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2...mercosul.shtml

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