Instigado por um grande escândalo de corrupção, o Brasil começou a vigiar suas empresas multinacionais por práticas corruptas que possam adotar em outros países, disse à Reuters o ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Valdir Simão.

Seis anos depois de incentivar conglomerados nacionais a se aventurarem no exterior, aproveitando o crédito barato e regulamentação mais branda, o governo está agora agindo para assegurar que essas empresas cumpram com os padrões internacionais de transparência e governança corporativa.

Simão disse que a CGU começou a coletar informações sobre as operações no exterior das empresas brasileiras e está conversando com autoridades dos Estados Unidos fazer parte de um acordo de cooperação de combate à corrupção corporativa.

“Estamos elaborando um mapa de risco para identificar onde estão presentes as empresas brasileiras, em que mercados, que atividade econômica e com que intensidade, quais são as áreas de maior risco, e definir prioridades para acordos bilaterais”, disse Simão em entrevista à Reuters nesta semana.

As autoridades brasileiras já trocaram informação com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e a Securities and Exchange Comission (SEC), órgão regulador do mercado norte-americano, sobre a investigação de corrupção envolvendo a Petrobras, disse.

As empresas brasileiras se expandiram rapidamente no exterior nos últimos anos, comprando competidores estrangeiros nos setores de carne, cerveja e mineração, movidas por um período de forte expansão no país e juros baixos nos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Simão afirmou que a CGU está se preparando para lidar com casos internacionais de suborno que podem envolver companhias do Brasil em outras países.

Um pacto com os EUA é vital, mesmo se as empresas brasileiras não estiverem baseadas lá, porque a maioria dos negócios globais são realizados em dólares norte-americanos e podem estar sob jurisdição dos EUA, explicou Simão.

Muitas das corporações envolvidas no escândalo da Lava Jato têm ações listadas ou títulos emitidos nos Estados Unidos, o que as torna sujeitas à Lei de Práticas Corruptas no Exterior norte-americana.

O Brasil está se esforçando para conquistar maior transparência internacional em meio ao maior escândalo de corrupção de sua história. Vários executivos das maiores empreiteiras e firmas de engenharia do país foram presos por suposto pagamento de propinas a executivos da Petrobras e políticos.

Atualmente a CGU está negociando acordos de leniência com sete das 29 empreiteiras implicadas na Lava Jato, o que lhes permitirá participar de futuras licitações governamentais em troca da admissão de culpa, da reparação dos danos financeiros e do pagamento de multas.

O ministro-chefe da CGU confirmou que a Camargo Corrêa está entre o grupo de empreiteiras que está negociando acordo de leniência, além da OAS, Galvão Engenharia, Engevix, Setal Óleo e Gás, UTC. Ele declinou nominar a sétima empresa, que somente recentemente mostrou interesse de fechar um acordo de leniência.

“Nossa expectativa é de que pelo menos uma grande parte das dessas negociações de acordos sejam concluídas até o final do ano”, afirmou Simão.

Outras empresas, como a Odebrecht SA, se recusaram até o momento a negociar com a CGU. Elas podem ser penalizadas se as acusações de corrupção forem comprovadas e impedidas de firmar contratos nas esferas federal, estadual e municipal durante dois anos.
http://epocanegocios.globo.com/Infor...-exterior.html



Brazil to monitor its multinational firms for graft overseas

Saturday, October 24, 2015

Brazil has started to watch its multinational companies for corrupt practices they might commit in other countries in the wake of a massive bribery scandal at home, the nation’s top anti-corruption official told Reuters.

Six years after encouraging homegrown conglomerates to expand beyond Brazil with cheap credit and eased regulatory rules, the government is now moving to ensure they are complying with international transparency and corporate governance standards.

Brazil Comptroller General Valdir Simão said his office, known as the CGU, has begun to gather information on Brazilian firms operating abroad and is in talks with US authorities to enter a cooperation agreement to fight corporate corruption.

“We are drawing up a map of where Brazilian companies are present, in which markets and what economic activities, to identify the areas of most risk and decide which countries to sign bilateral agreements with,” Simão told Reuters in an interview this week.

Brazilian authorities are already exchanging information with the US Department of Justice and the US Securities and Exchange Commission in the investigation of the bribery scandal that has engulfed state-run oil company Petróleo Brasileiro SA, or Petrobras, he said.

Brazilian companies rapidly expanded overseas in recent years, buying foreign rivals in the meat, beer and mining sectors, propelled by a boom in the world’s seventh-largest economy and low interest loans from Brazil’s development bank, BNDES. They also enjoyed regulatory leniency at home that allowed them to expand and consolidate without facing antitrust issues in Brazil.

Internation bribery

The CGU is preparing to deal with cases of international bribery that might involve Brazilian companies in other countries, Simão said.

A pact with the United States is vital even if companies are not based there because most international business is conducted in US dollars and could be under US jurisdiction, he added.

Many of the companies involved in the Petrobras scandal have shares listed or bonds issued in the United States, making them subject to the US Foreign Corrupt Practices Act.

Brazil is striving for greater international transparency as it reels from the biggest corruption scandal in its history. Dozens of executives from top Brazilian construction and engineering firms have been arrested for allegedly paying bribes to Petrobras executives and kickbacks to politicians in President Dilma Rousseff’s governing coalition.

Leniency settlements

The CGU is currently negotiating leniency settlements with seven of the 29 Brazilian builders implicated in the Petrobras scandal, which would allow them to bid for future government contracts in return for admission of guilt, reparation of financial damages and payment of fines.

“We expect to conclude most of these negotiations by the end of the year,” Simão said.

Other companies, such as Brazil’s largest engineering firm Odebrecht SA, have so far declined to negotiate with the CGU. They could be penalized if corruption is proven and barred from federal, state and municipal government contracts for two years

Herald with Reuters
http://www.buenosairesherald.com/art...raft-overseas-