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    Fundo russo financiará fusão da Oi com TIM

    O Brasil sempre pode piorar.

    Mônica Scaramuzzo - O Estado de S.Paulo
    27 Outubro 2015

    A Oi vai submeter, na quarta-feira, 28, ao seu conselho de administração a proposta de aporte de até US$ 4 bilhões do fundo LetterOne (L1), que pertence ao bilionário russo Mikhail Fridman. A Oi confirmou, em comunicado, que o BTG, um dos acionistas da operadora e assessor financeiro da companhia, recebeu na sexta-feira a oferta do fundo de fazer um aumento de capital na empresa de telecomunicações. Esse aporte está condicionado, contudo, à fusão entre Oi e TIM, controlada pela Telecom Itália (TI).

    “Não houve ainda uma proposta oficial para a Telecom Itália, apenas conversas informais. Uma oferta para a TI vai ser formalizada em até 30 dias, caso o conselho da Oi aprove o aporte da L1”, disse a mesma fonte. “A proposta da LetterOne está condicionada à participação da TIM”, disse outra fonte.

    “O acordo prevê primeiro um aporte e depois troca de ações entre Oi e TIM. A LetterOne seria um dos principais acionistas dessa nova empresa.” Outros acionistas poderão fazer aportes, se não quiserem ser diluídos. No entanto, fontes afirmaram ao Estado que os atuais acionistas, como BNDES e Pharol (que reúne antigos sócios da PT SGPS) não estariam interessados em fazer aumento de capital. O BNDES poderá se desfazer de suas ações no futuro.

    Na segunda-feira, as ações da Oi encerraram o dia a R$ 3,50, com alta de 6,06%. Os papéis da TIM subiram 5,93%, a R$ 8,57%.

    Ao mercado, a Oi informou que a proposta da LetterOne será analisada pela companhia em conjunto com os assessores legais e financeiros. O Estado apurou que o conselho deverá aprovar o aporte. Em comunicado, a TIM informou que não está em “negociação em curso” com a Oi ou com o L1.

    A aproximação entre o BTG e o bilionário russo ocorreu nos últimos meses, quando Fridman sinalizou estar aberto a fazer investimentos em teles na América Latina. O fundo L1 tem cerca de US$ 16 bilhões para investir em empresas de telecomunicação, tecnologia e óleo e gás pelo mundo. Fridman é dono do Grupo Alfa, que controla um dos maiores bancos privados de investimento da Rússia. Nascido na Ucrânia, em 1964, o empresário pertence a uma das famílias mais ricas da Rússia. Ele começou seus negócios na área de entretenimento na década de 80. Hoje, seu grupo é controlador de operadoras de telefonia como Turkcell, na Turquia, e também da VimpelCom, que tem participações em empresas de telecomunicação em países da Europa.

    Consolidação. Com uma dívida bruta de R$ 51,3 bilhões, a consolidação da Oi é bem vista pelo mercado, que considera esse movimento positivo e prevê ganhos de sinergia entre Oi e TIM. Para analistas do BNP Paribas, caso uma fusão seja feita, esses ganhos podem ficar entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões. Ao fazer fusão com todas as ações, o endividamento líquido da nova companhia ficaria em torno de 1,6 vez o Ebitda, diz o BNP Paribas.

    Para a Guide Investimentos, a consolidação não aconteceu até o momento em razão das incertezas que rondam o setor, como regulamentação das concessões e saúde financeira das companhias. Para Eduardo Tude, da consultoria Teleco, outro obstáculo são os chamados “bens reversíveis”. Os bens reversíveis são aqueles usados para o desenvolvimento de infraestrutura em telefonia fixa que devem ser entregues ou devolvidos para ao fim da concessão.
    http://economia.estadao.com.br/notic...so,10000000716

  2. #2
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    Ministro quer mais operadoras no Brasil

    O ministro das Comunicações, André Figueiredo, afirma que não foi informado de eventual fusão entre Oi e TIM. Mas diz que há preocupação em já traçar horizontes e buscar alternativas para que não haja redução dos competidores no país.

    30/10/2015

    Há três semanas no cargo e sem experiência prévia no setor - atuou, antes, como secretário-executivo do Ministério do Trabalho e em secretarias no Ceará, sua base eleitoral -, o ministro das Comunicações falou sobre seus planos ao Valor. Afirmou que não fugirá da briga com a equipe econômica, para evitar que eventuais cortes de gastos comprometam a meta de levar a rede de banda larga para 90% população do país até 2018.

    Figueiredo deixou o cargo de líder do PDT na Câmara dos Deputados para assumir o posto no primeiro escalão do governo como parte da estratégia de garantir a fidelidade dos partidos da base aliada. Parte do núcleo político da Esplanada, ele garante que a presidente Dilma Rousseff não é inflexível quando lhe mostram argumentos bem fundamentados. A presidente dá atenção especial ao setor, diz o ministro.

    A seguir, os principais trechos da entrevista:

    Valor: Como o governo avalia as informações sobre consolidações no mercado como a possível fusão entre Oi e TIM?

    André Figueiredo: Quando formos comunicados de qualquer incorporação ou fusão, vamos ter nosso posicionamento. Mas não abriremos mão de que isso não traga qualquer tipo de prejuízo para o consumidor ou para nosso país. Temos acompanhado de longe e tido a preocupação em já traçar horizontes e buscar alternativas para que não tenhamos eventualmente a redução dos competidores. O mercado brasileiro comporta até ampliação no número de operadores e trabalhamos nisso como alternativa.

    Valor: Mas a Oi, com elevado endividamento, enxerga a aproximação com outros grupos como saída para resolver parte de seus problemas.

    Figueiredo: Os números do endividamento da Oi são elevados. Eu sei que estão buscando caminhos de curto prazo para que sejam equacionados. Queremos fazer com que as empresas que atuam no Brasil estejam devidamente fortalecidas, que reduzam a sua alavancagem financeira e possam prestar um bom serviço para o usuário e ampliar a meta de cobertura, pois temos de chegar até o fim de 2018 com pelo menos 70% dos municípios atendidos com banda larga. Isso representa 90% da população.

    Valor: Que tipo de ajuste no setor poderia ajudar a Oi? Ela acumula, por exemplo, multas milionárias em termos de ajustamento de conduta (TACs).

    Figueiredo: Não será um decreto que tornará a companhia superavitária, acabando com o problema de alavancagem e outras coisas mais. Buscamos caminhos que não atingirão só a Oi, alcançariam também outras empresas com a mesma relevância. O TAC não é o maior problema da Oi, foram as gestões anteriores. Há cinco anos a companhia tomou caminhos que a levaram à situação de dificuldade. São acúmulos de fatores que levaram a Oi a passar por isso, mas há de se louvar o trabalho que o atual presidente da Oi [Bayard Gontijo] tem feito.

    Valor: É possível usar contrapartida de investimentos de assinatura dos TACs na Anatel para levar rede de banda larga onde não existe?

    Figueiredo: Se formos analisar que 78% dos TACs dizem respeito a uma operadora, a Oi [que está com alto endividamento], teremos dificuldade de prever esses investimentos. Já as outras prestadoras que negociam acordo com a Anatel têm a tranquilidade de dizer que já vão cumpri-los. Estamos aguardando algumas movimentações para definir como serão aplicados os recursos, mas com certeza serão executados em novas infraestruturas.

    Valor: Diante do ajuste, como garantir a implementação dos programas de inclusão digital?

    Figueiredo: Aqui entra sempre a queda-de-braço [com a Fazenda]. Até agora, o que foi e continua sendo feito são leilões arrecadatórios, que levantam recursos, mas não retornam ao setor como investimentos, apenas fazem caixa para o governo. Quero brigar contra isso. Toda essa situação estaria resolvida se conseguíssemos descontingenciar os fundos relacionados às telecomunicações, como Fistel e Fust. Compreendemos que não são só estes fundos que estão congelados, mas é importante destravá-los.

    Valor: A Fazenda fez algum pedido sobre o valor da outorga para mudança das rádios AM para FM?

    Figueiredo: Temos uma pressão enorme do setor de radiodifusão para definir as tarifas. Existem paradigmas diferentes entre o que uma equipe técnica, o TCU e o setor colocam como adequado. Precisamos juntar estas análises e definir algo justo. Não adianta colocar um valor elevado, que seria ótimo para o Estado, que arrecadaria muito, e restringir a demanda porque as empresas não vão migrar por não terem condições de pagar. Esse é um dos gargalos que tenho até a primeira quinzena de novembro.

    Valor: Mas a equipe da Fazenda estipulou um valor?

    Figueiredo: Ainda não, mas prevemos até mais uma queda-de-braço porque essa arrecadação queremos [transformar] em investimento, não em contingenciamento.

    Valor: Como o senhor avalia a sinalização da Anatel de trocar parte dos investimentos em orelhões pela instalação de fibra óptica na revisão das metas das concessionárias?

    Figueiredo: Aguardamos os estudos da Anatel, mas isso é uma tendência. Não tem sentido investimos em TUPs [telefone de uso público] em localidades que passam meses sem utilizá-los. Portanto, essa substituição é uma necessidade porque, pelo levantamento que temos feito, 52% dos municípios não têm acesso [à rede de fibra ótica].

    Valor: A Anatel se queixa da dificuldade em adotar novas medidas pois a legislação não permite.

    Figueiredo: Não é que a lei tenha sido mal formulada, só que está desatualizada, é de 1997. Precisamos revê-la, até porque existe a questão da reversibilidade dos bens [devolução dos ativos de telefonia fixa à União ao fim dos contratos, em 2025]. Isso envolve até o antigo cabeamento de cobre onde se tem um duplo gasto para a concessão, quando poderíamos economizar ao utilizar a rede de fibra óptica. Já estamos com um grupo de discussão bastante avançado para atualizar a lei de telecomunicações.

    Valor: O que será atualizado?

    Figueiredo: Queremos atualizar tanto no regime de concessão quanto outros regimes, para que possamos garantir o incentivo ao investimento. Estamos diante de um segmento que, a despeito da crise anunciada, todas operadoras têm planos para o Brasil de investir bem mais em 2016 do que está sendo investido em 2015.

    Valor: Quais as principais mudanças no regime de concessões?

    Figueiredo: Não há definição sobre qual modelo será adotado dentro do que será proposto nas próximas semanas em consulta pública e, por fim, apresentado à presidenta Dilma Rousseff. Esse é um tema que ela tem estado muito envolvida. Dizer alguma coisa agora seria precipitado. Mas, sem dúvida, vale considerar as premissas da telefonia celular: vários 'players' atuando num regime de competição, dando atenção aos locais não rentáveis, [mas que precisam estar] conectados com o resto do Brasil. Independente do modelo que será consagrado, vamos trabalhar para que a banda larga seja realidade num curtíssimo espaço de tempo. A meta é [atender] 90% da população brasileira até 2018.

    Valor: Quando o projeto será enviado ao Congresso Nacional? Avaliam fazer por medida provisória?

    Figueiredo: Não descarto que seja por medida provisória, por ter vigência imediata. Até porque a relevância é indiscutível e existe a urgência de determinados investimentos associados a isso, o que justificaria a edição de uma MP. A nossa meta é concluir a discussão da lei até o fim deste ano ou mais tardar no início de 2016 e mandar para o Congresso.
    [continua]

  3. #3
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    [continuação]

    Valor: Como avalia a disputa entre operadoras de telefonia e as OTTs ['over-the-top', que usam a estrutura de banda larga para prestar seus serviços], como WhatsApp e Netflix? A desregulamentação das teles é um caminho?

    Figueiredo: O grande problema é que se retirar um pouco a regulamentação das teles, talvez cause prejuízo ao usuário ao não exigir sinal de qualidade. É uma possibilidade? É, mas penso em buscar a mediação entre as OTTs e as teles com a ideia de que não devemos nem frear a inovação, que é uma das características das OTTs, nem desprezar os investimentos que as teles têm feito.

    Valor: Como fazer isso?

    Figueiredo: Temos que reduzir a assimetria que existe. As OTTs têm faturamentos elevadíssimos com a infraestrutura das teles, mas também argumentam que tornam o negócio delas mais atrativo, ao oferecer mais serviços. Esse é um diálogo que vamos ter que travar, não só no Brasil, mas a nível mundial. Se você pegar o aplicativo de voz do WhatsApp, está tirando renda da operadora de telefonia sem exigências de qualidade por não estar regulado. Da mesma forma, o Netflix com a TV paga.

    Valor: O serviço oferecido pelas OTTs já chegou a ser classificado de "pirataria". O senhor concorda?

    Figueiredo: Não. Acho que é uma acusação muito forte. Isso é algo que já está na nossa realidade, mas cabe uma regulação para que possamos evitar que se esquivem de sistemas que pagam impostos e que respondem por uma arrecadação violenta. Só de tributos, o segmento das teles representou R$ 60 bilhões no ano passado, além de fazer investimento muito forte. Não podemos fingir que não vemos o que está acontecendo.

    Valor: O sr. é a favor que as OTTs constituam representações no Brasil para responder às leis do país?

    Figueiredo: Sou favorável, mas dentro de um plano de discussão também com as empresas.

    Valor: Os aplicativos respondem que a regulação levará à cobrança dos serviços. O senhor concorda?

    Figueiredo: Isso é algo que vamos brigar muito contra. Não queremos que traga absolutamente nada de cobrança adicional ao usuário. Vão ter que resolver com publicidade. O Google já faz isso. É uma grande construção mundial que o Brasil vai fazer parte, por isso não posso descartar qualquer tipo de decisão, mas do ponto de vista do governo será a nossa posição.

    Valor: Sobre a digitalização da TV aberta, o senhor enxerga a possibilidade da data do desligamento do sinal analógico ser adiado?

    Figueiredo: A única coisa que está definida é a manutenção do prazo limite de encerrarmos a transmissão do sinal analógico no Brasil em 2018. Dentro deste limite, podemos fazer adequações internas. Nossa necessidade mais imediata é Rio Verde (GO), porque em seguida teremos Brasília, já em abril. Temos que ficar atentos porque no ano que vem temos os Jogos Olímpicos e também será um ano eleitoral, é uma possibilidade [adiar em algumas cidades]. Não podemos deixar que essa decisão prejudique o consumidor nem traga prejuízo a quem investiu, como as teles.

    Valor: As operadoras de celular terão assegurado o direito de receber a faixa de 700 MHz liberada para a oferta de 4G, conforme definiu o leilão de 2014?

    Figueiredo: Claro. Tem que haver respeito porque fizeram um investimento muito alto nisso. As empresas de radiodifusão também devem ter compreensão disso, liberando a frequência de 700 MHz.

    Valor: É possível que o prazo de Rio Verde seja adiado. Isso significa que não será necessário adiar o desligamento nas capitais?

    Figueiredo: Essa resposta eu preferia dar nas próximas duas semanas. Possibilidade existe. Não existe vontade. Um dos problemas é com as famílias de classe C e D, que não compraram o set-top box. Estamos conversando com o BNDES, para uma linha de crédito para a compra de TVs digitais.

    Valor: Como ficará a gestão das empresas ligadas ao ministério?

    Figueiredo: Houve uma sinalização de que, quando o PDT foi convidado para as Comunicações, teríamos a prerrogativa de gestão tanto do ministério quanto das coligadas. Poderíamos mudar o presidente da Telebras, mas não necessariamente, ao ser dada essa prerrogativa, nós a usaremos. Tenho um excelente relacionamento com o presidente Jorge Bittar e queremos fortalecer a empresa. E usaremos [essa prerrogativa] nos Correios, até porque é uma das empresas mais importantes do país e precisamos equacionar alguns problemas que ainda acontecem. Tem que ser uma empresa lucrativa, uma empresa de mercado, com resultados operacionais significativos em termos de lucratividade. Precisamos colocar uma gestão que seja voltada para isso, mas não fizemos a discussão do nome por enquanto.

    Valor: O sr. participa do núcleo político do governo. A reforma ministerial consolidou a base?

    Figueiredo: Mais do que isso, está sendo o 'modus operandi' da presidenta. Ela está trazendo para si a responsabilidade de comandar as reuniões, de dar o norte e buscar o diálogo. Dei a ideia de ela conversar individualmente com as bancadas e ela disse que faria, que é importante. Porque a presidenta, pelo distanciamento que teve com o Congresso no primeiro mandato, acabou gerando a situação de dificuldade política que passa no momento. Mas ela tem uma capacidade de atrair pessoas ao seu redor a partir do momento que mostra o seu conteúdo. Digo isso porque eu tinha restrições com ela antes da lei dos royalties, achava que não discutia com ninguém. Pode-se dizer que ela não discute, quando não se tem fundamento. Agora, quando você apresenta um arrazoado bem fundamentado, ela se abre à discussão e não é inflexível. Mais do que a reforma, foi a maneira de agir da presidenta que mudou, ela está tomando as rédeas.
    http://www.valor.com.br/empresas/429...oras-no-brasil

  4. #4
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    Oi aceita aporte bilionário de fundo russo e abre espaço para união com a TIM

    Marcelle Gutierrez e Beth Moreira - O Estado de S. Paulo
    30 Outubro 2015 | 11h 53


    SÃO PAULO - A Oi e a LetterOne Technology (L1 Technology), do bilionário russo Mikhail Fridman, assinaram contrato de exclusividade pelo prazo de sete meses, contados a partir de 23 de outubro. A operação tem como objetivo possibilitar a consolidação do setor de telecomunicações no Brasil, envolvendo uma potencial combinação de negócios com a TIM.

    Segundo fato relevante da Oi, enviado há pouco à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), após a proposta enviada pela Letter One a empresa enviou uma contraproposta de exclusividade, na qual a Oi e a L1 Technology teriam, mutuamente, um direito de exclusividade, por sete meses, com relação a, especialmente, combinações de negócios envolvendo companhias de telecomunicações ou ativos de telecomunicações no Brasil.

    "A Oi recebeu confirmação da L1 Technology de que concorda com todos os termos da contraproposta", informou a Oi.

    Se concretizada a operação, a Oi espera redução da alavancagem, geração de sinergias e ganho de escala. "Uma potencial união da Oi com a TIM Participações deve resultar na constituição de um operador mais completo e bem posicionado, capaz de competir com players globais já instalados no País. O consumidor deverá ser beneficiado com o consequente fortalecimento da companhia", informou a Oi, no documento enviado à CVM.

    No dia 26 de outubro, a Oi informou que recebeu uma proposta do grupo Letter One no dia 23 de outubro de aporte de até US$ 4 bilhões. O BTG Pactual recebeu a proposta do grupo russo e foi o responsável por desenvolver alternativas viáveis de estruturas que viabilizem sua participação na consolidação do setor no mercado brasileiro.

    O interesse do grupo russo já havia sido antecipado pelo jornal O Estado de São Paulo no último dia 24. O bilionário Mikhail Fridman tem investimentos, por meio de seu fundo LetterOne, em companhias de telecomunicações da Europa. Em abril, o fundo L1 anunciou ao mercado planos para investir US$ 16 bilhões em empresas de telecomunicações, tecnologia e também óleo e gás.

    Fridman é dono do Grupo Alfa, que controla um dos maiores bancos privados de investimento da Rússia. Nascido na Ucrânia, em 1964, o empresário pertence a uma das famílias mais ricas da Rússia. Ele começou seus negócios na área de entretenimento na década de 80. Hoje, seu grupo é controlador de operadoras de telefonia na Rússia, VimpelCom, e na Turquia, a Turkcell.

    Dívidas. A proposta da Letter One vem em um momento de persistência das dificuldades financeiras da Oi, mesmo após a venda dos ativos portugueses da Portugal Telecom para o grupo europeu Altice neste ano.

    A Oi tenta desde o ano passado viabilizar uma consolidação da indústria de telecomunicações do País, enquanto mantém planos de melhoria de sua governança e faz investimentos em banda larga. A empresa terminou o primeiro semestre com dívida líquida de R$ 34,6 bilhões e caixa de R$ 16,6 bilhões.

    A Telecom Italia, controladora da TIM, tem afirmado que a operação no Brasil é estratégica para a companhia. Em meados de setembro, o presidente-executivo da TIM, Rodrigo Abreu, tinha afirmado a investidores em Nova York que a operadora não estava buscando "agressivamente" uma fusão e que a empresa estava bem posicionada para se beneficiar da consolidação do mercado.

    (Com Lucas Hirata, da Agência Estado, e informações da Reuters)
    http://economia.estadao.com.br/notic...-a-tim,1788792

  5. #5
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    PR: Oi S.A.: Material Fact

    Oi S.A.: Material Fact - Execution of an exclusive agreement for a potential transaction that enables the consolidation of the sector

    RIO DE JANEIRO, Oct. 30, 2015 /PRNewswire/ -- Oi S.A. ("Oi" or "Company", Bovespa: OIBR3, OIBR4; NYSE: OIBR and OIBR.C), in accordance with Art. 157, paragraph 4 of Law No. 6,404/76, informs its shareholders and the market in general that, on October 28, 2015, after having evaluated the exclusivity proposal for the potential transaction with the purpose of making possible a consolidation of the Brazilian telecommunications sector involving a potential business combination with TIM Participacoes S.A. ("TIM Participacoes"), which was delivered by LetterOne Technology (UK) LLP ("L1 Technology") and disclosed by Oi in the Material Fact dated October 26, 2015, Oi sent a letter to L1 Technology , containing an exclusivity counterproposal, by which Oi and L1 Technology would grant each other a mutual right of exclusivity for a period of seven (7) months from October 23, 2015, with respect to, primarily, business combinations involving companies or assets in the Brazilian telecommunications sector.

    Oi has received confirmation that L1 Technology agrees with all the terms of the counterproposal. As a result, Oi and L1 Technology are bound by exclusivity for the period of seven (7) months from October 23, 2015.

    If the transaction is completed, we expect it would lead to a reduction in the leverage of Oi, becoming a more robust player, and would lead to the generation of important synergies and economies of scale, promoting value generation for all of our shareholders. A potential business combination of Oi and TIM Participacoes should result in the creation of a more complete and well-positioned telecommunications operator that would be able to compete against global players already operating in Brazil. Customers should benefit from the resulting strengthening of the Company.

    The Company will maintain its shareholders and the market informed with respect to any events related to the foregoing.

    Flavio Nicolay Guimaraes

    Chief Financial Officer and Investor Relations Officer

    Oi S.A.
    http://www.prnewswire.com/news-relea...300169482.html

  6. #6
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    Detalhe que a Oi teria que devolver seu espectro de frequências pois a TIM já tem frequências... isso vai tornar a rede da TIM, que já é congestionada, intragável.
    Mas permitirá que alguém novo entre comprando o espectro que era da Oi.

  7. #7
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    Polícia de Portugal investiga negociação entre a Oi e a Portugal Telecom em 2010

    Pagamentos vindos de construtoras como a Andrade Gutierrez teriam aberto as portas para que um acordo entre a Oi e a Portugal Telecom fosse autorizado pelo Brasil e pelas agências reguladoras.

    GENEBRA - A Polícia de Portugal está investigando pessoas próximas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, bem como a ex-governantes e gestores brasileiros e portugueses , num inquérito relacionado ao negócio fechado entre a operadora Oi e a Portugal Telecom (PT) em 2010. As revelações foram publicadas nesta segunda-feira pelo jornal português Público e confirmadas pelas autoridades policiais do país europeu.

    A suspeita é de que pagamentos teriam aberto as portas para que o acordo tivesse a autorização necessária da parte do estado brasileiro e agências reguladoras. O dinheiro para essa autorização teria vindo de construtoras brasileiras, numa forma de quitar uma dívida que existia entre essas empresas e a Portugal Telecom, avaliado na época em 1,2 bilhão de euros.

    O Ministério Público português confirmou ao Estado que existem duas investigações ocorrendo em paralelo e que a cooperação com o MP brasileiro tem sido "constante". Segundo o jornal, existe a suspeita de "pagamentos de várias dezenas de milhões de euros ao universo restrito do ex-presidente da República Lula da Silva, bem como a ex-governantes e gestores brasileiros e portugueses."

    O dinheiro teria vindo de empresas como a construtora Andrade Gutierrez, "através de territórios como Angola e Venezuela." O presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, é réu na Operação Lava Jato e é considerado um dos homens que permitiu o acordo entre a Portugal Telecom e a Oi, numa negociação que começou em 2007. A partir de agora, as autoridades dos dois países tentam estabelecer uma conexão a partir dos e-mails apreendidos, além de depoimentos e escutas telefônicas.

    Segundo o jornal Público, o inquérito afeta "a abrangência dos contatos que se estabeleceram entre os círculos próximos do ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva e os do ex-primeiro-ministro José Sócrates."

    Em janeiro, a polícia portuguesa realizou uma operação na sede da Portugal Telecom em Lisboa, com o objetivo de colher dados sobre o contrato com a Oi. Segundo a revista Sol, também de Portugal, documentos com anotações "Portugal Telecom" foram encontrados na casa de Luís Oliveira Silva, sócio e irmão de José Dirceu.

    O então presidente da Portugal Telecom, Henrique Granadeiro, ainda foi aconselhado pelo ex-presidente de Portugal, Mário Soares, a procurar o escritório de advocacia Fernando Lima, João Abrantes Serra e José Pedro Fernandes, a LSF & Associados. O gabinete é ligado à José Dirceu, segundo o jornal. Já Soares teria sido contratado para aproximar os empresários ao ex-presidente Lula.

    Dentro da Portugal Telecom, os pagamentos de 50 mil euros mensais para a LSF & Associados teriam gerado confrontos. "Luís Pacheco de Melo, ex-administrador financeiro da Portugal Telecom, questiona Granadeiro, mas o CEO o avisa que existe um acordo para cumprir", explica o jornal. Melo, ainda assim, suspenderia os pagamentos, mas só depois que 200 mil euros tivessem sido depositados. Ele ainda tentaria bloquear o acordo com a Oi.

    Ao mesmo tempo, a empresa portuguesa teria sido informada de que o "negócio com a Oi está condicionado à entrega ao grupo petista de 50 milhões de euros, verba que deve ser movimentada por uma conta em Macau. Sem pagamento, não haverá parceria".

    A partir desse momento, as conversas entre Lula e Sócrates teriam se intensificado. Ao jornal Diário de Notícias de 8 de julho de 2010, o próprio Dirceu afirmaria que sempre defendeu "a fusão da Oi com a Brasil Telecom ou com uma empresa como a Portugal Telecom."

    "As autoridades suspeitam agora de eventuais verbas ilícitas entregues ao grupo de Lula da Silva e a políticos e gestores portugueses. E os indícios apontam para uma origem na parcela de 1,2 bilhão, com o Ministério Público a querer saber quem deixou a sua assinatura ", concluiu o jornal.
    http://politica.estadao.com.br/notic...jornal,1789821

  8. #8
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    Dinheiro pago pela PT aos accionistas da Oi na mira dos investigadores

    Cristina Ferreira
    02/11/2015

    As autoridades policiais que investigam o negócio Oi-PT, celebrado em 2010, suspeitam que os movimentos financeiros que terão facilitado as autorizações políticas necessárias ao acordo de telecomunicações luso-brasileiro partiram das construtoras accionistas da operadora paulista, após terem recebido parte do dinheiro devido pela operadora portuguesa, no valor de 1200 milhões.

    Os últimos meses têm sido de grande azáfama para a Polícia Federal, que procura desmontar a teia de corrupção e de lavagem de dinheiro urdida à volta da cúpula política brasileira. Um escândalo conhecido por "Lava-Jato" (que se centra à volta de Lula da Silva) e que derivou para outras averiguações que se desenrolam em paralelo, uma delas com um elo luso-português: o negócio entre a PT e a Oi.

    As investigações que hoje decorrem no Brasil e em Portugal, de modo autónomo, mas com canais abertos, já deixam levantar a ponta do véu sobre possíveis pagamentos de várias dezenas de milhões de euros ao universo restrito do ex-Presidente da República Lula da Silva, bem como a ex-governantes e gestores brasileiros e portugueses. Movimentos financeiros que as autoridades suspeitam poderem ter saído de veículos internacionais ligados aos accionistas da Oi, encabeçados pela construtora Andrade Gutierrez, através de territórios como Angola (onde opera também via Zagope) e Venezuela.

    O presidente da Andrade Gutierrez é réu no processo Lava-Jato, sendo-lhe atribuídos os crimes de corrupção, de lavagem de dinheiro e de organização criminosa. Otávio Azevedo é considerado a cabeça da engrenagem que possibilitou o acordo entre a PT e a Oi em Julho de 2010. Um negócio que necessitou de múltiplas autorizações políticas dos dois lados do Atlântico e que começou a ser preparado no final de 2007 como resposta à intenção firme da Telefónica de adquirir os 50% da brasileira Vivo que estavam nas mãos da PT e que era o motor de crescimento da empresa portuguesa.

    À procura de pistas

    Este é um dossier que está a ser seguido pelas polícias brasileiras e portuguesas, que tentam apanhar o fio à meada. O PÚBLICO sabe que, a partir da documentação e de emails apreendidos, de escutas telefónicas e de depoimentos recebidos de viva voz, as autoridades têm procurado reunir provas para determinar estilos de actuação que se repetem, estratégias que não sejam meras coincidências. No actual cenário de maior sofisticação da criminalidade financeira, a recolha de prova directa encontra-se muito dificultada, pois o objectivo é detectar uma simultaneidade entre movimentos de dinheiro e a deslocação dos interesses no terreno, que, conjugadas com outros elementos, permitam dar consistência às suspeitas e indícios.

    Hoje, é do conhecimento geral que há inquéritos em curso confirmados pelos ministérios públicos de ambos os países relacionados com a abrangência dos contactos que se estabeleceram entre os círculos próximos do ex-Presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva e os do ex-primeiro-ministro José Sócrates. A Procuradoria-Geral da República já informou que as autoridades brasileiras pediram “a cooperação judiciária”, mas não avançou detalhes.

    Na lista de acções policiais consta o raide à sede da PT, na Avenida Fontes Pereira de Melo, em Janeiro de 2015, para recolher dados sobre os negócios com a Oi. E, no início de Setembro, o semanário Sol revelou que na casa de Luís Oliveira Silva, sócio e irmão de José Dirceu, o antigo homem forte de Lula da Silva, a Polícia Federal apreendeu um documento com uma anotação sobre a "Portugal Telecom”.

    A malha aperta-se, portanto, à volta da actuação da empresa nacional nos últimos anos e dos seus principais gestores e accionistas, alvo de vários processos judiciais. O mês passado ficou a saber-se que a operação Marquês (que tem no epicentro José Sócrates, Armando Vara, Carlos Santos Silva) se alargou à oferta pública de aquisição (OPA) lançada pela Sonae, em 2006, sobre a PT. Recentemente, o Diário de Notícias informou que o Ministério Público ouviu, a 22 de Setembro, o presidente da Sonae, Paulo Azevedo, na qualidade de testemunha.

    Em causa estão os trâmites que envolveram o chumbo da OPA na assembleia geral de 2 de Março de 2007 e que forjou uma aliança entre accionistas da PT, encabeçada pelo BES e pela Ongoing, e o Estado. Depois de na fase inicial ter dado sinal de que apoiava a OPA, Sócrates acabaria por recomendar à Caixa Geral de Depósitos, que tinha como vice-presidente Armando Vara, para se abster na decisão, o que ditou o fim da oferta. Daí ser previsível que o MP procure encontrar uma ligação do voto do banco estatal a possíveis movimentos de dinheiro.

    O início do negócio

    No entanto, foi no seguimento desta operação que se deu a aproximação à Oi. A Telefónica, grande accionista da PT, tinha celebrado um pacto secreto com a Sonae: caso a OPA vencesse, venderia os 50% da Vivo nas mãos da PT. Acossado pela “traição”, o núcleo duro da PT (BES-Ongoing) começou a procurar um novo acelerador de crescimento no Brasil.

    Data desta época o discurso do então presidente da PT, Henrique Granadeiro, a defender a criação de um operador transatlântico de língua portuguesa, como alternativa à Vivo. Sabe que a Vivo irá, mais tarde ou mais cedo, parar às mãos da Telefónica. O plano levá-lo-á diversas vezes a São Paulo, onde mantém reuniões com velhos conhecidos. Um deles foi Otávio Azevedo. Em 1998, a Andrade Gutierrez (28%) apareceu associada à PT no consórcio para comprar a Telesp Celular (que dará origem à Vivo), ao lado da Telefónica (19%). Mas antes de a privatização estar concluída a construtora saltou fora.

    Oito anos volvidos os caminhos da PT e da Gutierrez voltam a cruzar-se. Otávio Azevedo assumirá um papel fulcral nas conversações que daí em diante se desenrolam. Começava a ser preparado o embrião da operação PT-Oi que será anunciado quatro anos depois.

    Em simultâneo, Granadeiro movia-se junto das altas esferas do Governo brasileiro para encontrar aliados. A 8 de Junho de 2007, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, declarou publicamente ser favorável ao projecto da PT e deu garantias de empenho junto de Lula da Silva para que este recebesse de "braços abertos" a ideia “defendida por Henrique Granadeiro”.

    Foi neste contexto que o ex-Presidente da República Mário Soares foi sondado pela PT, para ajudar a criar pontes com o Presidente Lula. E é Soares que aconselha Granadeiro a procurar o escritório de advocacia Fernando Lima, João Abrantes Serra e José Pedro Fernandes, a LSF & Associados. O gabinete é sócio no Brasil de José Dirceu, o líder petista conhecido como facilitador de negócios, a quem a LSF chegara anos antes por via de José Pedro Fernandes. Mas será Abrantes Serra a apresentar Dirceu a Nuno Vasconcelos e a Rafael Mora, da Ongoing (e a Miguel Relvas). Dirceu, que surgiu nos epicentros dos grandes escândalos que rebentaram no Brasil ("mensalão", Lava-Jato e "petrolão"), é classificado pela Polícia Federal como o “chefe da quadrilha”. Dirceu contesta e diz que é vítima de perseguição política.

    Passado pouco tempo na folha de avenças mensais da PT começa a constar o nome do escritório de advocacia LSF & Associados com facturações mensais de 50 mil euros. Quando detecta os movimentos, Luís Pacheco de Melo, ex-administrador financeiro da PT, questiona Granadeiro, mas o CEO avisa-o que existe um acordo para cumprir – o que não impede o ex-CFO da PT de suspender as avenças, mas não evita a entrega à LSF de 200 mil euros. A colaboração da LSF-Dirceu com a PT foi confirmada ao PÚBLICO pelos protagonistas.

    O PÚBLICO pediu aos principais responsáveis envolvidos neste dossier para comentarem informações ou prestarem esclarecimentos, mas todos declinaram. Pacheco de Melo alegou não ter disponibilidade para o fazer por estar a viver fora de Portugal (é o novo administrador financeiro da Mota Engil na América Latina), enquanto Henrique Granadeiro optou por sublinhar que estão a decorrer vários processos judiciais envolvendo a ex-PT (agora Pharol) pelo que tem dever de sigilo.

    Um dos visitantes mais assíduos de Ricardo Salgado (hoje em prisão domiciliária no âmbito do caso Monte Branco, que investiga o maior caso de crimes de branqueamento de capitais) será Otávio Azevedo, que tem casa em Lisboa. Entre o final de 2007 e o começo de 2011, há registo de várias idas à sede do BES, para manter reuniões com o banqueiro. Por vezes, aparecem Nuno Vasconcellos e Henrique Granadeiro. Era o início da preparação da parceria PT-Oi, que será monitorizada pelo Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, tutelado por Mário Lino (próximo de Sócrates). O seu chefe de gabinete, Luís Ribeiro Vaz, tem grande proximidade do núcleo duro da PT. António Cunha Vaz, que trabalhou com a Sonae na OPA, relatou em 2012 ao PÚBLICO: “Ouvi Ribeiro Vaz contar que uma parte do dia estava no gabinete de Mário Lino [com quem Azevedo discutia os detalhes da OPA] e a outra com a Ongoing a montar a estratégia contra a OPA.”

    [continua]

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    [continuação]


    Após o escândalo "mensalão" (ligado à compra de votos de parlamentares brasileiros entre 2005 e 2006), começa a procura de novas fontes de rendimento. No final de 2008, chegava a Lisboa José Dirceu, coincidindo com a visita de Lula da Silva, que está em viagem oficial.

    As grandes operações a necessitar de autorizações estatais estão, por vezes, reservadas a quem paga comissões. E à Avenida Fontes Pereira de Melo, sede da PT, vai chegar a informação de que o negócio com a Oi está condicionado à entrega ao grupo petista de 50 milhões de euros, verba que deve ser movimentada por uma conta em Macau. Sem pagamento, não haverá parceria.

    Na PT torce-se o nariz e o ex-CFO Pacheco de Melo declara que as avaliações técnicas à Oi não o convenceram. E não há acordo quanto aos termos da transacção. A primeira tentativa de junção da PT-Oi não será bem sucedida, o que não impediu que as portas continuassem abertas a um entendimento.

    Enquanto tudo isto se passa, a Telefónica prosseguia o seu objectivo de adquirir os 50% que lhe faltam da Vivo. E procura apoio junto de Abrantes Serra e da consultora Oliveira e Silva & Associados. Esta empresa, ligada a Dirceu e ao irmão Luís Oliveira Silva, foi identificada pela Polícia Federal como suspeita de intermediar pagamentos ilícitos a terceiros, com cobrança de comissões em grandes transacções.

    No primeiro semestre de 2010, a banca portuguesa, que apostara no financiamento em larga escala, contando com o fácil acesso aos mercados, com baixas taxas de juro, dá por terminado o ciclo favorável. E, sabe-se agora, que no BES havia contas para pagar.

    Por volta de Abril são reabertos os contactos com a Oi. E Salgado, Vasconcellos, Granadeiro e Otávio Azevedo voltam a juntar-se em Lisboa para ultrapassar o impasse. Em comum têm problemas para resolver: o BES enfrenta restrições financeiras, a Ongoing tem dívidas de quase 800 milhões, a PT quer encontrar um substituto para a Vivo, a Oi está alavancada no banco estatal BNDES.

    Mas no Brasil falta dar um empurrão ao acordo PT-Oi. Para impor um deadline, a Telefónica antecipa-se e oferece à PT, a pronto pagamento, 7,15 mil milhões de euros por 50% da Vivo.

    Quando, finalmente, a Telefónica dá o passo em frente, a administração da PT anuncia que levará a proposta à assembleia geral (AG) de 30 de Junho de 2010 com recomendação positiva. O Estado tem uma golden share (acções com direitos especiais) e José Sócrates veta a operação com o argumento de que só a autorizará depois de a operadora lhe apresentar uma alternativa no Brasil.

    O foco da AG sofre uma reviravolta que surpreendeu a maioria dos presentes. Sobre este incidente há opiniões: os grandes accionistas e gestores da PT foram apanhados desprevenidos; o veto de Sócrates foi concertado com o núcleo duro da PT para criar dificuldades e obrigar a acelerar o fecho do negócio.

    Conversas entre Lula e Sócrates

    Nos dias seguintes multiplicam-se as conversas entre Lula e Sócrates e os entendimentos entre a PT e a Oi. Movimentações que se tornam claras quando, a 8 de Julho, José Dirceu surgiu em Lisboa a dar uma entrevista ao Diário de Notícias: “Sempre defendi a fusão da Oi com a Brasil Telecom ou com uma empresa como a PT.” Na altura, fonte não oficial da PT inquirida sobre o que veio fazer Dirceu a Portugal, foi taxativa: “Nunca trabalhámos com os escritórios de Dirceu no Brasil, mas não podemos garantir que os accionistas não o tenham feito.”

    Dias depois o jornal Folha de São Paulo avançava que Brasília "articula uma operação para que a Oi e a PT virem sócias". E refere: Lula da Silva e José Sócrates já trataram do assunto. Ora, Otávio Azevedo é um homem de muitas conexões políticas. O BNDES, o banco estatal brasileiro presidido por Luciano Coutinho, detém 5% da Oi, e está agora a ser alvo de averiguações por contratos de financiamentos suspeitos, nomeadamente com Angola. Outro investidor da Oi é o Pactual, liderado por André Esteves, que é o banco de investimento da Andrade Gutierrez. Quer Luciano Coutinho, quer André Esteves são figuras do círculo de Lula da Silva.

    A 27 de Julho de 2010 é anunciado fumo branco. A Telefónica vai pagar pelo controlo da Vivo 7,5 mil milhões (sobe o preço para o Estado salvar a face, mas o valor será liquidado em três tranches) e a PT aceita adquirir 23% da Oi por 3,75 mil milhões, dos quais dois terços se destinarão a aumentar o capital da operadora paulista. A restante parcela, 1,2 mil milhões, será partilhada pelos accionistas.

    Os acordos finais vão continuar a exigir reuniões no BES e na PT. E sempre à porta fechada. O pacto definitivo será celebrado a 26 de Janeiro de 2011, enquanto os pagamentos da PT à Oi só ficarão concluídos nos meses seguintes.

    As autoridades suspeitam agora de eventuais verbas ilícitas entregues ao grupo de Lula da Silva e a políticos e gestores portugueses. E os indícios apontam para uma origem na parcela de 1,2 mil milhões, com o Ministério Público a querer saber quem deixou a sua assinatura.

    O negócio PT-Oi parecia ser a combinação perfeita, mas produziu escândalo e transfigurou-se, seja pela diminuição do peso dos accionistas nacionais na Oi (por via do impacto do BES), seja pela venda da PT Portugal aos franceses da Altice. A ligação promíscua ao seu accionista emblemático, o BES, revelou-se fatal para a PT. E, quando o GES ruiu, foi obrigada a contabilizar uma perda de quase mil milhões de euros que se traduziu no fim do grande projecto luso-brasileiro. E levou às demissões de Granadeiro e Zeinal Bava.

    A 19 de Junho, o juiz Sérgio Moro deu ordem de prisão a Otávio Azevedo, por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa para fraudes em licitações milionárias da Petrobras entre 2004 e 2014, com depósitos no exterior.

    A defesa do ex-administrador da PT (Azevedo foi nomeado administrador em 2011), em representação da Oi, contestou e alegou que o gestor era presidente da holding Andrade Gutierrez, com funções de representação institucional e que “nunca teve conhecimento da dinâmica comercial e operacional” da construtora. O juiz respondeu que tem provas significativas dos crimes e manteve-o preso.

    http://www.publico.pt/economia/noticia/x-1713019

  10. #10
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    Diretor da Oi ligado ao PT vira alvo da Lava-Jato

    Por André Guilherme e Graziella Valenti – Valor Econômico
    06/11/2015 09:47


    O diretor da Oi e ex-sindicalista ligado ao PT, José Zunga Alves de Lima, é alvo da Operação Lava-Jato por suspeita de atuar no governo federal para atender a interesses da Andrade Gutierrez e da Odebrecht - empreiteiras investigadas por suspeitas de formação de cartel e corrupção na Petrobras.

    Em investigação sigilosa da Polícia Federal (PF), Zunga é descrito como um contato "com trânsito no alto escalão do governo federal".

    A PF afirma que "além de diversos contatos com autoridades em nome da Andrade Gutierrez, as quais podem ter sido beneficiadas por repasses ilícitos, dissimulados ou travestidos de doações eleitorais, chama a atenção a intermediação do contato entre Zunga e Benedicto Júnior [presidente da Odebrecht Infraestrutura]", buscando o último resolver um problema relacionado ao Consórcio Mobilidade Bahia".

    Zunga é próximo do ex-presidente Lula, que o indicou ao conselho consultivo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em 2008, como representante da sociedade civil. Em 2010, a Justiça Federal o afastou do conselho por ocupar cargo na Oi.

    Segundo a PF, Zunga prestou assessoria à GameCorp, empresa de jogos do filho de Lula, Fábio Luis, o "Lulinha", que recebeu investimento da Oi em 2005.

    A Andrade Gutierrez esteve no bloco de controle da Oi, antiga Telemar, desde a privatização do sistema Telebrás (em 1998) até setembro de 2015, quando a tele encerrou longo processo de reestruturação com a dispersão de seu controle acionário - mas ainda é acionista da operadora.

    O mesmo relatório menciona também Benedicto Barbosa da Silva Júnior, presidente da Odebrecht Infraestrutura. Segundo a PF, ele procurou contatar José Zunga em busca de auxílio para um "problema" relacionado a uma obra em São Paulo, pelo fato de a Andrade Gutierrez ter enfrentado dificuldade semelhante em empreendimento em Salvador - projeto do Consórcio Mobilidade Bahia, para construção de linha de metrô na capital baiana.

    O consórcio é operado pela Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR), empresa de mobilidade urbana que tem Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa em seu bloco de controle, com 20% das ações cada uma. Ao Valor, Zunga negou conhecer ou sequer ter falado com Benedicto da Silva Júnior: "Não conheço ninguém da Odebrecht", disse.

    "Na Bahia? Não tenho nada a ver. Não tenho nenhuma ação lá, não interajo com governo. Não atuo em metrô. Sou muito pequenininho para ter envolvimento em negócio desse tamanho. Isso está distante do meu radar de ação, do meu mundo, do meu conhecimento, muito, muito distante."

    Zunga fez carreira no sindicalismo no setor de telefonia. Hoje na Oi, o também ex-dirigente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Distrito Federal é originário da Brasil Telecom (BrT), adquirida em 2008.

    Consultada, a Oi "informa que o senhor José Zunga está contratado para prestar exclusivamente serviços para o negócio da companhia e desconhece qualquer atuação para terceiros". A nota informa que "a companhia questionou o senhor Zunga pelo fato relatado, o qual ele negou peremptoriamente". Segundo o comunicado, "a Oi desconhece qualquer investigação que relacione o senhor Zunga a qualquer irregularidade. Caso haja confirmação, investigação e eventual comprovação dos fatos relatados, a companhia tomará as providências cabíveis", diz.

    A BrT foi uma concessionária com atuação no Centro-Oeste e Sul do país. Era controlada por um consórcio integrado pelos fundos de pensão de empresas estatais Petros (Petrobras), Previ (Banco do Brasil) e Funcef (Caixa Econômica Federal), além do banco Opportunity (do empresário Daniel Dantas), do Citibank e da Telecom Itália. Ficou conhecida por protagonizar uma das maiores disputas corporativas do país entre seus acionistas. A aquisição da empresa pela Oi em 2008 demandou alterações na Lei Geral de Telecomunicações (LGT).

    O relatório de inteligência policial mostra o avanço das investigações sobre o que a PF considera "a influência de grandes grupos empresariais na política nacional". Há destaque para o fato de as empreiteiras, segundo a PF, terem supostamente redigido memoriais ao então presidente Lula "para que este não esquecesse nenhum detalhe do que deveria ser falado a outras autoridades na defesa dos interesses da Odebrecht". Não fica claro, no documento, se isso ocorreu durante o segundo mandato de Lula ou depois de ele ter deixado o Palácio do Planalto.

    Na apuração da PF sobre a suposta atuação de Zunga no governo federal, em 2013, os investigadores relatam a descoberta de outros elos entre as empresas investigadas e agentes públicos.

    Entre os suspeitos está ainda Michel Sarkis, ex-executivo da Contax, empresa de teleatendimento que nasceu dentro da Oi. Hoje a empresa de telefonia não possui mais vínculo societário com a Contax - ainda controlada pela Andrade Gutierrez. A reportagem não localizou Sarkis.

    Ele foi executivo da Contax de 2000 a 2012, chegando a ocupar a presidência da companhia. Sarkis é classificado como "possivelmente um operador", inclusive por meio da Contax, sustenta a PF. Procurada, Contax disse que não comentaria o caso.

    A Lava-Jato observa que, apesar de ligados a empresas distintas, José Zunga e Benedicto da Silva Júnior atuavam no mesmo segmento. A PF diz que ambos trabalharam juntos "comprovadamente" em ao menos uma oportunidade. A conclusão é que eles agiam para auxiliar os dirigentes da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, e da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, "na realização dos seus projetos políticos-econômicos".

    A Andrade disse que não comenta processos em andamento. A Odebrecht não respondeu até o fechamento desta edição. O Instituto Lula disse que não iria comentar "o vazamento de um suposto documento".

    http://www.valor.com.br/politica/430...o-da-lava-jato

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