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    Abril deixará de publicar revista 'Playboy'


    ALEXANDRE ARAGÃO
    DE SÃO PAULO
    19/11/2015 14h50

    A Editora Abril anunciou nesta quinta-feira (19) que deixará de publicar as revistas "Playboy", "Men's Health" e "Women's Health".

    Isso não significa necessariamente, no entanto, que a "Playboy" deixará as bancas brasileiras.

    Há negociações avançadas entre uma editora brasileira e a Playboy Enterprises, empresa americana que controla os direitos sobre a franquia, para que o título continue a circular no país, segundo a Folha apurou.

    A editora Globo está em negociação para publicar a "Men's Health" e "Women's Health".

    Um dos principais motivos para a Editora Abril optar por deixar de publicar a revista foi o pagamento de royalties pelo uso da marca à empresa americana. A mesma questão se impôs nos casos da "Men's Health" e da "Women's Health", publicadas no Brasil pela Abril, cujas marcas pertencem à editora americana Rodale Press.

    A Editora Caras, que nos últimos meses absorveu diversos títulos da Abril —como a "Placar" e a "Você S/A"—, não está interessada na "Playboy" exatamente pela obrigação de pagar royalties.

    A Abril decidiu priorizar sua revista masculina própria, a "VIP", que não publica fotos de nudez feminina. Em 2010, a editora lançou a "Alfa", revista voltada ao público masculino com alto poder aquisitivo, mas a publicação durou menos de três anos.

    Os funcionários que trabalhavam na "Playboy" brasileira receberam um aviso de que poderão ser realocados em outras revistas e sites da Abril, mas ainda não há definição.

    De acordo com dados de janeiro a setembro do IVC (Instituto Verificador de Circulação), a "Playboy" era, em agosto, a 24º revista mensal com maior circulação no País (79.163 exemplares); a "Men's Health", a 32º (61.747); e a "Women's Health", a 43º (37.698).

    Os assinantes dos títulos descontinuados terão seus exemplares de dezembro entregues normalmente e poderão optar por outra revista do portfólio da companhia, nas versões impressa ou digital.

    ENXUGAMENTO

    O fim da publicação pela Editora Abril de "Men's Health", "Women's Health" e "Playboy" faz parte de um processo de enxugamento do portfólio iniciado em 2013 e que se intensificou em 2015.

    A empresa se desfez da licença para publicar a revista "Runner's World".

    Em setembro de 2013, as publicações "Alfa", "Bravo!", "Lola" e "Gloss" foram fechadas.

    Em dezembro de 2014, as edições impressas de "Veja Belo Horizonte", "Veja Brasília" e "Info" foram extintas. As publicações passaram a existir exclusivamente on-line.

    Em junho de 2015, "Você RH", "Você S/A", "Tititi", "Placar", "Ana Maria", "Arquitetura & Construção" e "Contigo!" foram vendidas. As edições impressas de "Exame PME" e "Capricho" passaram a existir apenas no on-line.

    Em julho de 2015, "Aventuras na História", "Bons Fluidos", "Manequim", "Máxima", "Minha Novela", "Recreio", "Sou+Eu", "Vida Simples" e "Viva Mais" foram vendidas.

    NUDEZ EM CRISE

    No início de outubro, a versão americana da revista 'Playboy' havia anunciado que deixaria de publicar imagens de mulheres nuas devido à concorrência da internet, que banalizou o acesso a esse tipo de imagens.

    O movimento gerou especulações sobre se o mesmo seria feito no Brasil, o que foi negado em editorial da publicação assinado por Sérgio Xavier, que comanda a revista.

    Em entrevista à Folha após a mudança na edição americana, Xavier confirmou, no entanto, que o nu vinha perdendo força. "Estamos gradativamente perdendo com o nu. Precisaremos pensar em como fazer a transição", disse.

    COMUNICADO

    Veja abaixo o comunicado completo:

    "Dando continuidade à estratégia de reposicionar-se focando e dirigindo seus esforços e investimentos às necessidades dos leitores e do mercado, a Editora Abril deixará de publicar, em 2016, as versões brasileiras das revistas Men's Health, Women's Health e Playboy.

    Esse movimento é parte de uma profunda e arrojada mudança da empresa, processo iniciado há cerca de um ano com a revisão do portfólio de produtos e a radical readequação das ofertas Abril à sua audiência, aos seus anunciantes e agências. Esse novo posicionamento compreende soluções cada vez mais eficientes, com a expansão digital fortemente ancorada por Big Data (ABD - Abril Big Data) e Branded Content (Estúdio ABC - Abril Branded Content).

    A nova oferta Abril para anunciantes e agências

    "Temos marcas fortes, marcas respeitadas, que pautam o país em moda, beleza, política, negócios e diversos outros temas, como o mercado automotivo, design e decoração. O que estamos ofertando ao mercado publicitário com muito sucesso é a Jornada do Consumidor. Nossos anunciantes acompanham seu grupo definido de consumidores nos ambientes on e off-line - na web, nas redes sociais, em nossos sites, em nossas revistas, no mobile, onde seja -, entrando assim nas conversas que definem as decisões dos consumidores. Com a criação do Estúdio ABC e do Abril Big Data, o ABD, facilitamos a participação das marcas nesses encontros, nessas conversas. É o nosso expertise na criação de conteúdos e em encontrar os consumidores a serviço de nossos parceiros de negócios", explica Alexandre Caldini, Presidente da Editora Abril.

    Os assinantes dos títulos descontinuados

    Os assinantes desses títulos terão seus exemplares de dezembro entregues normalmente e poderão optar por outra revista do portfólio Abril, nas versões impressa ou digital."
    http://www1.folha.uol.com.br/mercado...-playboy.shtml

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    "Branded Content"

    Com a criação do Estúdio ABC (Abril Branded Content) e do Abril Big Data, o ABD, facilitamos a participação das marcas nesses encontros, nessas conversas. É o nosso expertise na criação de conteúdos e em encontrar os consumidores a serviço de nossos parceiros de negócios", explica Alexandre Caldini, Presidente da Editora Abril.


    Parece, mas não é

    Vera Guimarães Martins
    Jornalista, ombudsman da Folha de SP.
    11/10/2015

    A Folha anunciou nesta semana a criação do Estúdio Folha, um departamento independente destinado a produzir conteúdo feito sob medida para anunciantes. Segundo reportagem publicada na quarta (7), trata-se de uma unidade totalmente desconectada da Redação, com equipe própria e subordinada à superintendência da empresa, instância responsável pelo departamento de venda de publicidade.

    A iniciativa se filia a um movimento feito por veículos de comunicação de várias partes do mundo (incluindo os só digitais) de buscar novas fontes para compensar o faturamento perdido nos últimos anos.

    É questão de sobrevivência. A internet provocou uma disrupção no modelo de negócio dos jornais, com consequências aparentemente contraditórias: ao mesmo tempo em que multiplicou exponencialmente seus leitores, solapou sua estrutura de sustentação financeira –registre-se que com a ajuda dos próprios meios, cujos sites num primeiro momento passaram a entregar de graça o conteúdo até então vendido.

    E não dá nem para dizer que foi um erro. O potencial e as incógnitas da tecnologia pareciam então não deixar saída, assim como as interrogações sobre o futuro do impresso parecem não deixar agora. O digital é caminho sem volta, mas ainda não desenvolveu musculatura para sustentar os custos da produção de notícias. A conta precisa fechar.

    A entrada dos jornais na seara do conteúdo pago é um terreno delicado, que esbarra no que o jargão jornalístico costuma chamar de "separação entre Igreja-Estado", metáfora que simboliza a independência da Redação diante do departamento comercial (não me perguntem quem é quem na metáfora). A criação de uma unidade à parte é um imperativo para sinalizar ao leitor que a separação continua e não pôr em risco a credibilidade do jornal.

    A rigor, o que essas unidades produzem é publicidade embalada em técnicas e aparência jornalística: é reportagem, mas pauta e conteúdo são aprovados pelo anunciante.

    Explica a direção: "O material produzido tem apresentação (o formato e o tamanho da letra, a diagramação da página) diferente da exibida no conteúdo editorial. Além disso, ele sempre destaca o patrocínio do anunciante e ostenta o selo do Estúdio Folha. Tudo isso é feito para que o leitor compreenda que esse material não é um produto da Redação, e sim um conteúdo de natureza publicitária."

    Tenho sérias dúvidas sobre essa compreensão. Primeiro porque não creio que a maioria do leitorado consiga fazer distinção entre sutilezas gráficas. Depois porque a própria Folha adota diagramações diferentes em especiais tradicionais, embora mantenha sempre a mesma letra no texto.

    Além disso, o termo "patrocinado por" já é tradicionalmente usado com outra conotação: patrocinar não implica poder de interferir no conteúdo, como ocorre na chamada publicidade nativa –que continua sendo publicidade, só que produzida pelo próprio veículo com figurino de texto noticioso.

    Não acho que o conteúdo por encomenda seja um problema per se, desde que sua condição seja exposta de forma transparente e com clareza tal que não haja risco de o leitor confundir gato com lebre. Minha impressão é que essa clareza está longe de ter sido garantida.

    http://www1.folha.uol.com.br/colunas...as-nao-e.shtml
    Como profetizado por visionários da imprensa, a Internet "grátis" segue rumo ao conteúdo banal, ordinário, sem credibilidade e sem utilidade. Quem desejar qualidade, terá que pagar, e caro.

  4. #4
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    Entrevista com Jorge Fontevecchia

    Publisher e cofundador do conglomerado argentino Grupo Perfil, Fontevecchia, que comprou em junho sete revistas da editora Abril (já havia comprado outras dez recentemente), disse ser otimista quanto à recuperação econômica do Brasil e da Argentina, e um futuro "de longa vida aos meios impressos, com as novas plataformas".

    ...

    O sr. comprou recentemente sete publicações da editora Abril ["Placar" e "Contigo", entre outros] e segue investindo no mercado brasileiro, que vive um momento de pessimismo por causa da redução da verba publicitária. Por quê?

    Creio que o pessimismo é exagerado. Entendo que se associe a queda publicitária com a crise econômica, e ambos são problemas reais. Porém, creio que o Brasil sairá fortalecido dessa crise, com instituições mais sólidas. Depois do período e da retomada do crescimento, não tenho dúvida de que haverá mercado para jornais, TVs, revistas e meios digitais.

    Os empresários da mídia argentina não parecem tão preocupados com queda de circulação dos jornais ou a redução da publicidade. Por quê?

    Somos duas culturas diferentes. O Brasil olha muito para os EUA, o mercado argentino está mais identificado ao europeu, onde essa urgência de migrar para o digital não é tão grande. O Brasil sempre foi mais televisivo, a Argentina, mais habituada à imprensa escrita.

    Vejo um retorno ao papel agora, pois a publicidade on-line tem imensa dificuldade de se expandir. Dito isso, porém, concordo que as empresas jornalísticas terão de ser cada vez mais multiplataforma. Caminhamos para a multissegmentação, é inevitável. Tem a ver com o redesenho de modelos aos hábitos de leitura e aos tempos da audiência. Se antes havia mais leitura de segunda a sexta, hoje é de sexta a domingo.

    Comparo o que ocorre com as transformações atuais por causa da internet com o teatro aqui na Argentina. Nos anos 1920, havia salas para 3.000 pessoas, com duas sessões diárias, orquestra, mais de 50 atores no palco. Hoje há muito mais salas, mas com apenas 300 poltronas, quatro atores e sessões de quinta a domingo. Há menos teatro? Não, apenas mudou o modo como se apresenta e é consumido.

    Como o teatro, o meio gráfico tem um fetiche, algo que não vai se extinguir, por mais que a internet seja uma maravilha e represente um salto quântico na história da humanidade.
    http://www1.folha.uol.com.br/mercado...de-midia.shtml

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