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  1. #1
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    Recessão sem precedentes. PIB -4% em 2016, -1% em 2017

    Projeções indicam que a taxa de desemprego alcançará 13% em 2017.



    País pode ter recessão inédita, diz estudo do Credit Suisse

    ÉRICA FRAGA
    DE SÃO PAULO
    07/02/2016 02h00

    A economia brasileira corre o risco de mergulhar em um período de três anos seguidos de contração, fato inédito desde 1901, início da série histórica.

    Dados muito negativos de atividade econômica referentes ao fim de 2015 e o início deste ano têm levado as projeções de analistas para o desempenho do PIB em 2016 (Produto Interno Bruto) a continuar piorando.

    O banco Credit Suisse esperava contração de 3,5% do PIB, mas agora já trabalha com número mais próximo de 4%, mesma estimativa da instituição para 2015. E, para 2017, projeta um terceiro recuo, entre 0,5% e 1%.

    A última vez que o PIB encolheu por dois anos seguidos foi no biênio 1930-1931, quando a economia global passava por crise severa após a quebra da Bolsa de Nova York. Um período de três anos de contração nunca ocorreu.

    O Itaú Unibanco anunciou na sexta (5) esperar contração de 4% do PIB em 2016. Antes, projetava recuo de 2,8%. Para 2017, estima expansão modesta de 0,3%.

    A consultoria MB Associados trabalha com cenários alternativos: com e sem a presidente Dilma Rousseff.

    Se a presidente deixar o governo, espera queda de 3% do PIB neste ano e expansão de 0,6% no próximo.

    Caso Dilma sobreviva ao processo de impeachment, os números mudam para duas contrações de 4,1% e 1%.

    "Não há nada nem de perto comparável à crise atual", diz Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, que acredita que o governo ainda não adotou mecanismos capazes de reverter esse quadro.

    SEM PRECEDENTES

    O ciclo recessivo longo tem mergulhado o país num cenário de grande incerteza, acentuado pela crise política doméstica e pela situação externa desfavorável, principalmente por causa dos riscos de desaceleração mais forte do que o esperado na China.

    Esse contexto de poucos precedentes dificulta a projeção dos indicadores econômicos e sociais brasileiros.

    "O fato de que nunca vimos isso antes dificulta muito a análise econômica", afirma Leonardo Fonseca, economista do Credit Suisse.

    A equipe da instituição tem feito análises detalhadas da história de outros países que já viveram recessões prolongadas para ajudar na estimativa dos dados de atividade econômica brasileiros.

    Descobriu, por exemplo, que nações cujos mercados de trabalho se comportam de forma semelhante ao brasileiro tiveram, em média, alta anual na taxa de desemprego de 2,9 pontos percentuais quando viveram contrações maiores que 2% por, pelo menos, dois anos seguidos.

    O resultado ajuda a embasar a expectativa do Credit Suisse de que a taxa de desemprego —medida pela pesquisa Pnad Contínua (IBGE)—, que foi de 6,8% em 2014 e deve ter chegado a 8,3% em 2015, alcançará 13,5% em 2017.

    O Itaú Unibanco também espera que o desemprego ultrapasse 13% no próximo ano. Segundo Felipe Salles, economista do banco, o cenário atual é de profunda incerteza para o Brasil e o mundo.
    http://www1.folha.uol.com.br/mercado...t-suisse.shtml

  2. #2
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    Não há quem lidere retomada do país, diz presidente da FecomercioSP

    SILVIO CIOFFI
    DE SÃO PAULO
    07/02/2016

    "Não vejo nesses políticos que estão aí nenhuma condição de protagonizar mudanças. Devemos chegar a 2018 sem fazer alterações, o governo tende a remendar até lá."

    É o que prevê Abram Szajman, presidente, desde 1985, da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens e Serviços e Turismo do Estado de São Paulo). A organização congrega 157 sindicados patronais e administra o Sesc, o Senac e o Sebrae.

    Segundo ele, a crise econômica afugentou qualquer tipo de consumo. "As pessoas não querem se endividar mais e estão desconfiadas."

    Leia a seguir os principais trechos da entrevista.


    Folha - Como o sr. vê a situação da economia, as muitas lojas para alugar em SP, o comércio machucado...?

    As vendas do comércio varejista paulista permaneceram negativas em outubro -e caíram 10,2% na comparação com o mesmo mês de 2014, com faturamento de R$ 46,1 bilhões, a menor receita para o mês desde 2010.

    Diria que nas grandes capitais, o grande e o médio estão menos estabilizados que os pequenos. No campo, mesmo com problemas, parece que a renda está se mantendo. Os pequenos se adaptam com mais velocidade.

    E como fica o índice de confiança dos consumidores e dos produtores? E a questão do deficit do Estado?

    O governo não tem força política, não existe alguém que tenha condições de aglutinar forças e organizar uma reforma do Estado brasileiro. A crise de confiança é grande tanto do lado do consumidor como do lado do produtor.

    No período 2015/2014, os índices de confiança dos empresários caíram -e as famílias estão endividadas, com a renda caindo. Não vejo o que fazer -e, não, não quero ser ministro da Fazenda!

    Mas como vai ser, daqui para frente, o comportamento fiscal dos governos? Digo, dos municípios, dos Estados e do governo federal?

    O governo federal não tem força para reestruturar o Estado, não existe hoje a entidade executiva, não há alguém capaz de protagonizar reformas estruturais.

    No país, o Estado não cabe hoje no PIB, não há condições de se fazer uma reforma da Previdência. Cortes teriam de ser feitos para ter superavit fiscal: numa época se falava de 3% ou 4%, agora falam de 0,5%. Aliás, duvido que se consiga economizar 0,5% do PIB.

    Em resumo, conseguiram afugentar todo mundo que poderia comprar alguma coisa. As pessoas não querem se endividar mais e estão desconfiadas; e tem a questão da manutenção do emprego.

    Além da falta de liderança, o sr. acha que o governo tem instrumentos de política monetária para enfrentar a crise econômica e a inflação?

    O problema não é monetário, é fiscal. Isso vai até 2018 tapando buraco e o deficit vai para 70% do PIB, o que é inviável. Sei que vamos ter problemas pela frente.

    De todo o modo, por conta da dinâmica da economia, acho que a inflação ainda vai abaixar um pouco nesse ano. Estamos repetindo problemas estruturais de 1984, 1985, e quando não se resolve o problema, ele volta.

    A pergunta é se vamos ter um líder capaz de promover uma reforma constitucional, que seja capaz de aprovar coisas nesse Congresso. E eu não vejo ninguém.

    Como o sr. vê a questão do aumento de tributos e o mercado financeiro?

    O governo federal está num ponto que consegue pensar em aumentar impostos. E a alta carga tributária torna o país inviável. Com relação ao Ibovespa, vejo a Bolsa caindo até 30.000 pontos [fechou sexta-feira (5) em 40.592 pontos]. Estamos regredindo e vejo o Ibovespa num patamar de 2008, na crise do subprime.

    Hoje, mesmo com o dólar alto e com a BM&FBovespa barata em dólares, os estrangeiros não estão correndo para comprar ações brasileiras.

    E a BM&FBovespa encolheu, só as ações da empresa norte-americana Google comprariam toda a Bolsa e ainda dariam um troco de US$ 200 bilhões.

    ...
    http://www1.folha.uol.com.br/mercado...merciosp.shtml

  3. #3
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    Governo estuda redução de renúncias fiscais

    O governo federal abriu mão de mais de R$ 40 bilhões em receitas da Previdência Social em 2015 por conta de renúncias fiscais concedidas a micro e pequenas empresas, entidades filantrópicas e exportadores agrícolas.


    Murilo Rodrigues Alves e Adriana Fernandes / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
    07 Fevereiro 2016

    Uma revisão das isenções concedidas pelo governo é uma das discussões que serão levadas ao fórum responsável por discutir as propostas da reforma da Previdência. É uma forma de atacar o problema do rombo na outra ponta, com o aumento das receitas. Apesar da resistência do PT e das centrais sindicais, a proposta de reforma foi colocada na lista de prioridades pela presidente Dilma Rousseff.

    As renúncias previdenciárias somaram R$ 38,1 bilhões de janeiro a novembro de 2015. Em média, R$ 3 bilhões por mês deixam de entrar nos cofres públicos. Os dados finais do ano passado ainda não estão prontos.

    A maior parte da renúncia previdenciária é voltada para as empresas que fazem parte do Simples Nacional, sistema simplificado de pagamento de tributos. Os micro e pequenos empresários foram beneficiados com renúncia de R$ 21,3 bilhões de janeiro a novembro, valor 16,2% superior, já descontada a inflação, ao registrado no mesmo período de 2014.

    Segundo técnicos do governo, a renúncia do Simples tem aumentado nos últimos anos por causa do ingresso de um número cada vez maior de empresas no programa, entre elas, companhias do setor de serviços e de profissionais de medicina, enfermagem, odontologia, veterinária, limpeza e administração e locação de imóveis.

    O número deve aumentar ainda mais, já que alterações no Supersimples, previstas em projeto que tramita no Congresso Nacional, vão elevar o valor da renúncia, porque permitirão que novas empresas sejam incluídas no sistema.

    Os microempreendedores individuais deixaram de pagar outro R$ 1,2 bilhão de janeiro a novembro do ano passado, mais do que o dobro da isenção de 2014.

    Filantropia. As entidades filantrópicas aparecem em segundo lugar na lista dos beneficiários das renúncias. Até novembro, elas deixaram de pagar R$ 10,2 bilhões à Previdência. No grupo estão incluídos hospitais e universidades privadas, responsáveis pela maior parte da renúncia.

    Outros R$ 5,1 bilhões em renúncias atendem aos exportadores agrícolas. Desde 2001, o governo isenta as receitas de exportadores do setor rural (agroindústrias e produtores rurais) do recolhimento de contribuição social.

    Com o benefício, o governo avalia que pode dar mais competitividade aos produtores brasileiros no exterior.

    Propostas. “Há muito tempo que se quer discutir a forma como se dão essas renúncias que pressionam tanto o resultado da Previdência. Chegou a hora”, diz Leonardo Rolim, consultor de orçamento da Câmara dos Deputados. Ex-secretário de Previdência Social, Rolim sugere que o governo adote medidas diferentes para diminuir o impacto dessas renúncias.

    Para as empresas do Simples Nacional, Rolim sugere que o governo passe a cobrar a contribuição adicional por atividade especial e o seguro acidente de trabalho. O primeiro encargo é cobrado sobre o salário de funcionários com direito a aposentadoria especial. As alíquotas são de 6%, 9% e 12%, dependendo da idade mínima de contribuição pela qual o funcionário pode se aposentar (15, 20 e 25 anos). As aposentadorias especiais são concedidas a trabalhadores expostos a agentes nocivos à saúde e à integridade física, como mineração, raio X, indústria química etc.

    “Há uma supernotificação dessas atividades nas pequenas empresas que gera um custo adicional para a Previdência”, afirma Rolim.

    Para o consultor, é necessário cobrar também dos microempresários o seguro acidente de trabalho para financiar os benefícios previdenciários referentes a acidentes. Segundo Rolim, a renúncia provocou um relaxamento das empresas em relação à segurança para evitar acidentes no trabalho. “Mais do que essas duas contribuições, o tiro pode sair pela culatra: em vez de diminuir o custo da Previdência, pode aumentar a informalidade.”

    Fim das isenções. Em relação às filantrópicas, Rolim sugere o fim da renúncia para as instituições que cobram pelos serviços. Segundo Rolim, grandes hospitais e universidades particulares são os principais beneficiários dessa renúncia. Na opinião dele, vale mais a pena o governo pagar pelos serviços, como a concessão de bolsas nas universidades para alunos pobres.

    Ele também defende o fim da renúncia para os exportadores agrícolas, com a suspensão do benefício para a indústria que vende para o exterior e que aderiu à contribuição pela folha de pagamento. “Nesse caso, é melhor tirar de todo mundo, apesar dos fortes lobbies.”
    Última edição por 5ms; 07-02-2016 às 10:13.

  4. #4
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    Setor de serviços do Brasil inicia o ano em contração, aponta PMI

    3/2/2016

    (Reuters) - O setor de serviços do Brasil iniciou o ano sentindo o peso da recessão econômica, com redução na entrada de novos negócios e corte nos números de funcionários, mesmo que o ritmo de contração da atividade tenha desacelerado, mostrou a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) publicada nesta quarta-feira.

    O PMI de serviços brasileiro, segundo o Markit, melhorou para 44,4 em janeiro contra 43,5 no mês anterior, mas continuou abaixo do patamar de 50 que divide crescimento de contração.

    Essa é a 11ª queda seguida mensal na produção do setor e a atividade registrou perdas em todas as seis categorias monitoradas, sendo a mais acentuada na de Aluguéis e Atividades de Negócios.

    Com esse resultado e a indústria também apresentando retração mais lenta, o PMI Composto em janeiro subiu a 45,1 em janeiro sobre 43,9 em dezembro. Embora tenha melhorado, esse é o 11º mês de contração, sequeência mais longa de perdas em quase nove anos.

    "Os dados mostram uma continuidade dos infortúnios econômicos do Brasil. A estagnação vista durante 2015 está sendo levada para 2016", destacou a economista do Markit Pollyanna De Lima.

    O principal motivo para a fraqueza no setor de serviços foi a nova queda no volume de novos trabalhos recebidos, a 11ª consecutiva, mantendo-se em um nível acentuado ainda que mais fraco do que em dezembro.

    Com o baixo nível de trabalho, os empregadores mais uma vez cortaram suas folhas de pagamento, com o nível de empregos caindo pelo 11º mês, com as perdas mais fortes registradas em Transporte e Armazenamento.

    Apesar da demanda fraca, aumentaram as pressões inflacionárias em janeiro, com os fornecedores de serviços citando a fraqueza do real principalmente em relação ao dólar, além dos preços altos de infraestrutura, com a taxa de inflação atingindo recorde de três meses.

    Assim, os prestadores de serviços elevaram suas tarifas mais uma vez, com os preços também aumentando pela taxa mais forte desde outubro.

    Diante desse cenário, o grau de otimismo das empresas de serviços em relação aos próximos 12 meses se enfraqueceu em janeiro na comparação com dezembro. O Markit apontou cerca de 26 por cento das empresas preveem crescimento da atividade, com expectativa de recuperação econômica.

    "Enquanto problemas estruturais permanecem não resolvidos e distúrbios políticos prevalecem, (o Brasil) deve cair em depressão já que 2016 traz maiores desafios às empresas", disse Pollyanna, destacando a alta do desemprego, a deterioração da confiança e a inflação elevada.
    http://noticias.r7.com/economia/rece...a-pmi-03022016

  5. #5
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    "Na recessão, seu vizinho perde o emprego. Na depressão, você também perde o emprego. Recuperação é quando a Dilma perde o emprego"

    OAntagonista.com

  6. #6
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    Varejo fecha 80 mil lojas, e recessão não poupa nem grandes redes

    Roberta Scrivano / Marcello Corrêa / Ana Paula Ribeiro
    01/02/2016

    A recessão obrigou gigantes e pequenas empresas do varejo a diminuir de tamanho. Para se adequar ao consumo em queda, as grandes redes fecham lojas e cortam vagas. Recentemente, seis empresas anunciaram o fim de 153 unidades, incluindo Walmart, Ponto Frio, Casas Bahia, Extra, Marisa e C&A. Os números das líderes do mercado se somam aos milhares de pontos de venda que foram fechados no ano passado, num segmento em que predominam as microempresas. Dados preliminares da Confederação Nacional do Comércio (CNC), compilados a pedido do GLOBO, mostram que, em 2015, no total, 80,1 mil lojas fecharam as portas. O resultado representa um aumento de 52% em relação a 2014, quando 52,7 mil estabelecimentos encerraram as atividades. Para analistas, a redução de custos é uma tendência que deve se manter ao longo de 2016, e os segmentos dependentes de crédito tendem a ser mais afetados.

    De acordo com a confederação, o número de lojas de grande porte caiu 9,5% em 12 meses considerando dados até outubro, um percentual superior ao dos pequenos varejistas, que tiveram queda de 8,3%.

    — O fechamento de lojas é generalizado. A renda do consumidor caiu, e o custo do crédito aumentou. As taxas de juros reais em torno de 8% inviabilizam o consumo de bens duráveis (como eletrodomésticos), mais sensíveis ao crédito. Há uma relação clara entre o desempenho de vendas e o fechamento de lojas — explica Izis Ferreira, economista da CNC.

    Um dos casos mais emblemáticos é o do Grupo Pão de Açúcar, que controla redes como Ponto Frio, que fechou 73 lojas, e Casas Bahia (três unidades encerraram atividades). No ano passado, 18 mil trabalhadores foram demitidos, uma redução de 11,2% no quadro, segundo dados do balanço até setembro. O número inclui todas as dez bandeiras da empresa. Segundo o Pão de Açúcar, as condições macroeconômicas justificam os cortes de vagas e a companhia diz que houve redução de custos. “É dever da administração adequar a companhia à demanda do mercado, sempre preservando a qualidade e nível de serviço nas lojas e entrega aos clientes. A adequação do quadro de pessoal faz parte deste processo”, afirmou, em nota, a empresa.

    Há duas semanas, o Walmart anunciou o fechamento de 60 lojas. O corte representa mais de 10% da rede de 544 lojas no país. O motivo: baixa performance de vendas.

    — O varejo tem rotatividade elevada, de mais de 40%, então as grandes redes não precisam necessariamente demitir para reduzir o custo de uma loja. É só parar de contratar. A expectativa é que mais lojas sem um patamar de venda adequado à estrutura de custos sejam fechadas. Isso deve ocorrer mais no primeiro trimestre, quando já passou o período mais forte de vendas — disse Luiz Carlos Cesta, analista de varejo do Banco Votorantim.

    COMÉRCIO CORTOU 180 MIL VAGAS

    Em 2015, o comércio varejista cortou 180,9 mil vagas formais. Nas grandes redes, segundo a União Geral dos Trabalhadores (UGT) houve 62 mil dispensas. O levantamento de demissões foi feito com informações da própria UGT, do Dieese e dos balanços das empresas, mas em muitos casos não inclui dados sobre as admissões no período. Para Ricardo Patah, presidente da UGT e do sindicato dos comerciários de São Paulo, esses são os primeiros sinais do mau momento do varejo.

    — A crise chegou ao comércio. Em 2014, quando ela ainda estava se iniciando, não tivemos desemprego. Em 2015, começamos a sentir, porque será neste ano o grande volume de demissões no setor — afirma Patah.

    Segundo a UGT, foram 3.500 homologações do Carrefour. A empresa, porém, afirma que se trata de um movimento normal no varejo e que as vagas foram repostas: “O Carrefour informa que não houve redução em seu quadro de colaboradores em 2015. Os desligamentos no período fazem parte do turnover, movimento natural em um setor dinâmico como o varejo. As posições em aberto foram repostas”, informou.

    Nelson Barrizzelli, especialista em varejo, avalia que as demissões e o fechamento de lojas refletem também a consolidação das vendas on-line. Cálculos da UGT mostram que cada emprego no comércio digital equivale a cinco nas lojas convencionais.


    — Os vendedores de linha branca são os que mais sofrerão — disse Barrizzelli.

    Para Haroldo Monteiro, coordenador da pós-graduação em Gestão Estratégica no Varejo do Ibmec/RJ, mais empresas terão de negociar valores que pesam na operação, como aluguel e condomínio:

    — O conceito de lojas enormes com muitos vendedores está mudando. O e-commerce está fazendo com que as lojas físicas fechem ou diminuam de tamanho. Por isso, vão ocorrendo demissões para adequar a quantidade de vendedores na loja.

    ANALISTA DIZ QUE AJUSTE CONTINUA ESTE ANO

    O momento de ajuste ocorre após um período de crescimento exagerado, estimulado por políticas de incentivo ao consumo, avalia Claudio Felisoni, presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar). Ele vê com ceticismo a tentativa de reativar a economia com base no estímulo ao crédito:

    — Depois da festa, vem a ressaca. Infelizmente, essa é uma situação previsível. Era sabido que o que sustenta consumo é investimento.

    Mas nem só de corte de custos sobreviverá o varejo na crise. Para Enéas Pestana, dono de uma consultoria e ex-presidente do Pão de Açúcar, o setor precisa focar na melhoria da gestão.

    — Não acredito só em corte de despesas, porque depois a conta vem. Não adianta cortar metade dos funcionários, porque há risco de a empresa não se sustentar — disse Pestana, que trabalha na integração das bandeiras da Máquina de Vendas, a holding formada por Ricardo Eletro, Insinuante, Eletroshopping, City Lar e Salfer.

    Uma redução do número de lojas da Máquina de Vendas não está descartada. Procurada, a empresa não se manifestou oficialmente. Segundo Pestana, avaliar unidades com desempenho ruim faz parte do cardápio de opções:

    — Claro que a gente olha lojas deficitárias. Nesse segmento de bens duráveis é mais fácil. O custo de implantação de uma loja de eletroeletrônicos é muito menor do que de um supermercado.

    Ana Paula Tozzi, presidente da GS & AGR Consultores, do grupo Gouvea & Souza, afirma que o ajuste não terminou e não vai terminar antes do fim do ano:


    — Diversas redes vão ter que se reposicionar.

    Mesmo com possíveis medidas de estímulo ao crédito, Maria Cristina Costa, analista da Lopes Filho, avalia que, com o desemprego ainda alto, o consumo não vai aumentar.

    — Não vejo motivo para otimismo.
    http://oglobo.globo.com/economia/var...redes-18580962

  7. #7
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    Brasil persiste nos erros que levaram à recessão, diz Oxford Economics

    VALOR ECONÔMICO
    03.02.16

    O governo brasileiro persiste nos mesmos erros que levaram à perda do grau de investimento e à pior recessão em um século, diz a Oxford Economics. No relatório "Diagnóstico errado, receita errada", divulgado nesta terça-¬feira, a consultoria critica o pacote de crédito de R$ 83 bilhões anunciado na semana passada pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa. "Outra rodada de subsídios aos bancos públicos fará pouco para estimular o crescimento, mas certamente causará mais danos às finanças públicas, algo que o Brasil não pode mais se dar ao luxo", diz o texto, assinado por Marcos Casarin, chefe de pesquisa macroeconômica para a América Latina da Oxford.

    Ele lembra que o país teve em 2015 um déficit nominal, que inclui os gastos com juros, de 10,3% do PIB, só superado entre os principais emergentes pela Arábia Saudita, cujo rombo é causado pelo tombo dos preços do petróleo. Para ele, a presidente Dilma Rousseff parece crescentemente inclinada a intervir mais na economia, lembrando que os dias da chamada nova matriz econômica (NME) podem não ter acabado.

    Segundo ele, a NME substituiu a "bem sucedida trindade de políticas" marcada por austeridade fiscal, regime de metas de inflação e câmbio flutuante, que vigorou a partir de 1994. Segundo ele, o novo conjunto de políticas, adotado entre 2011 e 2014, consistiu no estímulo à demanda por crédito subsidiado e desonerações tributárias para setores tidos como estratégicos, combinado com intervenção nos mercados de câmbio e de juros. "Os resultados foram decepcionantes: o investimento privado entrou em colapso, a indústria encolheu e o déficit fiscal disparou", resume Casarin.

    Para esconder os custos fiscais dessas políticas, diz ele, o governo começou a usar os balanços dos bancos públicos para bancar os seus gastos e a atrasar o pagamento do Tesouro para essas instituições ¬ as chamadas "pedaladas fiscais". "O uso sistemático de contabilidade criativa deu à oposição a base legal para abrir procedimentos de impeachment contra Dilma no fim do ano passado", aponta Casarin. Para ele, é preocupante quando um país sem dinheiro e com esse histórico anuncia mais estímulos fiscais.

    O economista diz que o principal motivo para preocupação é que o funding para as medidas recém divulgadas vêm das mesmas instituições que foram usadas no deslize fiscal recente. Ele lembra que, no fim de dezembro, o Tesouro transferiu R$ 72 bilhões que devia para os bancos públicos e para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Agora, essas instituições usam o dinheiro para aumentar os empréstimos a juros subsidiados para o setor privado. "Para nós, isso não é nada mais do que outro truque contábil", afirma Casarin.

    "Nós achamos que tanto o diagnóstico quanto a receita estão errados. A economia não está em recessão por que os bancos não querem emprestar, mas porque as empresas não veem nenhum motivo para tomar empréstimos", diz o relatório, acrescentando que, ainda que as medidas funcionem e os financiamentos aumentem, o Tesouro vai ter que cobrir os custos de equalizar os juros com os bancos públicos. Isso implica, para Casarin, "outro aumento para a já insustentável dívida pública". Nesse cenário, "as autoridades parecem persistir nos mesmos erros que fizeram a economia perder o status de grau de investimento e experimentar a pior recessão em um século".
    http://www.valor.com.br/brasil/44204...ford-economics

  8. #8
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    Year of the Fire Monkey - Chinese FX reserves sink again


    Today marks the first day of the Chinese Lunar New Year

    Monday, February 8


    China’s foreign-exchange reserves plummeted by nearly $100bn in January, according to data released yesterday, slumping to the lowest level since May 2012. The drop, which was slightly more modest than expected, means reserves have shrunk by 19 per cent from the peak in June 2014 as authorities seek to prevent a disorderly slide. Here are some reactions from economists.

    Sue Trinh at RBC Capital Markets argues that there is the possibility of another method:

    We have been saying that China is in danger of slipping below the adequate range if it keeps trying to defend a fixed exchange rate when capital controls are weak. China will either tighten capital controls, restricting domestic investors from accessing international capital markets, or allow the exchange rate to adjust according to market-driven fundamentals. We continue to think China will eventually loosen its grip on renminbi and allow for a slow depreciation.

    Nonetheless, Rajiv Biswas from IHS Global Insight says the game is becoming all too easy for investors:

    As the PBOC desperately tries to stabilize the yuan, domestic private investors as well as global currency traders and hedge funds continue to see a one-way bet against the yuan… The PBOC is caught between the devil and the deep blue sea, facing a choice of either continued slow erosion of FX reserves, or a rapid currency adjustment that could be destabilizing for China and plunge global currency markets into turmoil.

    Further sharp yuan devaluation remains one of the key downside risks to the global economic outlook in 2016, due to the shock waves it will cause in global currency markets.

    Analysts at Commerzbank add:

    Prudent liquidity management demands that sufficient reserves are maintained for import cover etc. Essentially, the reserves available for further FX interventions are nowhere near the $3.2tr headline number. Market participants are aware of this.

    Consequently we get a better idea of market expectations of yuan depreciation by referring to longer dated risk reversals, which currently trade at multi year highs. So, despite the intervention policy pursued so far, it has not led to a decline in depreciation expectations. On the contrary, investors understand that the current policy is unsustainable and as a result expect further yuan weakness.

    Kit Juckes from Societe Generale argues that this saga will drag on:

    The fall [in January] was marginally smaller than consensus forecasts were looking for and, in of itself, doesn’t really take the debate about the sustainability of China’s current FX policy any further. The bigger question is how much the pace of capital outflows and FX reserve reduction slows in the coming months after the break for the Chinese New Year celebrations.

    The IMF’s calculation of ‘adequate’ reserves suggests that there is less room than the $3.2trn total implies but my impression is that there is virtually no reserve armoury big enough to cope with widespread capital outflows, if capital is allowed to flow relatively freely.

    (All emphasis is ours.)

    http://www.ft.com/fastft/2016/02/08/...teedition=intl

  9. #9
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    Como por aqui não faltam ratazanas desesperadas para roer as reservas brasileiras, e a politica econômica da residenta é uma cópia borrada dos camaradas chineses, ... #medo (© Chuva).

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