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  1. #1
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    Mercado encolhe em R$ 100 bilhões para as pequenas empresas

    Queda foi 14% em relação ao ano anterior, segundo o Sebrae-SP

    Renato Jakitas - O Estado de S. Paulo
    27 Fevereiro 2016

    Para além da inflação, do aumento do desemprego e da escalada do dólar, 2015 fica marcado como o ano em que houve redução forte no faturamento dos pequenos negócios. Segundo estimativas do Sebrae-SP, apenas no Estado de São Paulo houve redução de R$ 100 bilhões no faturamento do setor no período, uma queda expressiva de 14,3% em relação ao ano anterior, já descontada a inflação. Trata-se do pior cenário para as empresas do setor de pequeno porte desde 2002.

    Mesmo sem o total de 2015, o número de negócios que fecharam as portas de janeiro a agosto de 2015 alcançou 302.732 empreendimentos, 8,6% a mais na comparação com a movimentação nas juntas comerciais no ano cheio de 2014 – 42% superior ao balanço de janeiro a dezembro de 2013.

    Na prática, essa movimentação é protagonizada por pessoas como Tiago Augusto Pinto, que atuava no bairro de Ermelino Matarazzo, zona leste da capital paulista. Ele chegou a ter três lojas na região e 15 funcionários, mas no fim do ano passado fechou as portas da última loja, uma perfumaria que manteve por 20 anos.

    “Foi terrível, mas pelo menos eu não fiquei devendo nada para funcionários ou fornecedores”, diz o paulistano que, agora, procura formas de quitar um débito no banco estimado em R$ 400 mil, com juros e correção monetária. “Acho que eu errei em continuar investindo quando a situação já estava ruim. Se eu não tivesse acreditado que a economia voltaria aos patamares de antes de 2014, acho que estaria numa situação mais confortável hoje”, analisa o empreendedor.

    Adiantar-se ao caos foi o determinante para Sandra Kempenich encerrar sua empresa e pelo menos não carregar dívidas. Após cinco anos de estudo de mercado, ela montou em 2012 a It’s Only Rock’n Roll, loja de roupas e acessórios importados em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, que fechou as portas em janeiro do ano passado. “Ainda me dá lágrimas nos olhos quando falo disso, mas não tinha jeito. Como era uma empresa familiar, era melhor parar logo do que levar problemas para dentro da família”, conta.

    Como a importação representava a totalidade dos produtos da It’s Only Rock’n Roll, ela acompanhava com cuidado o comportamento do dólar e as previsões para o cenário macroeconômico. Ela tinha programado uma espécie de faixa de segurança para o dólar – até o patamar de R$ 2,70, a moeda não comprometeria a margem de lucros ou o preço aceitável pelo consumidor para seus produtos. Foi assim que em agosto de 2014 ela viu acender a luz vermelha.

    “A gente já tinha percebido que a importação estava ficando ainda mais burocrática, mas quando os analistas de mercado e o pessoal do banco começaram a falar em dólar acima dos R$ 2,90 para o ano, sem previsão de melhora, resolvemos fazer uma liquidação e investir em outra coisa”, diz.

    Atualmente Sandra trabalha em uma loja de bolos na Vila Mariana, zona sul da cidade, onde tem uma pequena participação acionária. “Eu estou ainda tentando acabar com todo o estoque da loja. Depois de janeiro, ficaram uns R$ 60 mil parados.”

    http://economia.estadao.com.br/notic...resas-,1837247

  2. #2
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    Receita aponta fraude em fusão entre JBS e Bertin e cobra R$ 3 bilhões

    Bezerrão "campeão nacional" do PT envolvido em nova falcatrua bilionária.


    Josette Goulart e Alexa Salomão - O Estado de S.Paulo
    27 Fevereiro 2016


    A operação que uniu os dois maiores frigoríficos do País, o Bertin e o JBS, dono da marca Friboi, está sendo questionada pela Receita Federal. Para o Fisco, a estrutura societária do negócio, que ajudou a criar a maior empresa de proteína animal do mundo, em 2009, foi “fraudulenta”.

    O caso está destrinchado em um procedimento fiscal feito em uma das empresas do grupo Bertin, que foi autuado em R$ 3 bilhões, em impostos e multas.

    Apesar de a Receita se preocupar em cobrar tributos, ela aponta outras irregularidades. Houve a transferência, a “preço vil”, de participações para um investidor desconhecido. Os acionistas minoritários também foram prejudicados.

    Fundo. As irregularidades, avalia a Receita, foram possíveis graças a uma estratégia particular. Apesar de sempre se falar em fusão, o JBS comprou o Bertin, diz a Receita. A aquisição ocorreu com uma troca de ações, sendo que os Bertin entregaram as suas para a holding da JBS – mas de maneira indireta. No negócio, o Bertin foi representado por um fundo de investimento, o FIP Bertin.

    Ao ser criado, o patrimônio do fundo tinha ações do Bertin e era controlado pela família Bertin, que detinha 100% das cotas. O Fisco apurou que, cinco dias antes do negócio, um novo cotista entrou no fundo: a Blessed, empresa de Delaware, um paraíso fiscal nos Estados Unidos, cujos sócios estão em Porto Rico e nas Ilhas Caymann.

    A Blessed ficou com 67% das cotas, que valiam cerca de R$ 3 bilhões, por US$ 10 mil. Ou seja: na largada, os Bertin aceitaram ser minoritários em seu próprio fundo por uma “bagatela”, diz o Fisco. Menos de um ano depois, houve nova cessão de cotas, por R$ 17 mil. A Blessed hoje tem 86% do fundo, e ainda faz parte do grupo JBS com o nome de Pinheiros.

    O gestor até 2012 era o Citibank, que por ter participado “bovinamente” das operações, diz o Fisco, é solidário na multa. O Citi entrou na Justiça para tentar reverter as transferências das cotas e aliená-las, no caso de ter de assumir a multa. Procurado, não se manifestou.

    A Receita é enfática: graças ao fundo “ocorreu a mais explícita fraude combinada entre os dois grupos”. Houve “a entrada fictícia” dos Bertin na sociedade, pois eles “nunca tiveram ações da JBS”; sonegação, porque o fundos têm tributação inferior e diferenciada (que resultou na multa para o sócio que deveria ter pago os tributos, o Bertin), e por fim, afetou os minoritários.

    Operação. Apesar de o frigorífico Bertin estar passando por dificuldades na época do negócio, foi avaliado em cerca de R$ 12 bilhões. Emitiram-se, então, novas ações da JBS para “pagar” os Bertin, que, na sequência, deveriam entregá-las à holding da JBS e se tornarem sócios. Os Bertin tinham direito a R$ 8,8 bilhões em ações da JBS, o equivalente a 73% de sua empresa. O restante foi para o BNDESPar, sócio do Bertin, com 27%.

    Segundo a Receita, foi aí que os minoritários perderam. As novas ações nunca foram registradas pelos Bertin. Saíram da JBS para a holding da JBS. Na JBS, foram registradas a valor de mercado (R$ 8,8 bilhões), mas, na holding, a valor patrimonial (R$ 4,9 bilhões): nessa relação de troca, os donos da JBS protegeram a sua fatia.

    Procurados, os Bertin não comentaram. A J&F disse não conhecer o processo e que a operação foi feita com “total transparência” e boas assessorias: a avaliadora Apsis, os escritórios Pinheiro Neto e Barbosa, Müssnich & Aragão, os bancos Santander e J.P. Morgan. Procurados, os assessores não se pronunciaram.


    http://economia.estadao.com.br/notic...es,10000018600

    Leia também:

    Justiça abre ação contra Joesley, do JBS, e Heraldo, do Rural, por empréstimo 'troca de chumbo'

  3. #3
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    Editorial FSP: Contra o tempo

    28/02/2016

    O ano começou aziago para os planos de recuperação da economia do país. Os primeiros resultados deste primeiro bimestre confirmam os prognósticos sombrios de que a recessão neste ano deve ser tão profunda quanto a de 2015.

    ...

    Prossegue a eliminação de empregos formais. Perdeu-se 1,6 milhão de postos de trabalho com carteira assinada nos últimos 12 meses. Apenas em janeiro, foram-se quase 100 mil, mais que as 82 mil vagas fechadas em janeiro do ano passado.

    Nas seis maiores metrópoles, o ritmo de redução do rendimento médio também se acelera, para 7,6% ao ano, já descontada a inflação. Cai o crédito na economia, agora 4,1% menor que no início de 2015. A baixa na renda e no total de empréstimos sugere que a recessão será mais sentida no cotidiano da população.

    A arrecadação de impostos do governo encolheu 6,7% em janeiro, no ritmo ruim de 2015. Apesar da receita extraordinária da venda de concessões de hidrelétricas ter levado as contas federais para o azul neste mês, a piora na coleta de tributos indica que este será o terceiro ano consecutivo de deficit orçamentário.

    A persistência de juros elevados devido à inflação e a incapacidade de controlar as contas do Tesouro fazem o peso da dívida pública crescer sem limite, ainda mais porque a retração da economia impede que se gere a renda necessária para manter a máquina estatal.

    ...

    http://www1.folha.uol.com.br/opiniao...-o-tempo.shtml

  4. #4
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    Achei interessante este trecho da resposta do empresario:

    “Acho que eu errei em continuar investindo quando a situação já estava ruim. Se eu não tivesse acreditado que a economia voltaria aos patamares de antes de 2014, acho que estaria numa situação mais confortável hoje”, analisa o empreendedor.

    Isto e complicado, depende muito do seguimento, porque tem outros que se não tivesse continuado investindo, também, provavelmente haveria falido.

    Agora sim, devemos analisar bem cada passo, já que principalmente durante a crise, qualquer erro, pode ser fatal.

  5. #5
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    Concordo 100%.

    A dificuldade é que timing é fundamental mas raramente se dispõe de dados suficientes e confiáveis para decidir e agir no tempo certo. E a maldade da coisa é que o passado nem sempre ajuda porque a análise presente de ações passadas geralmente não considera os fatores na época que levaram às decisões. Como diria Peter Drucker, a melhor maneira de prever o futuro é criá-lo.

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