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    Buscapé e Mercado Livre apelam à "Black Wednesday" no dia 15

    O mote é o dia do consumidor, comemorado em 15 de março.; vendas de janeiro caíram 10,3%, segundo IBGE

    “O varejo como um todo continua superestocado e isso contamina o comércio eletrônico”

    Márcia De Chiara - O Estado de S.Paulo
    11 Março 2016

    Na tentativa de se livrar de estoques indesejados e impulsionar as vendas, o comércio eletrônico se mobiliza para fazer uma espécie de “Black Friday” fora de época. Na semana que vem, duas plataformas de comércio virtual, o Buscapé e o Mercado Livre, preparam megaliquidações com descontos anunciados de até 70% em itens como eletrônicos, eletrodomésticos, artigos de informática e decoração, entre outros.

    O mote é o dia do consumidor, comemorado em 15 de março. Mas, na prática, a intenção é dar um empurrão nos negócios que andam devagar por causa da crise. Ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que as vendas de janeiro caíram 10,3% ante o mesmo mês de 2015. Foi o pior resultado para o mês nessa base de comparação desde 2001.

    “Março é um dos meses mais fracos para vendas do 1º semestre porque o consumidor ainda está endividado com as compras de Natal e as liquidações de início de ano”, afirma André Ricardo Dias, diretor do E-bit/Buscapé.

    A partir da primeira hora da quarta-feira, dia 16, até a meia-noite, o Buscapé coordena a megaliquidação com 650 lojas participantes, entre as quais estão grandes varejistas do comércio virtual, como B2W e CNova, por exemplo.

    Dias diz que no evento deste ano o número de lojas participantes é maior e o desconto também: gira em torno de 50%. Segundo ele, o movimento mais agressivo ocorre, porque o volume de estoque em promoção é maior.

    Já o Mercado Livre, que prepara uma liquidação para durar uma semana – entre os dias 14 e 20 de março – informa que vai oferecer descontos de até 70% para mais de 8 mil produtos. São cerca de 350 lojas participantes, entre as quais estão grandes varejistas, como Ricardo Eletro e Extra, por exemplo.

    “Os varejistas têm motivos para fazer essa megapromoção”, observa o economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fabio Bentes. O último dado disponível de estoque apurado pela entidade mostra que, em fevereiro, 30,3% dos varejistas acumulavam estoques acima do desejado.

    O quadro é mais crítico para os bens duráveis (34,9%, cujas vendas dependem de crédito e da confiança do consumidor na economia).

    “O varejo como um todo continua superestocado e isso contamina o comércio eletrônico”, diz Bentes.

    http://economia.estadao.com.br/notic...ay,10000020606

  2. #2
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    O consumo caiu com força e as condições do comércio varejista estão bem piores do que se esperava.

    O Copom aposta de que a queda do consumo acabará ajudando a derrubar a inflação.


    Celso Ming
    10 Março 2016

    As condições do comércio varejista estão bem piores do que se esperava.

    Os números mais recentes sobre o comportamento do consumo são do IBGE. Como são de janeiro – e estamos chegando a meados de março – pode parecer que reflitam uma situação passada. No entanto, a percepção geral a partir de números parciais mais recentes – como os das vendas de veículos – mostra que, de janeiro para cá, o movimento do comércio caiu ainda mais.

    Mas fiquemos com janeiro, que é o que temos de mais abrangente. O consumo caiu com força. O IBGE trabalha com dois conjuntos de dados. O primeiro é o do varejo restrito, que exclui o comércio de veículos e de materiais de construção. O segundo é o do varejo ampliado, que inclui esses dois subsetores.

    Para evitar uma sopa de números, fiquemos apenas com as estatísticas do período de 12 meses terminado em janeiro. No varejo restrito, o tombo do consumo foi de 5,2%; e no varejo ampliado, de 9,3%. É uma enormidade de queda.

    Como de janeiro para cá nada mudou substancialmente não é descabido trabalhar com números parecidos para o primeiro trimestre do ano.

    Vamos às causas. Essa forte retração do consumo deve-se a fatores de três ordens. O primeiro deles é a queda da renda. O PIB per capita deve cair alguma coisa em torno de 10% em apenas dois anos (2015 e 2016) e essa magnitude é uma calamidade. A perda de renda está sendo causada pela inflação, que corrói salário, e pelo desemprego, que reduz as receitas das famílias, que, por sua vez, está sendo provocado pela retração dos negócios.

    O segundo fator que puxa para baixo o consumo, especialmente o de bens duráveis, é a falta de confiança no futuro, que leva as pessoas e as empresas a adiar suas compras e seus projetos de investimento. Não é verdade, por exemplo, que a redução do crédito bancário esteja provocando a redução do consumo. Não falta crédito. O que falta é disposição para tomar dinheiro emprestado no banco para consumir.

    Esse colapso das vendas tende a reduzir a inflação. Nas atuais condições do mercado, nem o comércio nem o fornecedor do comércio podem remarcar preços à vontade porque agora temem o encalhe de mercadorias. Por enquanto, esse efeito baixista ainda não apareceu nas estatísticas de custo de vida. Isso porque prevaleceu até agora o impacto da liberação dos reajustes de preços e tarifas que ficaram achatados ao longo de 2014, porque o governo estava em campanha eleitoral e temia o afastamento do eleitor se concedesse o reajuste à gasolina, às contas de luz e às tarifas de transporte urbano. Mas ele chegará.

    Quem leu a Ata do Copom divulgada nesta quinta, o documento que deve esclarecer as razões pelas quais o Banco Central define sua política de juros, encontra lá a aposta de que a queda do consumo acabará ajudando a derrubar a inflação. O grande complicador é o enorme desequilíbrio das contas públicas; é o governo gastando muito mais do que arrecada (política fiscal). No entanto, o Banco Central ainda não sabe quando isso acontecerá de modo a poder reduzir os juros básicos, hoje nos 14,25% ao ano.
    http://economia.estadao.com.br/notic...as,10000020599

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