Resultados 1 a 3 de 3
  1. #1
    WHT-BR Top Member
    Data de Ingresso
    Dec 2010
    Posts
    14,985

    Governo acaba e Dilma vira 'presidente emérita'

    IGOR GIELOW
    DIRETOR DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
    16/03/2016 11h46

    O segundo mandato da presidente Dilma Rousseff acabou, sem de fato nunca ter começado, com a volta de Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto.

    Investido da inédita função de "primeiro-ministro" de fato, o agora chefe da Casa Civil Lula capitaneia um ato de desespero político para tentar salvaguardar o que restou do seu projeto de poder iniciado em 2003.

    Sua relutância em aceitar o cargo, alimentadas por resistências que vêm de PMDB a Banco Central, sinaliza os riscos que antevê.

    Lula assume no meio de mais uma turbulência grave, com a já explosiva delação de Delcídio do Amaral a acusar o petista e Dilma de interferir nas investigações da Lava Jato. Ambos podem acabar investigados pela acusação de obstrução de Justiça.

    A dramaticidade do movimento só é comparável ao que pode acontecer se ele der errado, o que é bem possível. Os dois objetivos de Lula, o de salvar a sucessora do impeachment e de tentar reanimar a economia, visam robustecer sua defesa como presidenciável em 2018.

    Analisando os dois movimentos táticos imediatos, é possível dizer que Lula está melhor colocado do que Dilma para negociar com o PMDB e outros o estancamento do processo de desagregação aberto na base aliada.

    Há alguns obstáculos. Uma fatia expressiva do PMDB expôs reservas ao chamado Plano Lula, por considerar a crise irreversível e também para elevar o preço da fatura na hora de sentar à mesa com o petista, buscando reduzir-lhe estatura política.

    Por sua vez, o herdeiro da cadeira de Dilma em caso de impedimento, Michel Temer (PMDB-SP), faz jogo de espera desde que retomou o controle nominal do PMDB com ajuda de Renan Calheiros (AL), presidente do Senado.

    E o alagoano, que em circunstâncias normais se alinharia a Lula por débitos pretéritos, está com um pé e meio na canoa do impeachment.

    Há a Lava Jato, que pende sobre quase toda a cúpula peemedebista: tanto Renan (quanto o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acham a operação é manipulável contra eles com apoio do governo.

    Não passou despercebida deles a abertura de um sétimo inquérito contra si na esteira de suas conversas sobre o "semipresidencialismo" com tucanos na semana passada.

    Mesmo que desejasse, já que é alvo e crítico do que chama de "falta de controle da Polícia Federal", Lula não está em posição de vender facilidades. A Lava Jato tem vida própria, e qualquer pressão sobre a PF ou a PGR (Procuradoria-Geral da República), de onde é egresso o novo ministro da Justiça, seria intolerável aos investigadores.

    Sobre o segundo ponto tático, a economia, o risco é ainda maior. A ameaça clara de Alexandre Tombini de deixar o BC no caso de uma inflexão à esquerda antecipa a previsível turbulência no cassino dos mercados.

    Se Lula trouxer para a equipe uma figura como a do ex-chefe do BC Henrique Meirelles e lhe der autonomia, pode haver uma trégua com o mercado. Mas o que realmente importa, como quando enfrentou a mesma desconfiança antes de assumir em 2003, é o plano.

    A exaustão dos recursos governamentais para bancar o previsível populismo econômico petista tentará Lula a mexer no que sobrou: as reservas internacionais. Há argumentos sobre o alto custo de manutenção das mesmas, mas o dano de imagem se elas forem usadas para abater dívida pública tende a ser irreversível.

    Há vozes no PT defendendo um "mix" salomônico, que sinalize responsabilidade ao mesmo tempo em que mude o rumo das coisas. Se fosse o começo de um governo forte e respaldado politicamente, a ideia pareceria mais exequível.

    Ambas as vertentes levam ao objetivo estratégico, o de viabilizar Lula como presidenciável. Missão difícil, apesar de Lula reter uma popularidade menor mas respeitável, justamente porque falamos de uma situação de crise extrema.

    O petista é alvo, e um caminhão de informações oriundas de delações premiadas a caminho promete embaraços. E é impossível dissociar sua ida ao ministério da vontade de fugir do juiz Sergio Moro em Curitiba, por meio do foro privilegiado.

    Lula sabe que seria uma aposta vazia, já que as instâncias superiores basicamente referendaram tudo o que investigação e juízo fizeram no Paraná, mas aqui o valor de face é fala mais alto.

    Assim como é simbólica a "renúncia branca" de Dilma, que tende a virar uma inquilina de luxo do Palácio da Alvorada ou, para ficar no reino das retóricas, uma "presidente emérita" ao estilo Bento 16.

    O paralelo brasileiro mais próximo ocorre quando Fernando Henrique Cardoso vira ministro da Fazenda de Itamar Franco. O objetivo, a Presidência, era o mesmo, mas as condições hoje são muito diversas.

    Já há algumas semanas graúdos da política e do PIB davam por certo o fim da gestão da petista, e a megamanifestação de domingo (13) lustrou com "rua" a vontade política em favor do impedimento. A recessão econômica inédita é o começo e o fim do diagnóstico.

    O arco da jornada de Dilma e Lula, que os viu distante e quase rompidos neste ano, volta a seu ponto inicial. Novamente, tudo está na mão do criador. Mas ele está unido à sua criatura, seja qual for o desfecho da história.
    http://www1.folha.uol.com.br/poder/2...-emerita.shtml

  2. #2
    WHT-BR Top Member
    Data de Ingresso
    Dec 2010
    Posts
    14,985

    STF deve analisar se nomeação de Lula é para fugir da Justiça, diz Gilmar

    "Imaginem que daqui a pouco a presidente da República decida nomear um desses empreiteiros presos em Curitiba como ministro de Transporte ou da Infraestrutura"

    Questionado se a situação de Lula não seria diferente por não estar preso, Gilmar Mendes rebateu: "Mas está sendo investigado, não é? Está sendo investigado como chefe desse grupo".

    AGUIRRE TALENTO
    MÁRCIO FALCÃO
    DE BRASÍLIA
    16/03/2016 15h06

    O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes afirmou nesta quarta-feira (16) que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode continuar a ser investigado pelo juiz federal de Curitiba, Sergio Moro, caso o Supremo entendesse que sua nomeação como ministro da Casa Civil foi apenas para fugir da primeira instância.

    Mendes disse que essa é uma questão "que merece meditação do tribunal" e citou o exemplo do ex-deputado Natan Donadon, condenado à prisão por desvios de recursos públicos, que renunciou ao cargo às vésperas do julgamento para tentar escapar do foro do STF.

    O ministro do Supremo comparou a situação à de Lula. "Se o tribunal, numa questão de ordem, chegasse à conclusão de que para esses fins [de mudança de foro] a nomeação não é válida, mantém-se o processo no âmbito do primeiro grau", disse.

    E ainda citou um exemplo hipotético: "Imaginem que daqui a pouco a presidente da República decida nomear um desses empreiteiros presos em Curitiba como ministro de Transporte ou da Infraestrutura. Nós passamos a ter uma interferência muito grave no processo judicial, precisamos meditar sobre isso".

    Questionado se a situação de Lula não seria diferente por não estar preso, Gilmar Mendes rebateu: "Mas está sendo investigado, não é? Está sendo investigado como chefe desse grupo".

    Outro ministro afirmou à Folha, sob condição de anonimato, que a investigação sobre Lula deve subir automaticamente para o Supremo e que a discussão agora será se outras pessoas envolvidas, como os familiares do ex-presidente, seriam investigados também no Supremo ou continuariam na primeira instância com o juiz Moro.
    http://www1.folha.uol.com.br/poder/2...z-gilmar.shtml

  3. #3
    WHT-BR Top Member
    Data de Ingresso
    Dec 2010
    Posts
    14,985

    O bando, que estava acéfalo, agora tem um chefe

    Editorial Estadão
    17 Março 2016

    Golpe de Estado

    Não é outra coisa senão um golpe de Estado a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a chefia da Casa Civil do governo de Dilma Rousseff. Esse ato foi, simultaneamente, uma declaração de guerra aos brasileiros honestos e às instituições da República e a abdicação de fato da presidente Dilma de seu cargo, entregando-o de vez a seu criador e consumando dessa maneira o tal “golpe” que o PT, Dilma e Lula tanto acusavam a oposição de tramar. Temos agora na Presidência de fato da República um tipo que não recebeu um único voto para ocupar aquela posição nas últimas eleições.

    Já os mais de 54 milhões de votos que Dilma recebeu na reeleição foram rasgados com essa assombrosa decisão. Dilma tornou-se, por vontade própria, subalterna do demiurgo petista, na presunção de que este, como “primeiro-ministro” em um parlamentarismo de fancaria, terá o poder que ela não tem mais – e a capacidade que nunca teve – para reverter o colapso de seu triste governo.

    Ao mesmo tempo, Dilma aceitou acoitar Lula em seu gabinete, concedendo-lhe foro especial para que o chefão tenha melhores condições de tentar se safar da Justiça – uma sacada que transforma o exercício do governo em algo próximo do mais puro e simples gangsterismo. Também se poderia dizer que o bando, que estava acéfalo, agora tem um chefe.

    Investigado em diversas frentes em razão de suas relações promíscuas com o baronato do capitalismo oportunista, Lula foi pilhado vivendo à custa desses generosos patrocinadores, preocupados em lhe proporcionar o bom e o melhor – tudo como pagamento pelos lucrativos serviços que Lula lhes prestou nos governos petistas. A polícia e a Justiça entendem que o capo ainda precisa explicar melhor, sem xingar os investigadores nem debochar das instituições, como ele constituiu tão fraterna confraria – que, não por acaso, está no centro da roubalheira na Petrobrás.

    Não era pequena a possibilidade de que Lula fosse preso a qualquer momento em razão dos diversos inquéritos dos quais é alvo em primeira instância. Agora, feito ministro, terá o privilégio de ter seu caso avaliado pelo Supremo Tribunal Federal, onde espera receber – e rogamos para que esteja totalmente enganado – a condescendência que certamente não teria do juiz federal Sérgio Moro.

    Assim, Lula se torna o próprio exemplo de uma de suas tantas bravatas a respeito da impunidade no Brasil, na época em que ele ainda era o paladino da ética na política. Disse ele, em 1988: “No Brasil é assim: quando um pobre rouba, vai para a cadeia; mas quando um rico rouba, vira ministro”. Já se pode dizer que, para ser ministro do atual governo, a probidade é dispensável – a única exigência é que o candidato esteja sob investigação da Polícia Federal ou seja réu da Justiça. O Brasil já sente saudade do tempo em que os ministros eram escolhidos apenas como forma de barganha fisiológica.

    Se a cartada de Lula será ou não bem-sucedida, só o tempo dirá, mas convém lembrar que o foro privilegiado não livrou da cadeia a quadrilha petista que atuou no mensalão. Enquanto o dia de encarar o tribunal não chega, Lula poderá exercer a Presidência de facto, sem ter recebido um único voto de um único brasileiro para isso. E não se diga, com o cinismo que é peculiar ao lulopetismo, que Lula, afinal, nunca deixou a cadeira presidencial e sempre influenciou Dilma. O que vai acontecer daqui em diante, ao menos na cabeça dos apaniguados do chefão petista, está em outro patamar: Lula vai ditar a política econômica, promovendo a “virada” tão desejada por essa caterva de irresponsáveis.

    Já se espalhou que Lula pretende implementar um certo “plano de reanimação nacional”, para reverter a crise econômica. Nem é o caso de perguntar como o mago petista pretende realizar tamanho milagre, pois nada disso é se não rematada empulhação, como quase tudo o que caracteriza sua trajetória. Mas é o suficiente para animar a tigrada, com vista a 2018. O presidente da CUT, Vagner Freitas, por exemplo, já disse que Lula vai mudar “radicalmente” o governo e “dar uma guinada à esquerda”. Pobre Brasil.

    Aos cidadãos brasileiros, ofendidos por essa desavergonhada demonstração de desprezo pela democracia, resta exercer nas ruas o direito de manifestação e pressionar o Congresso e o Judiciário a não permitirem que o golpe se complete. O Brasil não pode ser governado por uma quadrilha.
    http://opiniao.estadao.com.br/notici...do,10000021694
    Última edição por 5ms; 17-03-2016 às 14:47.

Permissões de Postagem

  • Você não pode iniciar novos tópicos
  • Você não pode enviar respostas
  • Você não pode enviar anexos
  • Você não pode editar suas mensagens
  •