Empresas de TI no estado aumentaram salários em 7,23% em 2011, diz pesquisa

RIO - Pesquisa inédita encomendada pelo Sindicato das Empresas de Informática do Estado do Rio (Seprorj) revela que os salários do setor de TI no estado tiveram aumento médio de 7,23%, em 2011 - bem superior ao reajuste da categoria (6%) e à inflação do ano (o IPCA foi de 6,5%). O estudo - que abrange vários outros aspectos além do salarial - foi realizado com 73 empresas e, no caso dos dados salariais, com 4.500 profissionais.

Os critérios de correção salarial adotados obedecem à convenção coletiva em 83% das empresas; enquanto 13% se pautam pelo mercado e 4% por critérios próprios. Cerca de 90% dos salários do pessoal da área técnica que têm entre 36 e 40 anos estão entre R$ 4.500 e R$ 7.500.

Segundo o presidente do Seprorj, Benito Paret, devido à falta de pessoal qualificado e ao alto índice de turnover (rotatividade) - de 37%, sendo que, em 60% dos casos, deve-se a novas admissões, indicando um mercado em expansão -, as empresas do setor têm políticas agressivas de retenção de profissionais. Isso explica o fato de que 20% das empresas oferecem participação nos lucros e 14% têm pelo menos um funcionário que se tornou sócio.

- Isso reflete uma tendência dessas empresas a tentar fixar os funcionários, principalmente no caso das menores, que são maioria neste segmento, no Rio de Janeiro - diz Paret. - Altos salários, participação nos lucros e sociedade são as formas que elas têm de se tornar mais competitivas.

Salários dos homens com pós-graduação podem ser até 60% maiores que os das mulheres, com a mesma escolaridade

Entre as empresas que oferecem participação nos lucros, 50% chegam a dar até meio salário a mais por ano; 29%, até um salário, e 21% até dois salários. De acordo com Paret, a área de TI é uma das que tem rotatividade mais elevada: 24% dos colaboradores das empresas pesquisadas têm menos de um ano de casa, 50% têm até três anos e somente 3% têm entre 6 e 7 anos de empresa. Ainda segundo a pesquisa, 78% das empresas têm menos de 100 funcionários e cerca de 54% faturam entre R$ 1,2 e R$ 10,5 milhões.

No quesito salário, o estudo ratifica uma desigualdade que acontece em todos os demais setores da economia, pelo mundo: as mulheres ganham menos do que os homens. A diferença média de salário é de 10%, na área técnica, e aumenta significativamente, de acordo com o aumento do nível profissional. No nível de pós-graduação, os homens chegam a ganhar até 60% mais do que as mulheres.

- Há dois fatores para serem levados em consideração. Um é que a atividade de TI é historicamente masculina e o segundo é que provavelmente os homens que têm pós-graduação já devem ter feito os estudos ocupando cargos mais altos, o que torna mais fácil receberem um aumento maior - explica Paret. - De qualquer forma, assim como em outros segmentos técnicos, o setor de TI é predominantemente masculino, e a entrada das mulheres e maior equiparação salarial acaba sendo um processo lento e que enfrenta resistência.

O estudo sobre o setor mostra também que 61% dos funcionários de TI do Rio têm até nível médio; 43%, superior e 4% pós-graduação. A mão de obra recrutada no mercado raramente é considerada excelente ou totalmente satisfatória. A maior insatisfação dos recrutadores é relativa a colaboradores com nível médio (em 18% dos casos).

- O setor de TI tem uma forte tendência a buscar profissionais já experientes, que possam render muito. Essa situação se agrava no Rio, onde o mercado é composto basicamente por empresas pequenas, que não podem se dar o luxo de esperar que recém-formados adquiram experiência - afirma Paret. - Não existe uma cultura de formar profissionais, e por isso a competição entre as empresas pela mão de obra é tão grande.

Paret ressalta que, das vagas na área de informática oferecidas por universidades públicas e privadas, no Rio, somente metade são preenchidas. Dos jovens que entram, apenas 50% se formam.

Realizada anualmente, a pedido do Seprorj, é a primeira vez em que a pesquisa abrange tantos aspectos, além do salarial.
fonte: Uma radiografia do setor de tecnologia no Rio de Janeiro - O Globo