Naturalmente você já ouviu falar em desigualdade social, mal que atinge todos os países, especialmente os menos desenvolvidos. Há, porém outro tipo que vem se acentuando: a digital.
De acordo com a companhia de publicidade britânica Arieso, 1% dos usuários de Internet móvel são responsáveis por metade do tráfego global, e os 10% que mais consomem respondem por 90% dos dados gerados. Ela chegou a essas conclusões a partir do monitoramento de 1,1 milhões de clientes de uma operadora europeia durante novembro.

O diretor de tecnologia da empresa, Michael Flanagan, porém, nega qualquer semelhança entres as desigualdades sociais e digitais. Em entrevista ao The New York Times, ele disse que os “heavy users” – internautas que mais consomem dados – são formados por pessoas de diferentes perfis, de importantes executivos a jovens que não abrem mão de planos com banda ilimitada.

“Algumas pessoas traçaram um paralelo com o movimento Occupy Wall Street – cheguei a escutar o termo “Occupy Downlink” – mas as situações são bastante diferentes, e o contexto da Internet móvel não segue o mesmo padrão das classes socioeconômicas”.

A Arieso constatou que 64% dos heavy users utilizavam um notebook, um terço preferia o smartphone e 3%, o iPad.

Para Pal Zarandy, analista do instituto Rewheel, com sede na Finlândia, o levantamento não chega a surpreender, pois a diferença de hábito entre os que acessam a rede por conexão 2G – a grande maioria dos celulares – e os que possuem planos 3G é enorme. Os do primeiro grupo basicamente consomem dados com chamadas e mensagens de texto, os do segundo abusam de vídeos, navegações por sites e envio de e-mails.

Embora os smartphones venham substituindo, lentamente, os celulares comuns, são poucos os países em que eles já representam mais de 50%. Na própria Finlândia, por exemplo, onde isso ocorre, há provedoras que oferecem acesso ilimitado por apenas 6,40 dólares (11,8 reais) por mês. Lá eles consomem 1GB mensalmente – dez vezes a média europeia – e, segundo pesquisa da Ericsson, 40% dos que detêm dispositivos móveis com conexão à Internet a acessam antes de levantar da cama.

Por mais que isso possa parecer uma boa notícia para as operadoras, pois quanto mais dados os usuários consomem mais eles pagam, a realidade é outra. As grandes companhias já manifestaram a dificuldade em acompanhar hábitos de seus clientes, pois sua arrecadação tem crescido a um ritmo bem inferior ao do tráfego global.

Segundo as divulgadas pelos institutos Gartner, Ovum, Informa e Yankee Group, a renda das empresas tradicionais de telecomunicações crescerá 10,7% entre 2010 e 2014. No entanto, o consumo de dados, que em 2010 esteve na casa dos 20 Exabytes mensais, chegará a 2015 com 86,5 Exabytes – alta de 324%.

fonte: Apenas 10% dos usu